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Ibovespa fecha em queda de 0,9%, mas tem leve alta na semana e indefinição continua

Bolsa brasileira fica pela terceira semana seguida presa à banda de maio, apesar de fortes altas e quedas pontuais; resolução na Grécia ficou para a segunda-feira

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta sexta (19) refletindo o cenário doméstico, mas continuou em terreno positivo na semana. Com Grécia, veto a fator previdenciário e reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee), foram cinco dias agitados, mas que não foram capazes de tirar o índice do marasmo no médio prazo. 

O benchmark da Bolsa brasileira fechou em queda de 0,90%, a 53.749 pontos. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 5,685 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,42%, a R$ 3,1004 na compra e a R$ 3,1021 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subiu 9 pontos-base, a 14,06%, ao passo que o DI para janeiro de 2020 subiu subiu 11 pontos-base, a 12,90%. Na semana o desempenho do Ibovespa ficou positivo em 0,75%, enquanto o câmbio caiu 0,51%Nos Estados Unidos, as bolsas caíram com as dificuldades em negociações da Grécia ainda no radar apesar de uma perspectiva de que o contágio talvez não seja tão forte como o imaginado. Os índices europeus subiram. 

Hoje, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou alta maior do que a esperada em junho ao mesmo tempo em que o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou 0,84% em abril, uma queda de 3,13% na comparação anual. Além disso, executivos da Odebrecht foram presos na Operação Lava Jato pela manhã e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mostrou preocupação com possível rebaixamento de rating do Brasil. 

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A inflação avançou 0,99% em junho, acumulando alta de 8,8% em 12 meses, foi a maior para meses de junho desde 1996. Já o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), atingiu o nível mais baixo desde maio de 2012. 

Para João Pedro Bugger, analista da Leme Investimentos, o temor em relação à Grécia ainda traz volatilidade, principalmente para os mercados emergentes. Além disso, os dados econômicos preocupam, porque com o avanço bem acima do esperado da inflação o Banco Central deve elevar ainda mais as taxas de juros, o que pode trazer uma migração dos ativos de risco para a renda fixa. 

Preocupação com rating e Grécia
A piora na economia se juntou à notícia de que o governo já se prepara para reduzir a meta de superávit primário deste ano devido à dificuldade de manter as receitas do governo. Em relatório, a equipe de análise da XP Investimentos lembra que Levy segue em conversas com as agências de rating e o Congresso para mudar a meta de superávit após a forte queda das receitas da União, Estados e Municípios e a retração econômica acumulada no ano. O ministro tenta evitar que qualquer mudança afete a nota de grau de investimento brasileira. A agência de rating Standard & Poor’s precisaria de apenas um movimento para retirar a nota. A Moody’s estudará a nota em julho.

Enquanto o Ministro se desdobra, a votação do projeto de lei das desonerações, um dos principais pontos do ajuste fiscal, foi adiado para a próxima semana, mas já é dito que com as festas de São João existe um risco de novo adiamento por falta de quórum.

Na Grécia, investidores continuam preocupados antes da reunião dos ministros das Finanças da zona do euro vão realizar em Bruxelas na segunda-feira às 10h (horário de Brasília) para preparar a cúpula de líderes da região que começa às 14h, afirmou o presidente do grupo, Jeroen Dijsselbloem. Os gregos têm apenas duas semanas antes do vencimento de 1,6 bilhões de euros em dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e estão com falta de dinheiro em caixa. Sem um acordo, não haverá como evitar um default e a saída da eurozona. 

Semana ainda não entregou solução
Eram dois os eventos que todos aguardavam para esta semana. A decisão do Fomc (Federal Open Market Comittee) e uma definição para a Grécia. O cenário doméstico também não traz alívio com fim do fator previdenciário em aberto. 

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No caso do Fomc, os membros do comitê mostraram que vêem a sua taxa de referência subindo para 1,625% até o final de 2016, abaixo dos 1,875% de sua previsão de março. O BC dos EUA têm mais quatro reuniões esse ano, mas a maior parte dos analistas assume que o Fed não deve começar a elevar as taxas de juros em julho, o que “coloca na mesa” as reuniões de setembro, outubro e dezembro para a elevação das taxas. 

