Fechamento

Ibovespa fecha em leve queda puxado por Vale e preocupações com o pacote econômico do governo; dólar cai a R$ 5,52

Mercado termina o dia com desempenho negativo pressionado por commodities e política

Painel de cotações (Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (25) puxado pelas ações da Vale, que recuaram 2,13% pressionadas pela queda na cotação do minério de ferro em Dalian, na China.

No radar macroeconômico, os investidores seguiram preocupados com as informações de divergências entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre os valores dos benefícios contidos no megapacote apelidado de “Big Bang”.

Lá fora, os índices S&P 500 e Nasdaq fecharam com leves altas, enquanto o Dow Jones caiu 0,21%. Ontem, o S&P 500 bateu máxima histórica por conta de novos tratamentos contra o coronavírus e da retração no número de novos casos da doença nos Estados Unidos.

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O otimismo lá fora ocorreu porque os EUA sinalizaram a retomada do diálogo com a China sobre o acordo comercial. Os chineses informaram que ocorreu uma conversa “construtiva” entre os governos, enquanto os EUA disseram que ambos os lados veem progressos e estão comprometidos com o sucesso de um acordo.

Hoje, o Ibovespa caiu 0,18%, aos 102.117 pontos com volume financeiro negociado de R$ 23,4 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 1,19% a R$ 5,5266 na compra e a R$ 5,5274 na venda. O dólar futuro para setembro tinha queda de 1,65%, a R$ 5,520 no after-market.

O real voltou a se valorizar contra o dólar devido aos dados melhores que os esperados nas contas externas brasileiras. O superávit em transações correntes, que são as vendas e compras de mercadorias e serviços, além de transferências de rendas, chegou a US$ 1,628 bilhão. Foi o primeiro saldo positivo em julho desde 2006.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu três pontos-base a 2,74%, o DI para janeiro de 2023 recuou dois pontos-base a 3,92%, o DI para janeiro de 2025 teve variação negativa de três pontos-base a 5,75% e o DI para janeiro de 2027 se desvalorizou em três pontos-base a 6,76%.

Hoje, no Brasil, a expectativa de que seria anunciado um megapacote de medidas sociais e econômicas foi frustrada pelo governo. Com falta de consenso sobre o valor do Renda Brasil, o governo decidiu adiar o “Big Bang Day”.

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O único anúncio desta terça é do Casa Verde-Amarela, que é uma reformulação do Minha Casa, Minha Vida. O mercado continuará na expectativa das outras medidas do pacote, que tem como objetivo recuperar a economia e abrir caminho para as eleições de 2022.

Entre os indicadores econômicos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – Base 15 (IPCA-15) subiu 0,23%% em agosto, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado veio em linha com a expectativa mediana dos economistas compilada pela Bloomberg.

Mais cedo, a Alemanha divulgou dados detalhados sobre sua economia no segundo trimestre, com retração de 9,7%.

Big Bang esvaziado

As demais medidas aguardadas pelo mercado estão suspensas até o momento e devem ser adiadas em alguns dias. O plano prevê, além do Renda Brasil, tirar “amarras” do Orçamento e um Pró-Brasil enxuto em recursos públicos, mais focado em marcos regulatórios para atrair a iniciativa privada.

O presidente Jair Bolsonaro optou pelo adiamento do pacote por avaliar que o valor médio de R$ 247 mensais proposto pela equipe econômica para os beneficiários do programa Renda Brasil seria insuficiente. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, a quantia é um dos vários aspectos que serão reavaliados a pedido do presidente.

O presidente teria pedido para a equipe econômica chegar a um valor a partir de R$ 300, mas o ministro Paulo Guedes resiste.

Além disso, segundo o jornal O Globo, Bolsonaro teria considerado o Renda Brasil muito complexo e difícil de ser entendido pelo seu público-alvo e pediu a Guedes para refazer as bases do programa.

A opção por fatiar os anúncios também permite maior visibilidade às medidas, enquanto Bolsonaro mira as próximas eleições presidenciais.

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Também havia divergências em relação às obras contempladas pela carteira de investimentos que será anunciada. A criação de um novo imposto, nos moldes da antiga CPMF, é outro ponto que sofre muita resistência na Câmara.

Radar corporativo

No noticiário corporativo, está prevista para hoje a divulgação dos resultados trimestrais da Qualicorp, após o fechamento do mercado.

Na noite de ontem, a empresa de logística Rumo divulgou detalhes sobre a precificação da sua oferta de ações. Segundo a empresa, o preço foi definido em R$ 21,75 por ação no seu follow on. Com isso, a operação soma R$ 6,4 bilhões, com 294,2 milhões de ações.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
LREN34.2867343.79
RAIL33.4805923.19
HGTX33.1700317.9
ELET63.1099238.46
HYPE33.03533.27

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
BRKM5-3.512423.35
CIEL3-3.379724.86
JBSS3-3.0179423.78
AZUL4-2.7470121.95
BPAC11-2.7461381.1

A Eneva informou que fará uma emissão de debêntures no montante de R$ 835 milhões, enquanto a Ser Educacional e a Marisa divulgaram seus resultados trimestrais. A Marisa teve alta de 507% do prejuízo, passando de R$ 28,3 milhões no segundo trimestre de 2019 para R$ 171,7 milhões entre abril e junho deste ano. Já o lucro da Ser Educacional caiu 7,3%, a R$ 54,7 milhões.

A Petrobras iniciou o processo de venda de suas participações em um conjunto de 26 concessões de campos de produção terrestres e de águas rasas, localizadas na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.

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