Comentário diário

Ibovespa Futuro cai com aumento do apoio ao “Brexit” e delações da OAS; dólar sobe

Pré-market recua em mais um dia de tensão geopolítica por conta do risco de saída do Reino Unido da UE

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em baixa nesta terça-feira (14) com o aumento da aversão ao risco nos mercados depois que o tabloide sensacionalista britânico, The Sun, posicionou-se a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. Por aqui, o mercado não se anima com a entrega das investigações contra o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, de volta para o juiz federal Sérgio Moro. O que aumenta a indefinição política por aqui acabam sendo as citações a Marina Silva e ao ministro das Relações Exteriores, José Serra. 

Às 9h35 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para junho caía 0,37%, a 49.480 pontos, em seu último dia de negociação. Já o dólar futuro para julho tem alta de 0,24% a R$ 3,506. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera em queda de 1 ponto-base a 13,69%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 avança 1 pontos-base a 12,59%. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao caiu 4,42% a US$ 50,57 a tonelada seca. 

Vendas no varejo 
Aqui e nos Estados Unidos saíram os dados de consumo relativos aos meses de abril e maio respectivamente. No Brasil, a Pesquisa Mensal do Comércio, com os dados das vendas do varejo de abril mostrou um avanço de 0,5% na comparação com março, em linha com a expectativa mediana dos economistas. Na comparação anual, o indicador caiu 6,7%, contra 6,6% estimados. 

Já nos EUA, saíram às 9h30 as vendas no varejo, que tiveram uma expansão de 0,5%, contra expectativa mediana dos economistas de alta de 0,3% em maio. O dado mantém viva a possibilidade de aumento dos juros nos EUA em julho ou setembro deste ano.  

Dados da Europa
De volta ao radar por conta do risco de “Brexit”, uma saída do Reino Unido da União Europeia, a Europa divulgou dados importantes hoje. A produção industrial da zona do euro teve desempenho mais forte do que o esperado em abril, tanto na comparação mensal quanto no confronto anual, subindo pela primeira vez em três meses. Este é um sinal de que a recuperação econômica modesta continuou, apesar de uma demanda mais fraca em suas exportações para economias em desenvolvimento. Dados da agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, mostram que a indústria do bloco avançou 1,1% em abril ante março. Em relação a igual mês do ano passado, a produção cresceu 2,0% em abril. Analistas consultados pelo Wall Street Journal previam alta de +0,6% no resultado mensal e acréscimo anual de 1,2%.

Comissão do impeachment
Por aqui, hoje será mais um dia de trabalhos da Comissão Especial de Impeachment no Senado. Às 11h, a comissão ouvirá cinco testemunhas: o ex-secretário do Tesouro Nacional Marcelo Barbosa Saintive; o ex-coordenador-geral de Programação Financeira do Tesouro Nacional Marcelo Pereira de Amorim; o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, André Nassar; o ex-secretário adjunto da Casa Civil da Presidência da República, Gilson Alceu Bittencourt, e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho.

Vale ressaltar que, na véspera, o presidente da Comissão Processante do Impeachment no Senado Federal, Raimundo Lira (PMDB-PB), designou um grupo de três técnicos legislativos da Casa para periciarem os documentos e relatórios do TCU (Tribunal de Contas da União) que servem de base para o processo contra a presidente afastada Dilma Rousseff. A decisão atende a determinação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federa),  Ricardo Lewandowski, que acatou recurso da defesa de Dilma para a realização da perícia. Lewandowski, que é a última instância recursal do processo, considerou que a realização da perícia não resultará em custos adicionais e evitará arguição de nulidade do processo por parte da defesa futuramente.

Dilma e delações
Segundo o Estadão, Dilma vai se reunir nesta terça-feira com senadores e representantes de movimentos sociais para discutir a proposta de uma consulta popular sobre a realização de novas eleições. Ela quer aproveitar o ambiente de crise instalado pelos pedidos de prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), para tentar ganhar votos de parlamentares indecisos ou favoráveis ao impeachment.

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Ainda no campo político, vale destacar as notícias da Folha de S. Paulo de que em negociações para fechar delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro relatou a procuradores que representantes de Marina Silva lhe pediram contribuição para o caixa dois da campanha presidencial em 2010 porque ela não queria aparecer associada a empreiteiras, segundo informa o jornal Folha de S. Paulo. Ela foi candidata à Presidência pelo PV naquele ano e acabou a disputa, vencida por Dilma Rousseff, em terceiro lugar. 

O mesmo jornal aponta ainda que a OAS citou o senador e chanceler José Serra (PSDB-SP) nas negociações para firmar acordo de delação; ele integra lista de quase uma centena de políticos sobre os quais a empresa promete dar informações detalhadas de contribuições para campanhas eleitorais. Segundo a colunista Mônica Bergamo, Serra também pode integrar a delação de Odebrecht. 

Cenário externo
As bolsas mundiais, mais uma vez, têm um dia de aversão ao risco de olho na votação do dia 23 que pode levar à saída do Reino Unido da União Europeia. Além de pesquisas que mostram avanço do apoio da população pela saída, o maior tabloide britânico, The Sun, anunciou apoio à saída do bloco.

Com isso, os investidores se voltam para os portos-seguros do mercado, caso dos títulos alemães; o yield dos bons com vencimento em dez anos caiu para abaixo de zero pela primeira vez. O mercado ainda fica de olho na reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), com a decisão de política monetária na próxima quarta-feira.

Com isso, o alemão DAX tem baixa de 0,75%, o FTSE cai 1,25% e o CAC 40 tem baixa de 1,44%. O petróleo cai pelo quarto dia, com o brent em baixa de 1,39%, a US$ 49,64 o barril. Já na Ásia, as bolsas chinesas fecharam com leve alta, com os investidores de olho decisão do MSCI sobre se acrescenta as ações da China a um de seus índices, além de repercutir as expectativas pelo “Brexit” e pelo Fomc. Xangai sobe 0,35% e o Hang Seng tem queda de 0,61%; já o Nikkei teve queda de 1% à espera do Fomc e no BoJ.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

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