Segundo o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, há dois pontos importantes a se destacar do comunicado do Fomc: o primeiro que ele confirmou que a fraqueza na economia no primeiro trimestre foi passageira e o segundo, que os juros terão um ritmo mais lento de subida. “Na última reunião de março, a média dos membros do comitê esperavam 0,75% ao ano no fim de 2015, agora está em 0,57%”, explica. 

Já com a Grécia, não se chegou a um acordo e, pior, os inflexíveis Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis fincaram o pé sobre a questão da redução das aposentadorias para obter um acordo com os seus credores internacionais. Pouca esperança resta para a reunião extraordinária da segunda-feira que vem, mais uma para definir o futuro do país. 

Espremido entre esses dois macroindicadores, o Ibovespa fechou a semana em leve alta, de apenas 0,25%. Desde o fim de maio, o índice só anda de lado, sem uma direção definida. A fraqueza da economia brasileira, mostrada com os dados desta sexta, só corroboraram este cenário de incerteza.

Por sinal, o outro macrodriver da semana foi o veto da presidente Dilma Rousseff (PT) às mudanças no fator previdenciário, que alteram a regra de aposentadoria da soma de idade com anos de trabalho de 85 para mulheres e 95 para homens. O Planalto em lugar desta regra entregou ao Congresso uma proposta alternativa em que há uma progressão de acordo com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, levando a soma a 90/100 no futuro. Segundo o ministro da Previdência, Carlos Gabbas, isso geraria uma economia de R$ 50 bilhões aos cofres da Previdência em relação à proposta inicial. 

Semana de Grécia e economia aqui
Na semana que vem os grandes drivers serão a reunião dos ministros das Finanças da zona do euro, que pode colocar um ponto final na “tragédia grega” tanto para o bem como para o mal. Semana também trará a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) aqui no Brasil. O indicador deve mostrar um novo aumento no desemprego, grande plataforma de sustentação do governo. 

Ações em destaque hoje
Quem puxou a queda nesta sexta são os bancos, que são prejudicados devido à exposição a empresas da Lava Jato e também recuam por estarem mais expostos a condições econômicas adversas como as mostradas pelos indicadores divulgados no início do dia. Sofrem desvalorização as ações de Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,39, -1,12%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,30, -1,73%BBDC4, R$ 28,20, -1,95%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,90, -1,63%). 

Já as ações da Vale (VALE3, R$ 20,32, -0,39%VALE5, R$ 17,41, +0,12%) fecharam entre perdas e ganhos com a queda de 0,66% do minério de ferro hoje. A commodity está cotada a US$ 61,36 no porto de Qingdao. 

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BRKM5 BRASKEM PNA12,40-10,40-25,39
 ESTC3 ESTACIO PART ON19,95-3,58-14,76
 CMIG4 CEMIG PN13,08-2,68+2,73
 CPLE6 COPEL PNB33,47-2,56-4,26
 DTEX3 DURATEX ON7,59-2,44-4,69

A Petrobras (PETR3, R$ 14,51, -1,96%PETR4, R$ 13,17, -2,01%) voltou a cair refletindo a Lava Jato e notícia de que o reajuste dos combustíveis ficará mais difícil por conta da crise econômica brasileira, que reduz o consumo. A Polícia Federal (PF) cumpre desde a madrugada desta sexta-feira (19) a 14ª fase da Operação Lava Jato, com o cumprimento de  59 mandados judiciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo e o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, além de outros executivos, foram presos, de acordo com informações de diversos jornais. Esta nova fase foi batizada de Erga Omnes, como recado de que “a lei vale para ‘todos'”. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 OIBR4OI PN6,48+5,02-24,74
 SUZB5SUZANO PAPEL PNA16,28+3,50+45,96
 KLBN11KLABIN S/A UNT N218,75+3,19+29,34
 CYRE3CYRELA REALT ON10,00+2,88-6,47
 MRFG3MARFRIG ON4,83+2,77-20,82

Do lado positivo ficaram os papéis da Cyrela (CYRE3, R$ 10,00, +2,88%que aprovou programa de recompra de até 20 milhões de ações, equivalentes a 7,61% do total das ações ordinárias da companhia, pelo prazo máximo de um ano, iniciando-se em 19 de junho. O objetivo do programa é adquirir as ações para manutenção em tesouraria e posterior cancelamento ou alienação, com vistas à aplicação eficiente de recursos disponíveis para investimentos, com o fim de maximizar valor para os acionistas, disse a empresa, em comunicado ao mercado.

