Ibovespa foge da indefinição externa e renova máxima desde junho de 2008

Após sessão instável, Wall Street fecha com leves altas; resultado desagrada e Sabesp tem maior queda do índice; dólar sobe

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SÃO PAULO – Após indicar um pregão negativo na abertura dos negócios, o Ibovespa conseguiu escapar da instabilidade predominante sobre os mercados internacionais nesta terça-feira (17) e fechou o pregão com valorização de 1,17%, sua terceira alta consecutiva, atingindo 67.405 pontos e renovando a máxima desde 17 de junho de 2008. O volume financeiro do índice foi de R$ 6,66 bilhões.

A indefinição dos principais índices acionários externos acompanhou o tom cauteloso do discurso de Ben Bernanke, presidente do Banco Central norte-americano, na véspera. A despeito de alguns sinais de recuperação, o chairman relacionou grandes desafios à frente e mostrou cautela com relação ao mercado de trabalho dos Estados Unidos. Os indicadores divulgados na maior economia do mundo ao longo do dia potencializaram a percepção negativa em relação às palavras de Bernanke.

Ações em destaque

Mesmo com a melhora de humor em Wall Street no final do dia, a inversão de tendência do Ibovespa sugere maior correlação aos fatores domésticos. Em especial o fôlego das ações da estatal Petrobras, que subiram forte em meio ao anúncio de novas descobertas na Bacia de Campos e de petróleo “de boa qualidade” em Angola. O cenário para os papéis da estatal também inclui a divulgações de seu desempenho de produção em outubro, que se manteve praticamente estável em relação a setembro.

Além da estatal petrolífera, a valorização do Ibovespa recebeu impulso das ações das companhias aéreas TAM e GOL, que aparecem entre as principais altas do índice no pregão e acumulam a terceira sessão seguida de ganhos. A maior alta dentre as ações que compõem a carteira teórica quadrimestral do índice foi Klabin (+5,42%).

Na ponta negativa, as atenções se voltaram para as ações da Sabesp, que divulgou resultados operacionais na véspera. O recuo de 15,3% no lucro líquido apresentado pela companhia, que somou R$ 195,7 milhões, foi mal recebido pelos investidores, que colocaram os papéis da companhia de saneamento na ponta de baixo do Ibovespa.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
KLBN4 Klabin PN 4,86 +5,42 +52,47 22,13M
TAMM4 TAM PN N2 28,49 +4,02 +49,24 30,86M
GOLL4 Gol PN N2 22,19 +3,74 +123,92 43,09M
DTEX3 Duratex ON 14,00 +3,70 n/d 24,88M
JBSS3 JBS ON 9,61 +3,33 +97,17 55,87M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
SBSP3 Sabesp ON 33,65 -4,27 +25,55 22,94M
CSAN3 Cosan ON 20,93 -2,20 +86,21 35,62M
TRPL4 Trans Paulista PN 51,21 -1,86 +32,53 9,92M
RSID3 Rossi Resid ON 13,20 -1,49 +256,18 32,55M
VCPA3 VCP ON 26,95 -1,25 +36,79 31,94M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 Petrobras PN 38,40 +2,73 1,32B 646,37M 24.121
VALE5 Vale PNA 43,30 +1,55 608,29M 855,12M 17.039
VALE3 Vale ON 49,41 +1,31 183,95M 187,69M 3.440
BBDC4 Bradesco PN 36,40 +1,11 167,37M 169,76M 7.113
ITSA4 Itausa PN 11,33 +0,89 152,91M 109,77M 8.757

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)


Eventos econômicos

Lá fora, os indicadores da economia norte-americana contribuíram para o tom de indefinição dos mercados internacionais. A produção industrial norte-americana de outubro avançou apenas 0,1% em outubro, ao invés de 0,4% como era esperado, ofuscando o bom PPI (Producer Price Index), que cresceu menos que o esperado e amenizou temores de aperto monetário por vir.

O cenário norte-americano também dá destaque para os resultados corporativos remanescentes, que colocaram a empresa Home Depot nas manchetes após reportar queda em seu lucro líquido. As ações da empresa reagiram com forte retração ao balanço.

Por aqui, o IGP-10 marcou variação positiva nos preços de 0,07%, taxa 0,03 ponto percentual abaixo da apurada na medição anterior. Tendência inversa foi registrada pelo
IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) referente à segunda quadrissemana de novembro, que apontou aceleração da inflação de 0,03 ponto percentual ante à medição anterior.

Dólar volta a subir

Após duas sessões seguidas de queda, o dólar comercial reagiu bem ao clima de cautela instaurado nos mercados e fechou a terça-feira com valorização de 0,35%, cotado a R$ 1,717 na venda. A tendência ascendente da moeda chegou a perder força no final da manhã, mas nova intervenção do Banco Central contribuiu para solidificar a alta.

Voltando a realizar suas costumeiras operações no câmbio, a autoridade monetária comprou dólares no mercado à vista através de leilão. Segundo o Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), a operação teve início às 12h28 e terminou às 12h38 (horário de Brasília). A taxa aceita ficou em R$ 1,7137.

Durante o dia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a prometer novas medidas para estimular a competitividade das exportações brasileiras, severamente impactadas por conta da valorização do real frente às divisas internacionais.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa nesta terça-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,20%, queda de 0,06 pontos percentuais em relação à sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 138,05% de seu valor de face, alta de 1,20% em relação ao fechamento anterior.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 219 pontos-base, alta de 3 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais


Nos EUA, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, encerrou em leve alta de 0,29% e atinge 10.437 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite valorizou-se 0,27% a 2.203 pontos. Da mesma forma, a S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em leve alta de 0,09% atingindo 1.110 pontos.


Na Europa, o

índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou baixa de 0,88% e atingiu 3.829 pontos;
no mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres desvalorizou-se 0,68% chegando a 5.346 pontos
e o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, caiu 0,45% a 5.778 pontos.

Veja os indicadores previstos para a próxima quarta-feira

Em uma sessão sem índices relevantes no País, o foco dos investidores se volta para o cenário externo. Atenção para a divulgação do CPI (Consumer Price Index) e de seu núcleo, que mensuram os preços ao consumidor referentes ao mês de outubro.

Sairão os índices Housing Starts e Building Permits, que medem, respectivamente, o número de casas que começaram a ser construídas e quantas autorizações para a construção de imóveis foram concedidas no mês de outubro.