Bolsa

Ibovespa Futuro cai com impeachment indefinido ofuscando exterior

Pré-market indica dia negativo em meio às articulações do governo com partidos da base e notícias de sacrifício do ajuste fiscal

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em baixa nesta segunda-feira (4) com o cenário político ofuscando os ganhos no exterior. Por aqui, o impeachment entra em fase decisiva com hoje sendo o último dia para que a presidente Dilma Rousseff entregue a sua defesa à Comissão do Impeachment na Câmara dos Deputados. A Folha de S. Paulo destaca que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta ganhar apoio de deputados do chamado “baixo clero”, com base eleitoral distante das grandes cidades. Lá fora, as bolsas internacionais sobem com o petróleo em alta ofuscando o dia negativo para ações de telecomunicação.

Às 9h08 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para abril caía 0,80%, a 50.300 pontos.

Ajuste fiscal em xeque
A equipe econômica sacrificou o ajuste fiscal no curto prazo para conter a crise política, segundo o Estado de S. Paulo. Além das medidas de crédito e redução de taxas de juros em operações do BNDES e de fundos constitucionais, o governo pediu um abatimento da meta em até R$ 120 bilhões para acomodar mais despesas, inclusive na área de defesa, e recursos não previstos para os Estados de R$ 1,95 bilhão como compensação pela Lei Kandir que desonerou as exportações. 

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 caiu de uma contração de 3,66% para uma de 3,73%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,28% este ano, contra 7,31% projetados anteriormente.

Enquanto isso, a estimativa da taxa Selic foi reduzida de 14,25% para 13,75% esta semana, de modo que os economistas, pela primeira vez em 2016, esperam um corte dos juros este ano. Para 2017, as expectativas são de que a Selic chegue a 12,50%.

Cenário externo
As bolsas asiáticas registraram um dia misto, com Nikkei em queda de 0,25%, o Xangai tem alta de 0,17% e Hang Seng teve queda mais forte, de 1,34%, de olho nos sóldios dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, assim como os números da indústria na maior economia mundial e também na China.

As ações norte-americanas subiram na sexta-feira, com o índice S&P 500 ganhando 0,63%, à máxima de três meses, após dados melhores do que os esperados do emprego e da indústria nos EUA. O índice Nikkei do Japão recuou pressionado pela queda das montadoras na sequência de dados fracos de vendas nos EUA.

Já a Europa tem dia de alta, com o FTSE subindo 0,53%, o DAX em alta de 0,97% e o CAC 40 em alta de 0,99%.

O petróleo avança apesar da Arábia Saudita colocar em dúvida a proposta de acordo entre principais produtores. Metais como cobre e zinco caem em Londres.

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

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