Ibovespa Futuro cai forte, dólar futuro bate R$ 4,23 e DIs voltam a disparar

Mercado tem novo dia de "pânico" seguindo o after-market da última sessão; exterior fica de olho em fala de Yellen

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em baixa nesta quinta-feira (24), seguindo o pânico que se apoderou dos mercados de juros futuros depois do fechamento do último pregão. Mais de 300 pontos-base atrás na curva de juros, com mercado precificando Selic acima de 17%, o Banco Central divulga seu relatório de inflação. Lá fora, as bolsas europeias e os futuros dos índices Dow Jones e S&P 500 recuam à espera do discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen.

Às 9h20 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa para outubro tinha queda de 0,86%, a 44.960 pontos. Enquanto isso, o dólar futuro para o mesmo mês tinha alta de 0,51% a R$ 4,211. Hoje o Banco Central também ofertará 20.000 contratos de swap, após atuação ontem fracassar em impedir salto de 3,2% do câmbio. Segundo informações do Estado de S. Paulo, o presidente do BC, Alexandre Tombini, deixou por duas vezes sua reunião com membros da Fitch ontem para coordenar estratégia de política cambial. De acordo com a Reuters, o governo não vai vender os dólares nas reservas internacionais para impedir a onda de depreciação do real. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 37 pontos-base, a 16,92%, ao ,passo que o DI para janeiro de 2021 registrava ganhos de 14 pbs, a 17,08%. 

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Do lado político, o cenário continua quente, com o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Augusto Nardes, relator das contas da presidente Dilma Rousseff, falando que o tribunal fará história.  Para ele, “quem está no poder há 12 anos não aceita contestações”, referindo-se ao clima hostil em torno do julgamento. Nardes acredita que as crises política e econômica estão se aprofundando e afirma que impeachment é um problema do Congresso.

Entre os indicadores brasileiros, foi divulgada agora às 9h a PME (Pesquisa Mensal do Emprego) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostrou um leve avanço da taxa de desemprego de 7,5% em julho para 7,6% em agosto deste ano. Em relação a agosto de 2014, a alta foi de 2,6%. Segundo a pesquisa Bloomberg, a mediana das expectativas dos economistas era de que a desocupação fosse para 7,7%.

Cenário externo
As bolsas asiáticas tiveram baixa em sua maioria nesta quinta-feira diante das preocupações com a China e os Estados Unidos, o que aumenta a pressão sobre os ativos de risco. Os mercados mantêm cautela antes da fala da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, que pode dar mais sinalizações sobre os próximos passos da autoridade monetária norte-americana.

As preocupações de que um eventual aperto da política monetária dos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento da China possam afetar a economia global assustaram os investidores, particularmente aqueles que investiram em ações e commodities. As ações de Xangai reduziram os ganhos e fecharam as operações com alta de 0,89%, refletindo como a confiança do investidor na economia permanece instável.

O Nikkei do Japão, que teve operações nesta quinta-feira pela primeira vez na semana após uma sequência de feriados nacionais. As ações das montadoras japonesas caíram em uma reação tardia ao escândalo da Volkswagen. “Os investidores ficarão cautelosos por enquanto. Os mercados irão se tornar mais estáveis apenas quando as incertezas sobre a economia da China e a política monetária norte-americana diminuírem”, disse o estrategista sênior da Mitsui Asset Management Masahiro Ichikawa.

As bolsas europeias também registram um dia de queda, com destaque para a baixa superior a 25 do alemão DAX, enquanto o francês CAC 40 registra uma queda de 1,6%. No noticiário corporativo, chama a atenção a recuperação das ações da Volkswagen de cerca de 7% em meio ao escândalo de fraudes nas emissões de poluentes, enquanto a BMW vê suas ações afundarem na bolsa hoje, chegando a ter baixa 8,6% após a revista Auto Bild dizer, em um relatório, que o modelo X3 da montadora alemã fraudou as emissões de forma semelhante à Volkswagen.

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Entre os dados econômicos, boa notícia para a Alemanha: o ndice IFO clima de negócios na Alemanha superou as estimativas, mostrando resiliência da maior economia europeia.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos da Bolsa a partir do sino de abertura.