Bolsa

Ibovespa fecha em queda de 1,07% em meio à apreensão com China e paralisação da NYSE

Índice ameaçou zerar as perdas, mas voltou a cair e teve baixa de mais de 1%, em dia em que Grécia trouxe alívio, mas cenário chinês preocupou e pressionou os negócios; ata do Fomc, por outro lado, sinalizou que pode postergar a alta dos juros segue em queda de mais de 1% após abertura da NYSE

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SÃO PAULO – O Ibovespa experimentou nesta quarta-feira (8), véspera de feriado, fortes emoções, guiadas principalmente pelo cenário internacional. No início do dia, o índice ainda ficou reticente entre a preocupação com a bolsa da China e o ânimo com a Grécia, além das possíveis sinalizações do Banco Central. Já durante a tarde, quem guiou o mercado foi os EUA: a expectativa pela reabertura na NYSE roubou a cena até mesmo da ata do Fomc (Federal Open Market Committee). O índice fechou em queda de 1,07%, a 51.781 pontos. O volume de negociação foi de R$ 5,47 bilhões. Já o dólar  avançou pela quarta sessão consecutiva e fechou acima de 3,20 reais pela primeira vez em mais de três meses, a R$ 3,2338 na venda.

Nos EUA, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, caiu 1,66% a 2.046 pontos; o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, teve baixa de 1,47%, atingindo 17.516 pontos. Por outro lado, o Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, apresentou queda de 1,75% hoje, chegando a 4.909 pontos.

Em véspera de feriado para a bolsa brasileira, o noticiário foi bastante movimentado com China pressionando o Ibovespa desde a abertura da sessão. A paralisação de mais de 3 horas e 38 minutos na NYSE afetou o principal índice da Bolsa aumentando a tensão sobre o que pode ter ocorrido na bolsa americana. Por conta de uma falha nos sistemas (segundo as autoridades), as negociações com todas as ações na Bolsa de Nova York ficaram suspensas, mas voltaram. Contudo, nem todas as ações abriram para negociação. 

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Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, enquanto a China pressionava o mercado desde a abertura dos negócios, o caso da paralisação na NYSE começou a preocupar conforme houve demora para se resolver o problema. 

Outros fatores externos que pesam para os negócios nesta sessão foram a queda do preço do minério de ferro em 10% na China, atingindo o menor patamar desde 2009, e a forte baixa da bolsa de Xangai, que recuou 6% no pregão de hoje, apesar das medidas tomadas para conter a baixa das bolsas por lá. Além disso, no caso da Grécia, autoridades do BCE (Banco Central Europeu) decidiram manter estável o nível de assistência de liquidez de emergência para os bancos gregos. Fontes citadas pela Reuters disseram que este financiamento de emergência é de cerca de 89 bilhões de euros, ou US$ 98,5 bilhões.

O destaque ficou ainda para a ata do Fomc (Federal Open Market Committee). Apenas um dos 10 diretores do Federal Reserve se mostrou favorável a uma elevação de juros no mês passado, mostrou a ata do encontro realizado em junho. O documento revelou uma grande preocupação dos integrantes do grupo não só com a economia americana, mas também com o cenário na Grécia e na China – mesmo com a reunião acontecendo antes da vitória do “não” em plebiscito pelos helenos e das novas especulações de estouro de bolha no gigante asiático -, o que aumenta as chances de que a elevação dos juros pode ficar para o fim do ano ou 2016.

Ainda de acordo com as minutas do Fomc, a percepção é de que faltam mais evidências de que o crescimento econômico foi suficientemente forte e o mercado de trabalho firmou condições suficientes para o reaquecimento da economia. A esperada retomada dos indicadores inflacionários poderá demorar mais a ocorrer e funcionar como fator impedidor da elevação dos juros na maior economia do mundo.

Já o noticiário nacional seguiu bastante movimentado: uma notícia é a indicação de que o ciclo de alta de juros está perto do fim, conforme noticiado pelo jornal Valor Econômico, e que a próxima reunião do BC deve contar com uma alta de 0,25 ponto percentual, abaixo do 0,5 ponto percentual estimado pelo mercado. Divulgado hoje, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) amplia essa visão.

