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Ibovespa Futuro cai em meio a Grécia e queda de 5% do minério de ferro

Índice segue as bolsas internacionais e recua diante de uma falta de avanço nas negociações gregas; MP da redução da jornada de trabalho e fortalecimento de tese de impeachment ficam no radar doméstico

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em baixa nesta terça-feira (7), seguindo o desempenho das bolsas internacionais, que caem em meio a notícias de que há poucas mudanças nas propostas gregas para um acordo com os seus credores internacionais. No cenário interno, o mercado repercute a Medida Provisória que permite a redução da jornada de trabalho e de remuneração de até 30% por conta da crise econômica. O anúncio vem ao mesmo tempo em que se fortalece a tese de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). 

Às 9h36 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para agosto caía 0,86%, a 52.445 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar futuro, também para agosto, subia 0,54%, a R$ 3,185. Na contramão das bolsas mundiais, os futuros dos índices Dow Jones e S&P indicam uma abertura em alta nos Estados Unidos ao subirem 0,15% e 0,21% respectivamente. 

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Dilma defendeu seu mandato e desafiou quem defende a sua saída a provar que ela algum dia “pegou um tostão de dinheiro sujo”. “Não tem base para eu cair, e venha tentar. Se tem uma coisa que não tenho medo é disso”, afirmou, acusando setores da oposição de serem “um tanto golpistas”. 

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ADRs em queda
Os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale (VALE3; VALE5) recuam 1,78%, a US$ 5,51, seguindo as cotações do minério de ferro, que caiu abaixo de US$ 50 pela primeira vez desde abril. O minério spot no porto de Qingdao caiu 5,1%, a US$ 49,60.

No noticiário corporativo, a Petrobras (PETR3; PETR4) informou hoje, após o fechamento do mercado, que o Tribunal Arbitral proferiu, no último dia 02 de julho, uma decisão cautelar em relação à arbitragem proposta pela Petrobras a respeito da resolução da ANP (Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis), que considera as concessões de Baleia Anã, Baleia Azul, Baleia Franca, Cachalote, Caxaréu, Jubarte e Pirambu como um único campo a partir do segundo trimestre de 2014.

A decisão cautelar determina que a Petrobras passe a depositar trimestralmente, em favor da ANP, os valores controversos de participação especial. Com base no preço do petróleo e na produção atual dos campos, este montante será de aproximadamente R$ 350 milhões por trimestre. “Embora o montante esteja pendente de confirmação pelas partes, o valor até então estimado pela ANP é de R$ 2,2 bilhões”, disse a Petrobras, ressaltando que “se trata de decisão de natureza preliminar, tendo em vista que os árbitros não decidiram sobre o mérito da matéria”. Os ADRs da petroleira negociados no pré-market da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) caíam 1,83%, a US$ 8,05. 

No mercado de commodities, o barril do petróleo Brent sobe 0,96%, a US$ 57,08, recuperando-se da maior queda em 5 meses, enquanto o barril do WTI (West Texas Intermediate) recua 0,36%, a US$ 52,34. 

Pressão na Grécia; queda na China
A maior parte dos índices acionários asiáticos fechou em queda nesta terça-feira, reagindo a novo recuo da bolsa chinesa, que perturbou investidores já aturdidos por incertezas sobre o futuro da Grécia e do bloco monetário europeu.

O índice chinês chegou a cair mais de 5% durante a sessão, apesar de medidas sem precedentes adotadas no último fim de semana para estabilizar o mercado, mas fechou em queda de 1,26%. O índice japonês Nikkei subiu mais de 1% após marcar forte queda na segunda-feira.

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Já nas bolsas europeias, o cenário é de maior cautela em meio à pressão para que os gregos aceitem um plano viável com os credores. Segundo informações da CNBC citando a mídia alemã, houve poucas mudanças nas propostas gregas para o acordo. Com isso, as bolsas europeias têm um dia de queda.

“A Grécia está em circunstâncias difíceis. Apesar da volatilidade no curto prazo e do fato de que a discussão será difícil, ainda espero que uma solução que evite uma situação muito ruim”, disse o chefe de alocação global de ativos do Societé Générale, Alain Bokobza.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.