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Ibovespa fecha sessão em queda de 1,63%, mas tem terceira semana consecutiva de alta; dólar sobe 0,74%

Bancos sofreram por conta de caso Americanas e dados de crédito, enquanto companhias de commodities passaram por correção após sequência de altas

Vitor Azevedo

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O Ibovespa fechou em queda de 1,63% nesta sexta-feira (27), aos 112.316 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira teve performance pior do que seus pares americanos, impactado, principalmente, por ações de bancos e commodities, mas, mesmo assim, avançou 0,25% na semana.

“Os bancos ficaram do lado negativo do Ibovespa, ainda afetados pela crise envolvendo a Americanas (AMER3) e tendo também no radar os dados do mercado de crédito brasileiro em dezembro”, explica Victor Lima, analista de investimentos da Toro. “Esses números mostraram que o crescimento de crédito real desacelerou ainda mais, influenciado, principalmente, pelo segmento de crédito livre para pessoas físicas, com destaque também para o aumento da inadimplência nesta frente”.

De acordo com dados do Banco Central, o estoque de crédito livre avançou 1,3% no último mês de 2022. A taxa de inadimplência nas operações de crédito livre com os bancos se manteve em 4,2% entre novembro (revisado) e dezembro, informou o Banco Central. No fim de 2021, era de 3,1%.

Já no caso da Americanas, a incerteza voltou ao radar após alguns bancos apontados como credores falarem que as dívidas apontadas pela varejista “não batem”.

As ações preferenciais e ordinárias do Bradesco (BBDC4;BBDC3) caíram, respectivamente, 2,97 % e 2,07 %. As preferenciais do Itaú (ITUB4) amargaram baixa de 2,12%.

As ações de exportadoras também foram destaque negativo. As ordinárias da BRF (BRFS3) recuaram 5,24%, as da Vale (VALE3) 2,60% e as preferenciais da Gerdau (GGBR4), 2,21%. Essas companhias vêm em uma sequência de altas, impulsionadas pelo otimismo com a reabertura da China, e indicam um processo normal de correção.

“O Ibovespa foi na contramão do sentimento externo mais positivo, fechando em baixa, enquanto o dólar e DIs terminaram com alta. Não houve grandes desenvolvimentos locais, mas o mercado parece estar adotando uma postura mais defensiva com relação às falas de Lula sobre sua intenção de voltar a fazer uma gestão mais ativamente política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, debate Rafael Pacheco, economista da Guide Investimentos.

Em reunião com governadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o BNDES voltará a ser um banco de desenvolvimento, participando, por exemplo, de obras nos estados.

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) sentiram o peso do fator político, recuando 2,27% e 2,21% após Jean Paul Prates ser nomeado ao cargo de presidente.

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O dólar avançou 0,74% frente ao real, a R$ 5,111 na compra e a R$ 5,112 na venda, mas teve queda de 1,8% no acumulado da semana.

A curva de juros subiu em bloco nesta sexta, com os DIs para 2024 ganhando 6,5 pontos, a 13,57%, os para 2025, 10,5 pontos, a 12,85%, e os para 2027, 14 pontos, a 12,86%. Os contratos para 2029 foram a 13,08%, com mais 13,08%, e os para 2031, a 13,17%, com mais 10 pontos.

“Percepção de risco e propensão a investir ativos de renda variável sempre vão seguir em sentido contrário. Hoje houve uma combinação de preocupações que ampliaram a percepção de risco dos investidores, com perspectiva de piora nas condições fiscais do país e temor de ingerência política na Petrobras”, diz Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA BS.

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Com tudo isso, o Ibovespa foi no sentido contrário de Nova York – Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram, na sequência, 0,08%, 0,25% e 0,95%.

“Nos Estados Unidos, a queda nos gastos com consumo foi interpretada como prenúncio de enfraquecimento da atividade, enquanto o índice de preços de gastos trouxe números em linha com o esperado, mantendo aposta amplamente majoritária de que o Federal elevará os juros em 0,25 ponto percentual na próxima quarta-feira”, explica o especialista da BRA. “As bolsas em NY voltaram a subir no final da semana, com a perspectiva de que a alta menor dos juros nos EUA possa apoiar a recuperação dos ativos, mesmo com o foward guidance mais fraco das gigantes norte-americanas”, complementa Pacheco.

De acordo com especialistas, o núcleo da inflação PCE dos EUA, com alta de 0,3% em dezembro ante novembro e em linha com o esperado, já mostrou que o impacto de que a política de alta dos juros trouxe resultados – o que tira pressão das autoridades monetárias.