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Ibovespa Futuro cai com fraqueza na China e mau humor internacional; dólar recua

Índice segue movimento da véspera e cai com notícias negativas no front internacional; possível compra do HSBC pelo Bradesco e anúncio do plano de concessões dominam cenário doméstico

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em baixa nesta terça-feira (9) seguindo o movimento da véspera e a tendência das bolsas internacionais. A perspectiva de uma elevação nos juros da economia norte-americana e as negociações sobre a dívida da Grécia continuam sendo o foco dos investidores do lado internacional junto com a decepção com os dados de inflação da China. Por aqui, a presidente Dilma Rousseff (PT) participará do anúncio do novo plano de concessões junto com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. 

Às 9h10 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para junho caía 0,28%, a 52.715 pontos ao mesmo tempo em que o dólar futuro para julho recuava 0,21%, a R$ 3,134. 

Outra notícia que mexe no mercado hoje é a de que o governo pode arrecadar de R$ 5 bilhões a R$ 18 bilhões com a alteração na tributação que trata dos juros sobre capital próprio e dividendos. O material, a que teve acesso a Agência Estado, foi produzido pela equipe de Levy. 

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O principal destaque no noticiário corporativo é o Bradesco. O banco pode enfrentar forte queda do capital, se sua oferta pela unidade brasileira do HSBC sair vencedora, afirmaram analistas do UBS. Em reportagens, o serviço online do jornal O Estado de S. Paulo e a Bloomberg afirmaram que o Bradesco fez o maior lance entre os potenciais compradores do HSBC no Brasil. A Bloomberg, citando fontes, disse nesta segunda-feira que o Bradesco pode pagar até R$ 14 bilhões em dinheiro pelo HSBC Brasil. O banco confirmou hoje que pretende vender as operações no Brasil e na Turquia.

Se o Bradesco pagasse a transação com caixa e os órgãos reguladores aprovassem o negócio rapidamente, o chamado capital de nível 1 do Bradesco poderia cair para 10,1%, ante 12,1% em março, os analistas liderados por Philip Finch escreveram em nota a clientes.

Já com a Petrobras, a companhia pode cancelar o contrato com o consórcio QGI, formado pelas empresas Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás, para a construção de módulos e integração das plataformas P-75 e P-77, no estaleiro do consórcio no Polo Naval de Rio Grande (RS), afirmou nesta segunda-feira o prefeito da cidade, Alexandre Lindenmeyer. Os ADRs (American Depositary Receipts) da petroleira negociados no pré-market da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) subiam 0,57%, a US$ 8,85. 

Europa
Dando continuidade ao movimento pessimista dos investidores nos principais mercados na véspera, as bolsas europeias registram leves quedas na manhã desta terça. No noticiário corporativo, destaque para o dia do investidor do HSBC, que deverá ocorrer hoje, em Londres. Em um comunicado à bolsa de Hong Kong, o banco anunciou que planeja cortar custos em até US$ 5 bilhões em dois anos, demitindo cerca de 50 mil funcionários e reduzindo seus ativos ponderados pelo risco em estimados R$ 290 milhões. Também faz parte da estratégia vender operações no Brasil e na Turquia e focar esforços na Ásia.

“Nós reconhecemos que o mundo mudou e precisamos acompanhar esse processo”, afirmou o CEO (chief executive officer) do HSBC, Stuart Gulliver, no comunicado. As ações da instituição financeira abriram com ganhos, mas logo viraram para o campo negativo nesta sessão. Às 8h30 (horário de Brasília), seus papéis caíam 1,1% na bolsa de Londres. A iniciativa mostra uma sinalização negativa para os investidores sobre a percepção de um importante player do mercado mundial sobre a conjuntura, provocando incertezas em outros investidores.

No plano geopolítico, destaque para a Grécia, que segue mexendo com o humor do mercado. Credores internacionais do país sugeriram que se estenda o programa de resgate até o fim de março de 2016, porém as condições para o firmamento do acordo e projeções sobre o futuro divergentes dificultam o processo, conforme informou a agência Reuters nesta manhã.

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Bolsas asiáticas
Os índices acionários asiáticos fecharam em queda nesta terça-feira conforme especulações sobre a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos já em setembro afetaram mercados emergentes em geral. A China teve outra leitura fraca sobre inflação com o índice de preços ao consumidor recuando 0,2 em maio ante o mês anterior, colocando a inflação anual em 1,2%.

Os números fracos de inflação alimentaram expectativas de que Pequim vai adotar mais estímulos de política. Investidores mesmo assim ficaram desanimados com este sintoma de demanda fraca e suas vendas tiraram as ações de máximas de sete anos, com o índice de Xangai fechando em queda de 0,4%.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.