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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve baixa nesta quarta-feira (25) depois do rebaixamento da nota de risco da Petrobras pela Moody’s. O que indicava ser um pregão de forte queda, no entanto, não se concretizou e a tendência de alta do índice – movimento iniciado no final de janeiro – praticamente anulou o efeito negativo da decisão da agência reguladora perto do fim do pregão. Das 15h20 até o fechamento, o índice subiu 0,87%.
O benchmarck fechou a sessão em queda de 0,12%, a 51.811 pontos, com volume financeiro de R$ 8,826 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,2%, a R$ 2,8681 na venda. Já o dólar futuro subiu 1,43%, a R$ 2,873.
Segundo o analista da Guide Investimentos, Luís Gustavo Pereira, esse alívio nos minutos finais é natural, uma vez que, apesar de tudo o que aconteceu entre ontem e hoje, o Ibovespa segue em tendência de alta no curto prazo. “O rebaixamento já era esperado, o que acabou surpreendendo mais foi o tamanho dele e a manutenção de perspectiva negativa”, disse Luís Gustavo. Além disso, os mercados norte-americanos também sobem consistentemente na sessão, lembra o analista.
Já para João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos, a alta do dólar barateou muito o Ibovespa para o investidor estrangeiro, de modo que continua uma pressão compradora no índice apesar de notícias ruins no cenário doméstico.
Corte de rating
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,30, -4,52%; PETR4, R$ 9,38, -4,87%) caíam perto de 4%. Apesar disso, os papéis da companhia continuam subindo mais de 12% no mês. Segundo a Moody’s, os cortes de rating refletem uma preocupação crescente com as investigações de corrupção e pressões de liquidez que possam resultar em atrasos na entrega de demonstrações financeiras auditadas. A agência também acredita que a Petrobras terá de fazer uma significativa redução em seu alto endividamento nos próximos anos.
Na última sexta-feira, o JP Morgan já havia destacado que a Moody’s poderia ser a primeira agência a tirar o grau de investimento da Petrobras. Fitch e Standard & Poor’s colocam a estatal apenas um nível acima do patamar em que ela perderia o grau, sendo que a Fitch já colocou a companhia sob revisão negativa.
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Rumores são de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teria inclusive tentado dar uma carta de garantia do governo para evitar o rebaixamento da petroleira, sem sucesso. De acordo com um ex-executivo da Petrobras, a Moody’s pretendia tirar o grau de investimento da empresa desde o fim de janeiro, mas esperou um mês a pedido da estatal, que queria provar que conseguiria demonstrar estar trilhando o melhor caminho para solucionar suas restrições financeiras.
Os papéis do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,15, -2,11%), que possui maior exposição na dívida da petroleira foi o único dos grandes bancos que caiu nesta quarta. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,71, +0,25%) e Bradesco (BBDC3, R$ 37,78, +1,59%; BBDC4, R$ 37,99, +0,56%) passaram a maior parte da sessão em baixa, mas ganharam força perto do fim e subiram, ajudando a moderar as perdas do Ibovespa.
As ações da Vale (VALE3, R$ 22,16, +0,54%; VALE5, R$ 19,14, 0,00%) operaram instáveis antes da divulgação do balanço do quarto trimestre, esperado para amanhã antes da abertura da Bolsa. Contudo, elas tiveram alta repercutindo dados positivos no PMI da China.
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A principal questão que será vista no balanço é o impacto da queda do preço do minério de ferro nos números da empresa, que deve prejudicar bastante, sem muitas surpresas positivas para o resultado, disse a XP Investimentos. A empresa até mostrou boa produção nos metais básicos (lembrando que o Relatório de Produção da mineradora saiu dia 20/02, clique aqui para conferir), mas o preço do cobre também tem caído bastante e deve seguir esse movimento. “A gestão é boa, mas esse ano será difícil para a empresa, com pressão de caixa por conta da queda dos preços das commodities, contra um investimento muito forte que deve vir”, comentou a corretora.
