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SÃO PAULO – 2014 não deixou saudades para o investidor em ações: em um tumultuado ano na Bolsa, marcado por fortes altas e baixas em meio à corrida eleitoral, desaceleração da economia chinesa, nova crise do petróleo e prenúncios de retirada de estímulos nos EUA, o Ibovespa fechou os 12 meses com queda de 2,91%, indo na contramão de muitas bolsas internacionais. Se perder nunca é bom, o investidor que acompanhou o principal índice de ações da BM&FBovespa pode pelo menos ficar mais aliviado se levar em conta a rentabilidade de outras carteiras teóricas que a bolsa brasileira disponibiliza.
Dentre os índices que “apanharam” em 2014, aparece o IDIV (Índice de Dividendos), que recuou incríveis 18% em 2014. Outra carteira que teve uma péssima performance foi a SMLL, que acompanha as small caps e recuou 16,5% no ano. Mas o que causou tamanha queda para cada um destes índices?
A começar pelo IDIV, criado pela BM&FBovespa para medir o comportamento das ações que se destacaram em termos de remuneração dos investidores, sob a forma de dividendos ou juros sobre capital próprio. Um dos “problemas” deste benchmark é que as componentes são selecionadas por sua liquidez e ponderadas nas carteiras pelo valor de mercado. Com isso, embora a carteira tivesse 36 papéis, mais de 40% do portfólio estava concentrado em Petrobras PN (PETR4), Vale ON (VALE3), Vale PNA (VALE5) e Banco do Brasil (BBAS3).
Segundo a composição que entrou no último quadrimestre de 2014, a ação preferencial da Petrobras possuía 20% de participação na carteira teórica. Logo atrás, apareciam Banco do Brasil (11,5%), a ação preferencial da Vale (11,4%) e a ordinária (8,6%). Em 2014, embora o BB tenha fechado com alta de 3,8%, a petrolífera e a mineradora perderam 37% de valor de mercado, prejudicando diretamente a performance do IDIV.
Se para a Petrobras já pesava nos últimos anos as discussões acerca de um reajuste nos preços dos combustíveis – o governo não podia equiparar os preços do mercado doméstico com o exterior devido ao impacto que isso traria à inflação -, agora pesa sobre ela as denúncias de corrupção que estão sendo investigadas até pelo órgão regulador norte-americano – podendo inclusive resultar na deslistagem dos papéis nos EUA, no pior dos cenários. Já para a Vale, contribuiu para a derrocada desaceleração da economia chinesa, maior comprador do minério de ferro, principal produto da mineradora.
A queda dos papéis impactou mais o IDIV do que o Ibovespa pois a participação das companhias no índice é muito maior do que na principal carteira da Bovespa: enquanto no IDIV a PETR4 possuía, ao final de 2014 participação de 20%, na carteira do Ibovespa, o mesmo papel possuía participação de apenas 8,7%. No caso da Vale, a participação no Ibovespa era de 3,4% no caso dos papéis ON e 4,5% para os papéis PN.
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Vale mencionar que a Petrobras deixou de fazer parte do IDIV em 2015 – a composição da nova carteira pode ser vista no site da BM&FBovespa.
Small caps: pequenas empresas, grandes quedas
Já o índice de small caps tem por objetivo medir o retorno de uma carteira composta por empresas de menor liquidez. Esse índice é um “complemento” ao MLCX (índice de mid e large caps da Bolsa): conforme explica a BM&FBovespa, são candidatas a participar MLCX as empresas que “em conjunto representarem 85% do valor de mercado total”. O restante das companhias são elegíveis da carteira de small caps.
Na carteira do quadrimestre setembro-dezembro de 2014, detinham participação relevante no índice as ações da BR Properties (BRPR3, 3,7% de participação), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, 3,5%), Equatorial Energia (EQTL3, 3,3%), Cyrela (CYRE3, 2,98%) e Hering (HGTX3, 2,94%). Destas, a única que se salvou em 2014 foi a Equatorial: a empresa do setor de energia viu suas ações subirem 21,3% no ano.
No caso da Metalúrgica Gerdau, a holding que detém forte participação no capital da Gerdau (GGBR4) sofreu em 2014 com o cenário ruim no setor de siderurgia. Já a construtora Cyrela e a locadora de imóveis BR Properties caíram 20% em 2014 em meio ao cenário de alta na taxa básica de juros, o que impacta diretamente o andamento do setor. Já a Hering despencou 30% nos 12 meses, influenciada não só pela piora nas condições macroeconômicas como também pelo mau desemepnho de suas vendas.
A Bolsa segmenta as ações em diferentes índices para oferecer uma visão diferenciada do mercado acionário, que fuja do foco somente na carteira teórica do Ibovespa. O investidor que gosta de avaliar mais a fundo os setores e ações da Bolsa tem a opção de olhar os índices correspondentes àquele papel da maneira que preferir. A Bovespa possui 23 índices que o investidor encontra no site da BM&FBovespa, que vão desde índices amplos – como o IBrX 50/100 – até índices setoriais, de sustentabilidade, de governança e de segmento, além dos fundos de investimentos imobiliários e o índice global de BDRs.