Ibovespa Futuro acompanha exterior e abre em alta após pior pregão em 2 meses

Índice indica sessão de recuperação na Bolsa, seguindo o bom humor dos mercados na Europa em dia de correção e com indicadores econômicos

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SÃO PAULO – Após o pior pregão em quase dois meses para o principal índice acionário da Bolsa brasileira, o Ibovespa Futuro abriu em alta na manhã desta terça-feira (23). Às 9h02 (horário de Brasília), o índice acumulava ganhos de 0,6%, a 59.150 pontos, acompanhando o dia de recuperação das bolsas mundiais, que repercutem dados econômicos na região e corrigem as perdas em meio a novas atenções à possibilidade de alta nos juros americanos. No mesmo horário, o dólar caía 0,3%, cotado a R$ 3,1896, em dia marcado por nova oferta de até 10 mil contratos de swap reversos pelo Banco Central.

As bolsas mundiais têm um dia de ganhos após a baixa da véspera. Na Europa, os ganhos são guiados pelos dados do PMI composto da zona do euro, que mede a atividade nos setores industrial e de serviços. O índice subiu levemente em agosto, a 53,3, de 53,2 em julho, mas atingiu o maior nível em sete meses, segundo dados preliminares publicados hoje pela Markit Economics. O resultado do PMI composto surpreendeu analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam queda do indicador a 53,0. Além disso, o avanço acima da marca de 50,0 sugere que a atividade do bloco vem se expandindo em ritmo um pouco mais forte este mês.

O dólar tem primeira baixa em três dias no exterior com foco mantido sobre Federal Reserve: Janet Yellen falará no final desta semana em Jackson Hole, podendo dar mais pistas sobre os juros. Na Ásia, o Nikkei teve queda seguindo a valorização do iene, que afetou as ações de empresas exportadoras. O dia é de nova baixa para os preços do petróleo, com os sinais de novo aumento de oferta pela Nigéria e Iraque diminuindo o ânimo com a expectativa de que as nações produtoras possam fazer um acordo para manter os preços elevados. Às 9h17, o preço do barril de petróleo brent recuava 0,73%, a US$ 48,80, enquanto o WTI caía 0,63%, a US$ 47,11%. Já o minério de ferro spot negociado em Qingdao com 62% de pureza fechou a sessão com alta de 0,85%, a US$ 61,75 a tonelada seca.

Agenda doméstica
O governo do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) reagiu e defendeu na última segunda-feirapublicamente segurar a votação, no Senado Federal, dos projetos de reajuste salarial para o funcionalismo público. O aumento já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, com apoio do governo. “Agora, é o momento de segurar um pouco essa questão de reajuste”, afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), após almoço com líderes da base aliada na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

Entre os destaques da agenda de hoje, está marcada mais uma tentativa de votar o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2017. O texto, aprovado no início do mês pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), autoriza o governo federal a fechar o ano com um déficit de R$ 139 bilhões e prevê um crescimento de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB). A sessão do Congresso está marcada para às 11 horas. Caso se confirme a estimativa da LDO, o Brasil completará quatro anos consecutivos de déficit fiscal e de crescimento da dívida pública nacional. O Senado, por sua vez pode votar PEC 31/2016, que prorroga Desvinculação das Despesas da União e PLS 204/2016, que dispõe sobre securitização da dívida dos Estados.

Ainda na agenda do dia, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para discutir as diretrizes, implementação e perspectivas futuras da política monetária. A sessão tem início após a reunião ordinária da comissão, marcada para às 10h.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.