Destaques de ações
As ações da Petrobras  (PETR3, R$ 12,98, -1,37%PETR4, R$ 11,55, -1,95%) tiveram um início de dia volátil, mas firmaram perdas, enquanto a Vale (VALE3, R$ 17,16, -4,29%; VALE5, R$ 14,54, -4,03%) fechou em queda forte. Bradespar (BRAP4), que possui participação na Vale, registrou queda de 4,3%. O minério de ferro desabou 10% para US$ 44,59 a tonelada, segundo cotação do porto de Qingdao, na China. Esse é o menor patamar atingido pela commodity desde 2009. CSN (CSNA3, R$ 4,65, -5,10%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,86, -2,28%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,03, -3,36%) também registram baixa.

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Já a Petrobras estava seguindo a volatilidade do preço do brent, que registrava alta em meio ao adiamento do acordo nuclear com o Irã, mas voltou a cair com os estoques de petróleo acima do esperado nos EUA. Porém, no final da sessão, o brent voltou a registrar ganhos, de 0,83%, 

Além disso, o Valor informou que oito empresas foram convidadas para conhecer a Gaspetro, companhia que reúne os ativos de distribuição de gás da Petrobras, mas a disputa deve ficar mesmo entre a japonesa Mitsui e a chinesa Beijing Gas. Vale monitorar também a proposta de desobrigar a Petrobras de ser a operadora única e ter participação mínima de 30% dos consórcios de exploração no pré-sal. Na avaliação de parlamentares favoráveis à mudança, a estatal não tem mais condições de arcar com os bilionários investimentos na extração do óleo em águas profundas.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 CSNA3 SID NACIONAL ON4,65-5,10-10,0226,15M
 VALE3 VALE ON17,16-4,29-19,08144,36M
 VALE5 VALE PNA14,54-4,03-21,41523,98M
 TIMP3 TIM PART S/A ON9,86-3,80-14,87122,92M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN66,80-3,62-31,64131,88M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 GFSA3 GAFISA ON2,44+7,49+10,9110,80M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON7,48+2,75-26,1912,36M
 EMBR3 EMBRAER ON23,99+2,48-1,4276,79M
 BRKM5 BRASKEM PNA13,14+2,34-20,9417,46M
 POMO4 MARCOPOLO PN N22,30+2,22-28,546,63M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

 

 

 

 

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Europa e Ásia
O Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês), o fundo de resgate da zona do euro, recebeu da Grécia um pedido para um novo programa de ajuda, informou hoje o porta-voz do ESM, que tem sede em Luxemburgo, o que animou os mercados por lá. 

Além disso, a China no radar em meio a forte queda da bolsa de Xangai, que tem levado o governo chinês a adotar uma série de medidas para evitar o aprofundamento das perdas, como redução dos juros, dos depósitos compulsórios e injeção de liquidez.

Ainda que os impactos sobre a atividade do movimento recente seja reduzido, em função do descolamento da bolsa dos fundamentos macroeconômicos (o PIB já está muito mais fraco que o sugerido pela bolsa), o seu prolongamento pressiona o governo a adotar mais medidas de estímulo diante da desaceleração da economia, destaca o banco Bradesco em relatório. 

IPCA
No noticiário econômico nacional, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,79% em junho, frente à alta de 0,74% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (8). O resultado ficou abaixo do esperado pelo mercado. 

Com isso, no acumulado de 12 meses, o IPCA teve alta de 8,89%, bem acima do teto da meta do governo de 6,5%. O resultado do mês passado mostrou avanço de 8,47% em 12 meses, chegando ao mais elevado índice acumulado em 12 meses desde dezembro de 2003 (9,30%). Em junho de 2014 o IPCA havia registrado taxa de 0,40%. Desta forma, os juros futuros registram queda – também refletindo a expectativa de que o fim do ciclo de alta de juros.