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Ibovespa fecha em queda de 0,86% com cautela antes de decisão de juros no Brasil e nos EUA

Enquanto isso, as ações da Gol desabaram novamente em seu pregão de despedida do índice

Equipe InfoMoney

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O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, com o mercado adotando uma postura cautelosa às vésperas das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto as ações da Gol (GOLL4) desabaram novamente, no último pregão da companhia aérea antes de ser retirada do índice pela B3.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,86%, a 127.401,81 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo oscilado entre a mínima de 127.104,69 pontos e a máxima de 128.492,38 pontos durante a sessão.

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou estável (0%), a R$ 4,945 na compra e na venda. A divisa chegou a sustentar ganhos firmes ante o real na tarde desta terça-feira, com as cotações reagindo a números ainda fortes do mercado de trabalho norte-americano, mas a moeda encerrou a sessão muito praticamente na estabilidade, com investidores à espera da “superquarta”.

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Nesta terça-feira, o Ibovespa contou com apoio de poucos papéis entre as blue chips, em especial Santander (Unit +1,00%) – o banco abre a temporada de balanços trimestrais no Brasil, nesta semana. Petrobras, que sustentava leves ganhos mais cedo em dia positivo para o Brent e o WTI, perdeu força e fechou em baixa de 0,45% (ON) e 0,62% (PN).

Na ponta do índice, destaque para Suzano (+2,56%), Carrefour (+2,51%) e Embraer (+2,46%). No lado oposto, mais uma vez Gol (-26,97%), que se despede hoje da carteira teórica do Ibovespa, após queda livre da ação desde que a empresa entrou em recuperação pelo Chapter 11, na Justiça dos Estados Unidos. Destaque também para Casas Bahia (-8,32%) e Braskem (-5,64%) na ponta perdedora.

“Em véspera de decisão sobre juros do Federal Reserve, nos EUA, e do Copom, no Brasil, o dia foi de espera na Bolsa – que segue em realização de lucros, muito por conta da questão fiscal, com o rombo nas contas públicas no ano passado de R$ 230,5 bilhões deixando o mercado ainda um pouco desconfortável”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. “Foi um dia sem grandes novidades e destaques, aguardando definição mais clara sobre o início dos cortes de juros nos EUA para que o volume possa voltar”, acrescenta.

A ação de maior peso no Ibovespa, Vale ON, manteve o sinal negativo nesta terça-feira (-0,56%), chegando ao fim do mês com perda acumulada de 10,91%. O Bank of America (BofA) avalia que a Vale reportou, ontem à noite, números de produção de minério de ferro “fortes” no quarto trimestre de 2023. Com base no relatório divulgado pela companhia, o banco reitera que a empresa deve apresentar Ebitda de cerca de US$ 6,5 bilhões no balanço do último trimestre do ano passado.

Para outro grande banco americano, o Goldman Sachs, os números vieram essencialmente em linha com o esperado – o que embasaria a reação neutra do mercado aos dados de produção e vendas do trimestre.

Apesar de o relatório da Vale em geral ter vindo dentro das expectativas, a ação acabou refletindo também o minério de ferro, que fechou esta terça-feira em baixa de 1,76% em Dalian. Prevalecem ainda preocupações sobre a demanda pelo insumo em meio à crise imobiliária na China, após a liquidação da antiga gigante do setor, Evergrande, pela Justiça de Hong Kong na abertura da semana.

O sócio-fundador da Verde Asset Management, Luis Stuhlberger, avalia que a China não passará por quebra abrupta equivalente à crise gerada pelo colapso do Lehman Brothers em 2008, nos EUA. Ele estima que as taxas de crescimento chinesas serão cada vez menores, em queda lenta e gradual, e que o país asiático exportará deflação para o mundo todo. “A China vai se convencer de que o menor dos males é desvalorizar a própria moeda”, disse Stuhlberger em evento do UBS nesta terça-feira.

Na B3, “além das questões sobre sucessão na mineradora, China é naturalmente o nome do jogo para Vale, que está com valuation atrativo – mas sofre com a incerteza, a falta de clareza sobre o ritmo da economia chinesa, o que dificulta a volta ao papel nesse momento”, diz Naio Ino, gestor de renda variável na Western Asset.

Em outro desdobramento recente relacionado à mineradora, o ministro dos Transportes, Renan Filho, disse hoje que a cobrança de R$ 25,7 bilhões da Vale pelo governo federal não tem relação com a tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de emplacar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega no comando da mineradora.

Olhando o Ibovespa como um todo e o quadro macroeconômico, Naio Ino, da Western Asset, destaca que, amanhã, os sinais do Federal Reserve sobre a orientação da política monetária serão fundamentais para eventual ajuste da curva de juros dos Estados Unidos, o que teria efeito global – lembrando que o cenário de corte de juros do Fed, na reunião de março, passou de 70%, no início do ano, para fatia minoritária das apostas, agora na casa de 40%, com a curva futura nos EUA tendo deslocado para maio a expectativa pela redução inicial, na visão do mercado.

“No quadro mais amplo, esta é a questão essencial. Houve uma correção neste início de ano em relação ao otimismo do fim de 2023, e o gringo, que então comprava ação na B3, passou a vender, resultando nesse fluxo de saída em janeiro”, diz Naio, acrescentando que, em dólar, a depreciação da Bolsa brasileira está em torno de 6,5% no mês, com o estrangeiro aproveitando para embolsar parte do dinheiro obtido em um mercado ‘outperformer entre os emergentes no ano passado.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)