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Ibovespa fecha em alta de 2,7%, mas aversão a risco quebra série de 7 ganhos mensais

Em meio à guerra, no mês, índice acumulou perda de 0,70%, mas ainda assegurou alta de 16,35% no primeiro trimestre

Reuters

Ativos mencionados na matéria

B3  Bovespa  Bolsa de Valores de São Paulo  (Germano Lüders/InfoMoney)
B3 Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo (Germano Lüders/InfoMoney)

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O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta terça-feira, superando os 187 mil pontos, mas ainda assim registrou o primeiro mês negativo desde meados do ano passado, contaminado pela aversão a risco global com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que ultrapassa quatro semanas.

A performance positiva no pregão paulista no dia apoiou-se em noticiário sobre possível alívio no conflito no Oriente Médio, enquanto a cena corporativa brasileira destacou acordo para a Advent comprar participação na Natura, o que fez a ação da fabricante de cosméticos disparar.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,71%, a 187.461,84 pontos, tendo marcado 187.507,77 na máxima e 182.515,40 na mínima do dia. No mês, acumulou perda de 0,70% após sete meses seguidos com sinal positivo, mas ainda assegurou alta de 16,35% no primeiro trimestre.

O volume financeiro no pregão desta terça-feira somava R$37,9 bilhões.

No exterior, Wall Street também fechou com sinal positivo, com agentes financeiros ponderando reportagem do Wall Street Journal, de que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse a assessores estar disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz ficasse praticamente fechado.

Também repercutiram reportagens, incluindo da Bloomberg, de que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o país estava pronto para encerrar a guerra, mas quer garantias.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, esses sinais de potencial arrefecimento no conflito animaram a bolsa, embora ainda exista muita cautela em relação ao cenário geopolítico.

A sessão também foi marcada por novo ataque a um petroleiro no Oriente Médio e alerta do secretário de Defesa dos EUA sobre dias decisivos no conflito, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã também disse que atingirá empresas dos EUA na região a partir de 1º de abril, em retaliação a ataques contra o Irã.

O S&P 500 .SPX, uma das referências do mercado acionário norte-americano, avançou 2,91%, mas o barril do petróleo sob o contrato Brent LCOc1 para maio também subiu — US$5,57, a US$118,35. Já o barril para junho LCOc2 caiu US$3,42, para US$103,97.

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“A guerra entre EUA, Israel e Irã transformou o conflito no Golfo em variável central do cenário global”, afirmaram economistas do Bradesco em relatório a clientes, acrescentando que o conflito continua sendo fonte importante de incerteza e que as próximas semanas serão decisivas.

“Os principais riscos para o cenário global são assimétricos: petróleo mais caro, mais pressão inflacionária e crescimento mais fraco”, destacaram Fernando Honorato e equipe.

Apesar da queda do Ibovespa e do clima de incertezas no mundo com a guerra, a bolsa paulista registrava saldo positivo de capital externo em março até o último dia 26 de quase R$7,9 bilhões, totalizando uma entrada líquida de estrangeiros R$49,6 bilhões no mercado secundário de ações brasileiro em 2026.

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“Já vínhamos com uma visão construtiva para o Brasil no início deste ano e ao longo de todo o ano passado”, afirmou à Reuters Rashmi Gupta, gestora de portfólio multiativos no JPMorgan Private Bank, em Nova York.

“Diante do atual ambiente macro e do aumento do risco geopolítico, posso dizer que ampliamos ainda mais nossa alocação em Brasil…. É um dos mercados com exposição relevante a energia e commodities, que pode ser favorecido em um ambiente de alta nos preços do petróleo”, acrescentou.

DESTAQUES

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SIMPAR ON (SIMH3), que não faz parte do Ibovespa, valorizou-se 6,48%, tendo no radar o balanço do quarto trimestre, com lucro líquido consolidado de R$543 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$224 milhões registrado um ano antes. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda ficou em 3 vezes ante 3,6 vezes um ano antes, a menor dos últimos 15 anos da companhia.

NATURA ON (NATU3) disparou 12,99%, superando R$10 pela primeira vez desde setembro do ano passado, após acordo que prevê a aquisição de uma participação de até 10% na fabricante de cosméticos pela norte‑americana Advent International. A Natura também anunciou proposta para mudanças no conselho de administração que serão avaliadas em assembleia.

VALE ON (VALE3) avançou 3,75%, descolada da fraqueza dos futuros do minério de ferro na China. A companhia disse que a subsidiária Vale Base Metals (VBM) poderá responder por aproximadamente 30% a 35% do Ebitda consolidado da companhia a partir de 2035, bem como estimou que o fluxo de caixa livre da VBM em 2026 possa ficar em faixa aproximada entre US$400 milhões e US$1,9 bilhão, em termos reais.

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PETROBRAS PN (PETR4) recuou 2,01%, tendo no radar o movimento do petróleo no exterior — com alta no contrato mais curto do Brent, mas queda no vencimento seguinte. O Grupo Abra, holding que controla a companhia aérea Gol, informou nesta terça-feira que a Petrobras elevará os preços do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% a partir de 1º de abril.

BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) valorizou-se 5,41%, capitaneando as altas robustas dos bancos do Ibovespa. ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) subiu 4,52%, SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) fechou em alta de 3,79%, BRADESCO PN (BBDC4) avançou 3,79% e BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) terminou com elevação de 2,68%. Investidores seguem atentos a possíveis medidas de crédito para amenizar o endividamento da população.

MRV&CO ON (MRVE3) subiu 3,83%, após a construtora divulgar que foi concluída a venda do empreendimento Tributary, localizado na Geórgia, Estados Unidos, por US$73,3 milhões.

JHSF ON (JHSF3), que não faz parte do Ibovespa, saltou 7,90%, na esteira da divulgação de um lucro líquido de R$978,3 milhões no quarto trimestre de 2025, mais do que o dobro dos R$410,8 milhões apurados um ano antes. O Ebitda ajustado saltou a R$1,14 bilhão.

IMC ON (MEAL3), que não faz parte do Ibovespa, caiu 4,12%, após reportar prejuízo líquido de R$50,9 milhões para o quarto trimestre de 2025. O grupo, que controla redes de fast‑food no Brasil como Pizza Hut e Frango Assado, teve queda de 5,4% na receita líquida. De acordo com o presidente‑executivo, a companhia deve manter a base de lojas de sua principal marca, Frango Assado, este ano, buscando otimizações do parque, enquanto trabalha para recuperar vendas de operações nos EUA.