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Ibovespa Futuro cai com temor de default na Grécia e espera por Fomc e decisão de Dilma

Índice opera em baixa depois do respiro da Bolsa de ontem com o recrudescimento das tensões no exterior; projeto que libera a Petrobras de ser operadora única do pré-sal alivia pessimismo

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em leve baixa nesta quarta-feira (17) com temor de default da Grécia e espera por decisão de juros do Fomc (Federal Open Market Comittee) no radar. Por aqui fica a expectativa para o veto ou sanção da presidente Dilma Rousseff (PT) para as mudanças no fator previdenciário que foram aprovadas no Congresso. Além disso, traz otimismo na sessão o projeto que libera a Petrobras de operadora única do pré-sal. 

Às 9h10 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para junho caía 0,32%, a 53.530 pontos, em seu último dia de negociação. Amanhã começa a valer o contrato para julho. Ao mesmo tempo, o dólar futuro para o mês que vem subia 0,24%, a R$ 3,113. 

Ainda no cenário doméstico, o governo já consideraria, em seu cenário, que o País terá seu rating soberano rebaixado pela Moody’s, disse uma fonte da área econômica ao Valor Pro, serviço de notícias em tempo real do Valor. A agência, considerada a mais conservadora das três principais (que inclui a Standard & Poor’s e Fitch), foi a última a conceder o grau de investimento ao Brasil, em setembro de 2009.

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Além disso, o TCU (Tribunal de Contas da União) julgará as contas de 2014 do governo Dilma. Os ministros vão avaliar questõe como as chamadas “pedaladas fiscais” e podem reprovar as contas públicas do Planalto. 

Nos destaques corporativos, passa a tramitar em regime de urgência o projeto que libera a Petrobras (PETR3PETR4) da função de operadora única no pré-sal e desobriga a estatal da participação mínima de 30% dos blocos licitados (PLS 131/2015). O requerimento de urgência foi aprovado pelo Plenário do Senado na terça-feira. O texto só deve ser votado após a realização de uma sessão temática marcada para o dia 30 de junho. Tanto o requerimento quanto o projeto são do senador José Serra (PSDB-SP). O assunto, polêmico, já havia sido tema de muita discussão entre os senadores na última semana. 

Conforme destacaram fontes à agência Bloomberg, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, defende que a empresa tenha o direito, e não a obrigação, de operar os campos do pré-sal. Os ADRs (American Depositary Receipts) da petroleira negociados no pré-market da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) subiam 0,53%, a US$ 9,55. 

Grécia e Fomc dividem investidores
O cenário externo continua motivo de temor depois do primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, repetir nesta quarta-feira sua recusa em aceitar mais cortes de aposentadorias e afirmar que quer uma solução “honrável” para as discussões sobre um acordo de reformas em troca de ajuda. Tsipras afirmou ainda que está pronto para aceitar os custos políticos de fazer isso. Se nenhuma solução for possível, ele dirá não a exigências “catastróficas” dos credores, afirmou Tsipras.

O banco central da Grécia fez um alerta nesta quarta-feira de que o país pode entrar em um “curso doloroso” na direção do default e da saída da zona do euro se o governo e seus credores internacionais não alcançarem um acordo sobre ajuda em troca de reformas. Também disse que a desaceleração econômica do país deve se ampliar no segundo trimestre deste ano, e que a crise levou a saques de cerca de 30 bilhões de euros de bancos gregos entre outubro e abril.

Ainda no radar, mais do que a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto dos EUA, o que o mercado realmente espera são os comentários da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. A chairman do BC da maior economia do mundo pode trazer em seu discurso indicações mais claras acerca de quando serão elevados os juros por lá. Os futuros dos índices Dow Jones e S&P subiam 0,17%, a 17.856 pontos e 0,14%, a 2.092 pontos respectivamente à espera de que as sinalizações sejam de uma alta de juros mais lenta. 

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Do outro lado do mundo, a China vai intensificar os “investimentos efetivos” em setores importantes para sustentar a economia, afirmou nesta quarta-feira o gabinete do governo. O governo irá aumentar o investimento para transformar favelas e casas dilapidadas, ampliar os investimentos em infraestrutura de eletricidade rural e instalações de armazenamento de grãos, informou o Conselho Estatal após uma reunião ordinária.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

(Com Reuters)