O desempenho também não foi negativo para os papéis de exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 42,83, +2,34%) e Suzano (SUZB5, R$ 16,28, +3,50%), que são beneficiadas pela alta do dólar uma vez que possuem suas receitas na moeda norte-americana. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4ITAUUNIBANCO PN34,39-1,12509,41M
 PETR4PETROBRAS PN13,17-2,01458,65M
 VALE5VALE PNA17,41+0,12283,63M
 BBDC4BRADESCO PN28,20-1,95275,56M
 PETR3PETROBRAS ON14,51-1,96258,90M
 ABEV3AMBEV S/A ON18,90+0,53219,89M
 CCRO3CCR SA ON14,90+0,95168,90M
 BRFS3BRF SA ON67,86+0,24158,75M
 ITSA4ITAUSA PN8,92-1,65148,28M
 BBAS3BRASIL ON EJ23,12-0,69115,15M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Maiores altas da semana
Nos últimos cinco dias quem mais subiu foi o frigorífico Marfrig Global Foods (MRFG3), que teve uma alta de 18,09%, a R$ 4,83. No radar da empresa está uma provável abertura do mercado norte-americano às carnes brasileiras e uma outra abertura, ainda mais promissora: o IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) da sua subsidiária europeia, Moy Park. Segundo o BTG Pactual, a oferta poderia reduzir o endividamento da empresa da ordem atual de 6,1 vezes no múltiplo dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 4,8 vezes. 

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Também no Top 5 ficaram TIM (TIMP3), que subiu 8,65%, a R$ 10,42 depois de notícia de que a Vivendi, maior investidora da Telecom Italia, apoia a ideia de que o grupo venda da Tim Participações. Energias do Brasil (ENBR3) também subiu forte (+8,19%, a R$ 11,36) com perspectiva de aumento das tarifas de energia pelo governo diante do risco de racionamento. Dentro do setor de telefonia, a Oi (OIBR4) também subiu (+4,35%, a R$ 6,48) com perspectivas de consolidação do setor. Hypermarcas (HYPE3, R$ 22,92, +4,66%) também subiu forte na semana com notícia de que há três empresas interessadas na sua divisão de fraldas. 

Maiores quedas semanais
Quem mais caiu na semana foi a Braskem (BRKM5), com 11,99% de desvalorização, a R$ 12,40 A maior parte da queda foi hoje 10,40%, com uma onda de notícias negativas. No começo do dia, saiu a informação de que a Polícia Federal prendeu o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, maior acionista da petroquímica. A empresa faz parte da lista de 23 companhias que tiveram bloqueio cautelar imposto pela Petrobras no fim de 2014.

Mais tarde, mais uma notícia negativa que fez os papéis acentuarem as perdas. O juiz Sérgio Moro afirmou frase de Paulo Roberto Costa em documento, que teria dito que a propina da Odebrecht foi de contrato com a Braskem. E depois, para completar, sai a informação de que a sede da Braskem em São Paulo, na rua Lemos de Monteiro, no Butantã, também foi alvo de mandado judicial cumprido na manhã desta sexta-feira pela Operação Lava Jato. No local, os agentes apreenderam registros contábeis, ordens de pagamento, HDs, laptops, desktops, pen drives e arquivos eletrônicos.  

As ações das siderúrgicas também registraram baixa na semana, caso de CSN (CSNA3, R$ 5,72, -6,69%) e Metalúrgica Gerdau (GGBR4, R$ 7,04, -6,75%). Além da queda do preço do minério de ferro, destaque ainda para as notícias negativas para o setor. Segundo informações do jornal Valor Econômico, em meio a uma crise profunda, a maior desde 2009, o setor de siderurgia já computa 11,2 mil demissões de funcionários desde junho de 2014, enquanto 1,4 mil trabalhadores entraram em regime de layoff (suspensão temporária dos contratos de trabalho). 

Além destes destaques, Sabesp (SBSP3, R$ 16,06, -7,81%) sofreu com notícia que seu plano de contingência considera o fim do Sistema Cantareira. Já Qualicorp (QUAL3, R$ 19,75, -6,18%) caiu forte nos últimos dias, mantendo a trajetória de baixa desde que o presidente da companhia foi citado em notícia de escândalo de corrupção. Apesar das negativas e da retirada da matéria do ar, alguns investidores se mantiveram com um pé atrás com a empresa.