Pré-mercado

Ibovespa futuro tem queda, acompanhando exterior; ata do Fomc e sanções contra Rússia no radar

Alta das commodities não impede contrato futuro do principal índice brasileiro de cair

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro opera em queda no início do pregão desta quarta-feira (6). O contrato com vencimento em junho, às 9h15 (horário de Brasília), recua 0,79%, aos 118.265 pontos, acompanhando a performance das principais bolsas internacionais.

Nos EUA, os futuros recuam em bloco no pré-mercado, com investidores cautelosos, aguardando a publicação da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para sair às 15h. O documento deve trazer mais informações sobre como o Federal Reserve vê o atual momento da economia mundial e como deve se posicionar para o futuro.

Ontem, falas mais duras de Lael Brainard, diretora do Federal Reserve, sobre o ciclo de alta de juros e também sobre uma redução de balanço mais rápida , começando já em maio, pesaram sobre as curvas de juros e sobre os ativos de risco. Os dizeres foram interpretados como uma sinalização de que o Fed irá acelerar o aperto econômico.

“Após o pronunciamento houve uma venda generalizada nos mercados, uma vez que a discussão sobre uma possível recessão causada por uma política monetária restritiva ganhou força novamente na pauta dos investidores”, comenta a XP Investimentos, em seu morning call.

Com isso, no pré-mercado americano, o rendimento dos treasuries com vencimento em dez anos sobe 8,5 pontos-base, para 2,639% – maior nível desde o começo de 2019. O contrato futuro do Dow Jones para junho cai 0,74%, os do S&P 500, 1%, e os da Nasdaq, 1,62%.

Além das movimentações do Fed, pesa sobre a taxa de juros a leve alta do petróleo, com o preço do barril WTI para maio com alta de 1%, a US$ 103,07, e o do Brent para junho avançando 0,83%, a US$ 107,57.

O avanço do preço da commodity se dá em meio à expectativa de que o Ocidente imporá novas sanções à Rússia, após o fortalecimento da interpretação de que houve crime de guerra na cidade ucraniana de Bucha, onde mais de 300 civis foram mortos.

Até então, comenta-se que a intenção da UE é proibir a importação de carvão mineral russo – cerca de 20% do total de carvão comprado pelo bloco em 2021. Ucranianos, porém, continuam pressionando pela interrupção da compra de petróleo e gás do país governado por Vladimir Putin.

O DAX, da Alemanha, recua 1,90%. O FTSE, do Reino Unido, cai 0,27%. O CAC 40, da França, tem baixa de 2,11%. O STOXX 600, de todo o Velho Continente, recua 1,51%.

Na Ásia, a tendência também foi de queda, acompanhando a performance do Ocidente. Destaque negativo para as companhias de tecnologia, que sofrem mais com a alta dos juros. O HSI, de Hong Kong, caiu 1,87%, o Nikkei, do Japão, 1,58%, e o Kospi, da Coréia do Sul, 0,88%.

Além disso, analistas da XP Investimentos destacam que a publicação do PMI de serviços da China – que teve leitura de 42 março, ante 50,2 no último mês – ajudou a aumentar o pessimismo investidores. “Sinalizou que a política de zero-covid no país começou a prejudicar a atividade econômica”, explica.

O índice Shaghai, da China continental, foi o único da região que fechou estável, com alta de 0,02%. Em parte, a movimentação se dá pelo fortalecimento de comentários de que o gigante asiático utilizará políticas monetárias para estimular sua economia. O minério de ferro, também em parte por isso, fechou em alta de 2,15% no porto de Dalian, a US$ 145,62 a tonelada.

No Brasil, investidores ainda monitoram Petrobras (PETR3;PETR4)

No cenário interno, investidores continuam, nesta quarta-feira, a monitorar as incertezas quanto às definições do novo presidente e novo presidente do conselho da Petrobras, com novos nomes sendo analisados. A indefinição não ajuda a melhorar as incertezas fiscais no país, com o fantasma de uma possível intervenção na política de preços da estatal ainda rondando o mercado.

A curva de juros brasileira avança em bloco. O rendimento DI com vencimento em janeiro de 2023 sobe três pontos-base, para 12,76%. No meio da curva, o DI para 2025 vê sua taxa subir 10 pontos, a 11,42%. Na ponta longa, o rendimento dos DIs para 2027 e 2029 sobem, ambos, nove pontos, para 11,16% e 11,25%.

O dólar futuro avança 0,29%, a R$ 4,699. O dólar comercial sobe 0,18%, a R$ 4,667 na compra e na venda.

Análise técnica por Pamela Semezatto, analista de investimentos e especialista em day trader da Clear Corretora

Ibovespa

“Na véspera, começou a correção que estávamos esperando, mas ainda é cedo para dizer como será esse movimento. Enquanto estiver acima dos 115 mil, continua com tendência de alta, e os pontos para possíveis correções por Fibonacci são: 116.300, 114.680 e 113.030 pontos”.

Dólar

“Barra mais compradora, indicando possibilidade de repique do último movimento de queda. Caso hoje rompa a máxima de ontem, segue em tendência de baixa”.

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