Abertura

Ibovespa Futuro cai com sinais confusos da guerra comercial e repercutindo decisão do STF

Pré-market reflete o mau humor nos mercados internacionais e as dúvidas sobre os impactos políticos da nova jurisprudência

Números bolsas
Shutterstock – Ações da Bolsa

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda nesta sexta-feira (8) acompanhando a tensão nos mercados globais por conta da indefinição em torno das negociações entre Estados Unidos e China para a fase 1 de um acordo comercial. Segundo a Reuters, a revisão das tarifas impostas por um país contra o outro enfrenta dura oposição dentro da Casa Branca.

A informação contrasta com declarações da véspera do Ministério do Comércio da China, que, mesmo sem estabelecer um cronograma, afirmou que os dois países concordaram em cancelar as tarifas impostas ao longo do conflito comercial.

Enquanto isso, a porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, disse ao Fox News Channel que os Estados Unidos estão “muito, muito otimistas” em concluir um acordo.

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Por aqui, a grande notícia do dia é a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de revogar a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, o que deve beneficiar quase cinco mil pessoas presas atualmente, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Às 9h12 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para dezembro caía 0,64% a 109.250 pontos. Já o dólar futuro com o mesmo vencimento subia 0,29% a R$ 4,116.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 fica estável a 4,55% e o DI para janeiro de 2023 tem alta de dois pontos-base a 5,66%.

Sobre o STF, após cinco sessões e uma divisão na Corte, o desempate foi obtido com o voto do presidente, ministro José Dias Toffoli. Segundo ele, em 2011, a alteração no Código de Processo Penal (CPP) definiu que “ninguém será preso, senão em flagrante delito ou em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado”. De acordo com Tofolli, a norma é constitucional e impede a prisão após a segunda instância.

STF

Com a decisão de ontem, os condenados que foram presos com base na jurisprudência anterior poderão recorrer aos juízes que expediram os mandados de prisão para serem libertados. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o julgamento terá impacto na situação de 4,8 mil presos.

Os principais condenados na Operação Lava Jato podem ser beneficiados, entre eles, o ex-presidente Lula, preso desde 7 de abril do ano passado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba após ter sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), no caso do tríplex do Guarujá (SP).

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Segundo o Ministério Publico Federal (MPF), cerca de 80 condenados na operação na Operação Lava Jato serão atingidos. Integrantes da força tarefa divulgaram nota em que afirmam respeitar decisão do STF, entretanto disseram que a medida é dissonante ao sentimento de “repúdio à impunidade e com o combate à corrupção”.

A defesa de Lula afirmou que vai protocolar na Justiça Federal hoje um pedido para ele saia da cadeia. Juristas ouvidos pela Estadão dizem que, se for solto, Lula passa a ter as mesmas liberdades de um cidadão que não responde a nenhum processo e pode gozar da presunção de inocência enquanto seu processo não chegar ao trânsito em julgado.

Em reação à decisão da Suprema Corte, o Congresso tenta se articular para aprovar uma PEC para reverter o entendimento que a prisão só poderá vir após todos os recursos finalizados na Justiça.

Entretanto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou – antes do final do julgamento no STF – que não deve enfrentar o Supremo. “A gente tem que tomar certo cuidado porque tivemos a oportunidade de ter tratado disso (segunda instância) em março. (Apreciar propostas) logo depois que o Supremo decidir que ia revisitar o tema pode parecer que a gente está querendo enfrentar o Supremo e não é caso”, disse.

Já o Estadão relatou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também rechaçou a ideia. “Isso não tem perspectiva”, afirmou, ao tratar do assunto. Ontem, Alcolumbre não quis se manifestar. Em reação ao julgamento, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da CCJ no Senado, afirmou que pretende colocar em discussão um PEC para autorizar a prisão em segunda instância.

Ainda sobre a tese vencedora no julgamento do STF, o artigo 283 do Código de Processo Penal (CPP) – segundo o qual “ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva” –, está de acordo com o princípio da presunção de inocência, garantia prevista no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal.

A decisão, porém, não veda a prisão antes do esgotamento dos recursos, mas estabelece a necessidade de que a situação do réu seja individualizada, com a demonstração da existência dos requisitos para a prisão preventiva previstos no artigo 312 do CPP.

Noticiário Corporativo

Em entrevista ao Estadão, o CEO da Petrobras (PETR3;PETR4), Roberto Castello Branco, afirmou que o sistema regulatório do Brasil é complicado e isso acaba pesando na avaliação de qualquer companhia, quando questionado sobre o motivo da ausência das grandes petroleiras internacionais no leilão do excedente da cessão onerosa e na 6.ª Rodada de Partilha de Produção.

Já no radar de resultados, a operadora da Bolsa brasileira B3 (B3SA3) lucrou R$ 719,6 milhões no terceiro trimestre deste ano. O valor é 54,6% maior do que a cifra registrada no mesmo período do ano passado (R$ 465,4 milhões). A BRF (BRFS3) registrou lucro líquido de R$ 445,6 milhões no mesmo período.

A Iguatemi (IGTA3) lucrou R$ 86,9 milhões no terceiro trimestre deste ano. A cifra é 32,5% maior do que o valor registrado no mesmo período de 2018. A Marisa (AMAR3), por sua vez, registrou prejuízo líquido de R$ 76 milhões no terceiro trimestre deste ano. A cifra é maior do que a estimativa de perda de R$ 39,4 milhões estimada por analistas consultados pela Bloomberg.

A Cyrela (CYRE3) reverteu o prejuízo de R$ 121 milhões registrado no terceiro trimestre de 2018 para um lucro líquido de R$ 104 milhões entre julho e setembro deste ano. A Sul América (SULA11) teve lucro líquido de R$ 245,4 milhões, enquanto a Energisa (ENGI11) apresentou lucro líquido de R$ 53,9 milhões no terceiro trimestre deste ano.

Além dos resultados, a Embraer (EMBR3) elegeu Antonio Carlos Garcia como VP financeiro e de RI e a Camil (CAML3)  aprovou a recompra de 30,7 milhões de ações.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado, Agência STF e Bloomberg)

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