As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano |
|---|---|---|---|---|
| PETR4 | PETROBRAS PN | 9,38 | -4,87 | -6,39 |
| PETR3 | PETROBRAS ON | 9,30 | -4,52 | -3,02 |
| POMO4 | MARCOPOLO PN ED N2 | 2,46 | -3,15 | -25,10 |
| DTEX3 | DURATEX ON | 7,71 | -3,02 | -3,18 |
| PDGR3 | PDG REALT ON | 0,46 | -2,13 | -46,51 |
As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:
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| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano |
|---|---|---|---|---|
| ESTC3 | ESTACIO PART ON | 22,50 | +5,39 | -5,54 |
| EVEN3 | EVEN ON | 4,50 | +4,17 | -17,28 |
| USIM5 | USIMINAS PNA | 4,06 | +4,10 | -19,60 |
| QUAL3 | QUALICORP ON | 25,39 | +3,21 | -8,67 |
| TBLE3 | TRACTEBEL ON | 32,50 | +3,17 | -3,93 |
As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:
| Código | Ativo | Cot R$ | Var % | Vol1 |
|---|---|---|---|---|
| PETR4 | PETROBRAS PN | 9,38 | -4,87 | 870,46M |
| ITUB4 | ITAUUNIBANCO PN | 36,71 | +0,25 | 300,91M |
| BBDC4 | BRADESCO PN | 37,99 | +0,56 | 299,58M |
| PETR3 | PETROBRAS ON | 9,30 | -4,52 | 292,89M |
| BBSE3 | BBSEGURIDADE ON ED | 33,00 | +1,01 | 216,43M |
| ESTC3 | ESTACIO PART ON | 22,50 | +5,39 | 176,47M |
| ABEV3 | AMBEV S/A ON | 18,30 | -1,29 | 175,74M |
| VALE5 | VALE PNA | 19,14 | 0,00 | 162,18M |
| BBAS3 | BRASIL ON ED | 23,15 | -2,11 | 158,95M |
| KROT3 | KROTON ON | 12,77 | +1,11 | 150,56M |
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
Cenário externo
Ao contrário do índice no Brasil, as bolsas nos Estados Unidos vêm um pregão de alta depois de novo discurso “dovish” (moderado) da presidente do Federal Reserve – o banco central norte-americano -, Janet Yellen no Congresso. Ontem, Yellen disse que os juros na maior economia do mundo não seriam elevados nas próximas reuniãos do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês).
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Outro driver de alta era a recuperação do petróleo, que depois de cair pela manhã, voltava a operar no azul e subia 2,6%, a US$ 50,56.
Já na Europa, o principal índice continental de ações fechou em queda de 0,1% nesta quarta-feira, com balanços corporativos mistos interrompendo o rali que impulsionou tanto o britânico FTSE 100 quanto o alemão DAX a novos recordes.
As bolsas asiáticas tiveram alta repercutindo as declarações da presidente do Federal Reserve – o banco central norte-americano -, Janet Yellen, de que as taxas de juros nos Estados Unidos não seriam elevadas nas próximas reuniões do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês). Os índices de Hong Kong e Seul subiram depois de sair do feriado do Ano Novo Lunar.
Já o índice Nikkei da Bolsa japonesa teve um leve recuo de 0,1%, a 18.585 pontos depois de uma sequência de cinco altas consecutivas que culminou no fechamento do último pregão em sua máxima em 15 anos. O movimento veio após sinais de flexibilização do Fed para começar a elevar as taxas de juros nos EUA levarem ao enfraquecimento do dólar frente ao iene e, consequentemente, à venda de ações de exportadoras no mercado acionário japonês.
Ainda no radar, a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) sobre a atividade industrial da China mostrou um avanço para a máxima de quatro meses em fevereiro, embora as encomendas para exportação tenham encolhido no ritmo mais rápido em 20 meses.
Além disso, também repercutia a notícia de que a China vai intensificar seu suporte de política fiscal para a economia. O anúncio veio do gabinete do país nesta quarta-feira após uma reunião semanal, conforme estende um desconto referente ao imposto sobre lucro de empresas para mais companhias.
(Com Reuters)