Pré-mercado

Ibovespa futuro descola do exterior e opera em leve alta, com commodities

Minério e petróleo avançam e puxam contrato futuro do principal índice da bolsa brasileira

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro abriu em alta nesta quarta-feira. Às 9h15 (horário de Brasília), o contrato do principal índice da bolsa brasileira com vencimento em junho avança 0,21%, aos 120.645 pontos, descolado da performance dos principais índices internacionais.

No pré-mercado americano, a tendência é de leve queda, com investidores repercutindo a possibilidade de a Rússia ter mentido sobre o avanço em um acordo por um cessar-fogo com a Ucrânia. O futuro do Dow Jones recua 0,27%, o do S&P 500, 0,28%, e o da Nasdaq, 0,41%.

Segundo a agência de notícia Reuters, apesar de afirmarem uma retirada das tropas de Kiev, os russos intensificaram os bombardeios na linha de frente que separa o território controlado pelo governo ucraniano de áreas mantidas por separatistas apoiados pela Rússia no leste do país, na região de Donetsk.

Já segundo o porta-voz Pentágono, John Kirbi, a Rússia não está retirando suas forças de perto da capital da Ucrânia mas sim as reposicionando. “Acreditamos que o que eles provavelmente têm em mente é um reposicionamento para priorizar outros lugares”, disse a autoridade.

“Apesar do avanço aparente das negociações, os ataques da Rússia continuam em toda a Ucrânia e o presidente do país,
Volodymyr Zelensky, pede vigilância. Aliados ocidentais disseram que não removerão as sanções econômicas até que o cessar-fogo seja confirmado”, explica a XP Investimentos, em seu morning call.

Na Alemanha, os impactos da guerra sobre os preços já começam a ser sentidos. A inflação ao consumidor da maior economia europeia avançou 2,5% na base mensal em março, ante consenso de alta de 1,6%. O rendimento do título público do país com vencimento em dois anos, com isso, disparou mais de 7 pontos-base, positivo em 0,038%, patamar não visto desde 2014.

A tendência também é majoritariamente de queda entre os índices europeus. O DAX, da já mencionada Alemanha, cai 1,32%, o CAC 40, da França, 0,91%, e o STOXX 600, de toda a zona do Euro, 0,48%. O FTSE, do Reino Unido, é o único que avança, com alta de 0,09%.

Nos Estados Unidos, o movimento da curva de juros também continua sob monitoramento dos investidores. “A curva de juros nos EUA também segue contribuindo para um aumento na tensão do mercado. Ontem houve a primeira inversão entre a curva de dois anos com a de 10 anos, ou seja, os juros curtos superaram, brevemente, os juros longos. Este é considerado um forte indicador de recessão nos EUA, porém a inversão ocorrida ainda é considerada muito momentânea e segue revertida nesta manhã”, comenta a XP.

Por lá, a divulgação de que o número de novos empregos privados criados em março foi de 455 mil, ante consenso de 450 mil, deve passar ainda mais a percepção de que a economia está superaquecida.

Hoje, com as notícias da guerra, o petróleo volta a subir – e a pressionar a inflação. O barril Brent, parâmetro para a Petrobras (PETR3;PETR4) para junho tem alta de 1,91%, a US$ 112,33. O WTI para maio avança 2,1%, a US$ 106,46.

O minério de ferro, por sua vez, teve alta de 2,99% no porto chinês de Dalian, a US$ 140,90 a tonelada, em meio a notícias de que a China irá fortalecer a busca de medidas para mitigar incertezas econômicas. Com isso, os índices de Shanghai e de Hong Kong avançaram, respectivamente, 1,96% e 1,39%.

No Brasil, preços ao produtor crescem menos do que o esperado em fevereiro

No cenário interno, a inflação ao produtor de fevereiro veio aquém do esperado, subindo 0,56% na base mensal, ante consenso de alta de 0,9%.

O número abaixo do consenso, porém, não é suficiente para evitar a alta em bloco da curva de juros brasileira. O rendimento do contrato DI para 2025 avança três pontos-base, para 12,73%. As taxas dos DIs para 2025 e 2027 avançam, ambas, quatro pontos, para 11,34% e 11,21%, respectivamente. O DI para janeiro de 2029 vê seu rendimento subir três pontos-base, para 11,39%.

O Real tem mais um dia de valorização frente ao dólar – o contrato futuro da moeda americana para maio cai 0,29%, a R$ 4,750. O dólar comercial recua 0,36%, a R$ 4,740 na compra e a R$ 4,741 na venda.

Análise técnica por Pamela Semezatto, analista de investimentos e especialista em day trader da Clear Corretora

Ibovespa

“Segue batendo máximas acima dos 120 mil pontos, mas chegou na região de resistência forte em um movimento esticado. Seguimos aguardando por uma correção”.

Dólar

Ontem foi o segundo dia que tentou romper o suporte de R$ 4,74 e fechou acima. Ainda sem conseguir mostrar força de compra para um repique do ultimo movimento, mas começa a dar sinais de que a força da queda está bem mais fraca”.

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