Ibovespa fecha em queda de 1,09% e atinge menor nível desde julho de 2010

Índice vai para 63.615 pontos, acompanhando o clima negativo em Wall Street e na Europa; imobiliárias caem forte no pregão

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SÃO PAULO – Após enfrentar um pregão marcado pela instabilidade, o Ibovespa encerrou esta quarta-feira (4) em queda de 1,09%, atingindo os 63.615 pontos – seu menor patamar desde 19 de julho de 2010. O giro financeiro do pregão ficou em R$ 6,75 bilhões. A agenda econômica dos EUA desanimou os investidores e trouxe pressão vendedora para as bolsas em Wall Street e também para a Europa, onde os principais índices fecharam com quedas de mais de 1%.

Por aqui, o clima também foi de cautela em relação à inflação. Em sua primeira conversa com jornalistas desde que assumiu o posto de secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland disse que pode-se esperar uma queda da inflação já neste mês. Ainda de acordo com o secretário, uma “onda” de acomodação da liquidez global, derivada da recuperação da economia dos EUA e alta dos juros na Europa, permitirá que o dólar volte a um patamar próximo de R$ 1,70 até o final do ano.

Também sobre inflação, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, garantiu que o Governo está tomando as medidas necessárias para fazer com que a inflação convirja para o centro da meta, que é de 4,5%. Porém, isso só deve ocorrer em 2012. Em entrevista à GloboNews, Tombini admitiu que a situação é complicada e que nos próximos meses a inflação anualizada deve superar o teto da meta, de 6,5%, no acumulado de 12 meses. De acordo com o estudo feito pela Febraban, em 2011 o IPCA deverá ter alta de 6,3%, acima das expectativas anteriores.

Destaques do Pregão
Diante do cenário de aumento de preços, as ações de imobiliárias foram os principais destaques de queda do Ibovespa nesta quarta-feira, com destaque para os papéis da MRV Engenharia (MRVE3), PDG Realty (PDGR3) e Rossi Residencial (RSID3), com fortes quedas de 4,84%, 4,21% e 3,76%, respectivamente.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRVE3 MRV ON 12,98 -4,84 -16,85 47,27M
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 15,20 -4,28 -24,00 393,12M
 PDGR3 PDG REALT ON ED 8,65 -4,21 -13,36 86,07M
 JBSS3 JBS ON 5,02 -4,20 -29,99 15,04M
 RSID3 ROSSI RESID ON ED 13,55 -3,76 -6,40 45,34M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET6 ELETROBRAS PNB 28,91 +2,16 +8,21 18,20M
 TMAR5 TELEMAR N L PNA ED 54,90 +2,14 +17,09 12,55M
 BRTO4 BRASIL TELEC PN ED 14,78 +2,07 +25,65 8,38M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 72,38 +1,97 +5,20 181,72M
 LAME4 LOJAS AMERIC PN EB 14,00 +1,97 -6,28 31,72M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 43,80 -1,77 736,86M 711,22M 21.596 
 PETR4 PETROBRAS PN ED 25,36 -0,35 614,06M 560,23M 20.908 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 15,20 -4,28 393,12M 464,45M 20.566 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 35,35 +0,14 346,06M 248,97M 14.871 
 VALE3 VALE ON 49,12 -1,86 287,30M 176,24M 12.398 
 BBAS3 BRASIL ON 27,58 -1,85 181,76M 145,41M 17.093 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 72,38 +1,97 181,72M 44,55M 5.603 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON ED 11,57 +1,05 175,34M 133,62M 10.247 
 GGBR4 GERDAU PN 17,72 -1,01 175,22M 188,52M 14.585 
 BBDC4 BRADESCO PN ED 30,22 +0,07 162,68M 139,80M 10.595 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Agenda interna
Nesta sessão o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPP (Índice de Preços os Produtor) – Indústria de Transformação – de março. O indicador recuou ao marcar variação de 0,39%, resultado 0,21 ponto percentual inferior àquele registrado em fevereiro (0,60%). 

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O IC-Br (Índice de Commodities) marcou cotação média de R$ 170,69 em sua medição de abril, considerando o índice composto, que por sua vez engloba uma cesta de commodities agropecuárias, metálicas e energéticas. Na passagem mensal, o IC-Br teve queda de 1,64%, pressionado principalmente pela baixa das commodities agropecuárias (-2,91% no mês).

Também divulgado pelo Banco Central, o fluxo cambial acumulado em abril foi positivo em US$ 1,541 bilhão, com o fluxo comercial marcando superávit de US$ 3,310 bilhões e o fluxo financeiro, déficit de US$ 1,769 bilhão.

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostrou ainda que em abril a cesta básica ficou mais barata em 14 das 17 capitais brasileiras analisadas.

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Referências dos EUA e Europa
Durante a manhã, o investidor recebeu o ADP Employment Report, mostrando que o número de postos de trabalho no setor privado dos EUA ficou abaixo do projetado pelo mercado. Esse resultado eleva a tensão quanto ao Payroll, que será divulgado na próxima sexta-feira. Somado a isso, o ISM Services, que mede o desempenho do setor de serviços na economia norte-americana, também mostrou um resultado fraco na passagem de março a abril.

No Velho Continente, o governo português anunciou acordo realizado com a União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional) quanto ao pacote de ajuda financeira, no valor de € 78 bilhões.

Dólar
Com forte alta de 1,01%, o dólar comercial conheceu nesta quarta-feira seu terceiro dia seguido de valorização, fechando cotado a R$ 1,605 na venda, maior patamar alcançado pela moeda desde 6 de abril, quando fechou a R$ 1,614. A trajetória positiva da divisa ganhou forças no final da manhã, após a divulgação de dados econômicos piores que o esperado nos EUA. As intervenções do Banco Central no mercado cambial também ajudaram a sustentar essa alta.

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A autoridade monetária brasileira continuou com seus leilões de compra de dólar, realizando duas intervenções no mercado cambial à vista. A primeira teve início às 12h01 (horário de Brasília) e término às 12h06, com taxa de corte aceita em R$ 1,6003. A segunda compra de dólares ocorreu entre 15h51 e 15h56, com taxa aceita em R$ 1,6055.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam sem trajetória definida e com oscilações modestas, revelando tendência de alta nas taxas de longo prazo. O contrato de juros de maior liquidez nesta quarta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,34%, 0,01 ponto percentual acima do fechamento de terça-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, teve leve variação positiva de 0,04% em relação ao fechamento anterior, a 135,55% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve variação positiva de dois pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 171 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em baixa de 0,69% e atingiu 1.347 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Dow Jones desvalorizou-se 0,66% a 12.724 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, caiu 0,47% a 2.828 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou baixa de 1,69% e atingiu 7.374 pontos; no mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres desvalorizou-se 1,62% chegando a 5.984 pontos e o CAC 40, da bolsa de Paris, caiu 1,31% a 4.043 pontos.

Confira os eventos previstos para quinta-feira
Na agenda da próxima sessão, os investidores ficarão de olho na divulgação do ICV (Índice de Custo de Vida) da cidade de São Paulo no mês de abril. O indicador é calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos).

No front externo, o grande destaque ficará por conta do Inital Claims, nos EUA, denotando o número de pedidos de auxílio-desemprego registrados na economia do país ao longo da última semana. Ainda por lá, o mercado repercutirá o nível de custos de produtividade da mão-de-obra norte-americana no primeiro trimestre deste ano.

No âmbito europeu, atenção para as reuniões de política monetária do BoE (Bank of England) e do BCE (Banco Central Europeu).