Bolsa

Ibovespa fecha no negativo pressionado por queda de 14% da Vale; dólar recua 1,5%

Mercado encontra deixa realização de lado em meio a uma virada brusca de petroleira e financeiras

SÃO PAULO – O Ibovespa voltou a cair nesta terça-feira (8) pressionado pela queda de quase 15% da Vale, enquanto os bancos fecharam em alta e aliviaram o movimento negativo do índice. A Bolsa abriu em queda, virou para alta e passou o dia oscilado entre -0,5% e +0,5%. Lá fora, houve uma redução maior que a esperada das exportações chinesas, o que pressionou as bolsas mundiais. Já por aqui, além das discussões sobre o rito de impeachment, as notícias da manhã deram conta de executivos da Odebrecht, da OAS e a esposa do publicitário João Santana, Mônica Moura, negociando delação premiada. 

O benchmark da Bolsa brasileira fechou com queda de 0,29%, a 49.102 pontos, enquanto o volume financeiro ficou em R$ 11,464 bilhões. Já o dólar comercial fechou em queda de 1,45% a R$ 3,7389 na venda, enquanto o dólar futuro para abril teve perdas de 0,83% a R$ 3,771. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 fechou com baixa de 7 pontos-base a 14,05%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 teve queda de 22 pontos-base a 14,67%. 

Segundo Cassiano Leme, gestor da Constância Asset, o que segura a alta da Bolsa hoje, um dia em que praticamente todos os mercados no exterior caem, é o cenário político. Entre as novidades que animam os investidores estão as possibilidades de delações premiadas de executivos ligados ao governo.

“Acho que as delações fazem parte, mas há um composto de muitas partes. A possibilidade de impeachment subiu bastante e, no nosso entendimento, para termos uma retomada econômica no Brasil a gente precisa de uma série de reformas que não parecem prováveis neste governo por motivos que vão desde à predisposição ideológica à incapacidade de articulação política”, explica.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,65, -2,62%; PETR4, R$ 7,47, +1,36%) fecharam entre perdas e ganhos. Os papéis acompanharam o dia volátil do petróleo, com o Brent caindo 2,18%, a US$ 39,95 o barril. Enquanto isso, os bancos ganharam força e fecharam no positivo, com Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,91, +2,24%), Bradesco (BBDC3, R$ 28,02, +1,26%; BBDC4, R$ 26,29, +0,50%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,25, +10,90%).

Já as ações da MRV (MRVE3, R$ 10,97, +3,10%) subiram após divulgação de balanço. A construtora teve lucro líquido de R$ 140 milhões no quarto trimestre, alta de 36% na comparação anual. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 174 milhões, 22% superior ao obtido um ano antes.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 BBAS3 BRASIL ON EJ20,25+10,90+38,21517,15M
 RUMO3 RUMO LOG ON3,38+9,39-45,839,86M
 SMLE3 SMILES ON37,99+8,33+9,1752,84M
 OIBR4 OI PN1,45+7,41-25,643,36M
 BBSE3 BBSEGURIDADEON29,55+5,20+25,64287,16M

As ações da Vale (VALE3, R$ 15,03, -14,51%; VALE5, R$ 11,24, -12,05%) caíram forte após dispararem quase 60% em 6 pregões, com os papéis preferenciais renovando máxima desde novembro de 2015. Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 5,30, -10,32%) – holding que detém participação na mineradora -, além das siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 4,82, -2,63%) e CSN (CSNA3, R$ 7,11, -13,61%).

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 VALE3 VALE ON15,03-14,51+15,35276,39M
 CSNA3 SID NACIONALON7,11-13,61+77,7574,54M
 VALE5 VALE PNA11,24-12,05+9,66733,75M
 BRAP4 BRADESPAR PN5,30-10,32+6,2122,86M
 FIBR3 FIBRIA ON32,76-8,87-36,87228,11M


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN7,47+1,361,02B443,17M97.495 
 VALE5 VALE PNA11,24-12,05733,75M364,94M80.571 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ26,29+0,50612,12M333,78M43.492 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED31,91+2,24562,69M499,61M42.086 
 BBAS3 BRASIL ON EJ20,25+10,90517,15M165,85M63.696 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON14,17+1,14476,16M198,60M36.870 
 ABEV3 AMBEV S/A ON19,05-0,63422,71M260,40M47.442 
 PETR3 PETROBRAS ON9,65-2,62347,77M153,22M49.208 
 ITSA4 ITAUSA PN ED8,29+3,50292,84M166,56M54.297 
 BBSE3 BBSEGURIDADEON29,55+5,20287,16M147,90M26.773 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Exportações chinesas
As bolsas mundiais e as commodities caem com queda maior que prevista das exportações chinesas. As exportações de fevereiro decepcionaram os analistas ao recuar 25,4% em relação ao ano anterior. A expectativa era de 12,5% de queda. Foi a maior queda desde maio de 2009. Já as importações caíram 13,8%, com estimativas de 10%. Economistas destacaram que isso pode não necessariamente indicar uma piora significativa nas condições econômicas devido à atividade fortemente reduzida durante o feriado no Ano Novo Lunar, que neste ano aconteceu no início de fevereiro. A China registrou superávit comercial de US$ 32,59 bilhões no mês, abaixo dos US$ 63,29 bilhões em janeiro.

Onda de delações
Os donos da OAS e da Odebrecht, inclusive o presidente desta última, Marcelo Odebrecht, negociam delação premiada simultânea, segundo o Globo. A mulher de João Santana, marqueteiro do PT, também negocia delação premiada. Além deles, a funcionária da Odebrecht responsável por contabilidade de supostas propinas também pode fazer delação, de acordo com a Folha de S. Paulo. O responsável por planilha da Odebrecht é outro que negocia delação.

STF começa a divulgar rito de impeachment
O Supremo Tribunal Federal começou na última segunda-feira a publicar o resultado do julgamento que definiu o rito do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O texto que traz o resumo da sessão na qual foi definida que a comissão especial só poderia ser formada por membros indicados por líderes de partidos, sem a formação de chapas avulsas, foi divulgado no Diário da Justiça Eletrônico. Para hoje, espera-se a publicação do complemento do acórdão com a íntegra dos votos revisados dos ministros. 

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Anúncio da Fazenda
O governo anunciou na segunda-feira, 7, medidas para incentivar investimentos em infraestrutura. As ações incluem mudanças para facilitar a emissão de debêntures de infraestrutura e a capitalização de um fundo garantidor de infraestrutura. “As medidas se justificam para dar mais dinamismo aos investimentos do País. São medidas de simplificação e facilitação de processos e melhoria de condições de financiamento”, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira. O governo editará decreto para autorizar a capitalização do Fundo Garantidor de Infraestrutura com imóveis da União, no valor de R$ 500 milhões. O fundo dá garantias adicionais a projetos de infraestrutura para riscos políticos ou de legislação, mas ainda não tem capital. A ideia é que os bancos que financiarem projetos de infraestrutura garantidos pelo fundo também auxiliem na capitalização, em mais R$ 500 milhões.

PIB da zona do euro
O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu mais do que originalmente estimado na comparação anual do quarto trimestre de 2015, segundo dados revisados da agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. Pela nova estimativa, a economia da região avançou 1,6% entre outubro e dezembro ante igual período do ano anterior, e não 1,5%, como havia sido calculado inicialmente. Em relação ao terceiro trimestre, a Eurostat confirmou que o PIB da zona do euro teve expansão de 0,3% no último trimestre do ano passado. Para todo o ano de 2015, o crescimento da economia do bloco foi também revisado para cima, de 1,5% para 1,6%. 

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