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Ibovespa fecha em alta de 1,67% e dólar cai 1,84%, a R$ 5,25, após decisão do Fed: o que animou tanto o mercado?

Federal Reserve reconheceu que economia vem desacelerando e ajudou a firmar expectativas para o longo prazo

Por  Vitor Azevedo

O Ibovespa fechou em alta de 1,67% nesta quarta-feira (27), aos 101.437 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira acompanhou parcialmente o que foi visto nos Estados Unidos, onde o dia foi de fortes altas.

O Dow Jones avançou 1,37%, aos 32.196 pontos, e o S&P 500 subiu 2,62%, aos 4.023 pontos. A maior alta do dia ficou para a Nasdaq, que teve alta de 4,06%, indo aos 12.032 pontos.

“O destaque desta quarta ficou para a decisão do comitê de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Os diretores do Federal Reserve optaram pela elevação da taxa básica de juros dos EUA em 0,75 ponto percentual, para o patamar entre 2,25% e 2,50% ao ano” aponta Rachel de Sá, chefe de economia da Rico.

Segundo ela, o comunicado não trouxe novidades, com a fed funds ficando dentro do consenso e as falas seguindo o esperado. “O que chamou atenção, entretanto, foi a coletiva de imprensa, em que o presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou como improvável mais uma alta de juros na mesma magnitude adiante”, explicou de Sá.

André Luzbel, head de renda variável da SVN Investimentos, vai na mesma linha. “O Fomc veio com discurso em linha com o que era esperado. Existia a tensão de ser anunciado algo fora do consenso, como aconteceu na última reunião”, contextualiza. “Powell defendeu que, ao contrário do que o mercado espera, não será necessário subir tanto o juros, uma vez que a bolsa americana já caiu muito, acabando com riqueza, e com a inflação aparentemente tendo atingido um teto”.

Apesar disso, o Fed se comprometeu a alcançar a estabilidade dos preços e determinou que as próximas decisões serão tomadas de acordo com a divulgação de dados.

Os yields dos treasuries com vencimento em dez anos ficaram praticamente estáveis em 2,781%. Os com vencimento em dois anos, porém, viram suas taxas recuarem 6,5 pontos, para 2,978%.

“Ao longo do dia, tivemos na parte de juros brasileiro, uma espera pelo que seria decidido pelo Fed. Assim que a decisão saiu, as taxas começaram a cair”, explica Nicolas Merola, analista da Inv. “As taxas brasileiras acompanharam as americanas, principalmente as longas”.

Ao mesmo tempo em que defendeu que a economia americana está bem, Powell se comprometeu a aumentar as taxas de juros se necessário – isso foi visto como uma sinalização de “pulso firme”, segundo Merola, o que pode evitar que as taxas fiquem em patamares elevados por um longo período de tempo.

Os DIs para 2023 no Brasil tiveram seus rendimentos caindo um ponto-base, para 13,89%. Os rendimentos dos contratos para 2025 recuaram 16 pontos-base, para 13,06%, o dos contratos para 2029, 18 pontos, para 13,09%. Os DIs para 2031, na ponta longa, viram seus yields caírem 16 pontos, para 13,16%.

“Talvez, por conta disso, as bolsas conseguiram subir tanto. Essa queda na curva longa acaba beneficiando as empresas”, diz o especialista da Inv.

Para Felipe Moura, analista da Finacap Investimentos, a decisão do Fed foi “muito bem digerida”. “O Fed reconheceu que os primeiros sinais de desaceleração econômica começaram a aparecer e reforçou compromissos para alcançar a meta de inflação e para ancorar as expectativas no longo prazo”, comenta.

Luzbel, por sua vez, pontua que companhias de varejo e small caps são as grandes vencedoras da leitura do cenário futuro de inflação menor e juros mais baixos no longo prazo, interpretado a partir da decisão de hoje.

Entre as maiores altas do Ibovespa, ficaram as ações preferenciais da Gol (GOLL4), com mais 10,93%. Os papéis ordinários do GPA (PCAR3) e do Carrefour (CRFB3) vieram na sequência, com mais 8,37% e 7,28% – estes, além de impulsionados pelo recuo da curva de juros, foram beneficiados também pela divulgação de resultados trimestrais da última companhia, considerada positiva por analistas.

A Gol, do outro lado, surfou em parte na queda do dólar. A moeda americana recuou 1,84% frente o real, negociada a R$ 5,250 na compra e a R$ 5,251 na venda.

“O dólar enfraqueceu contra o real, refletindo perspectivas de um ajuste monetário mais brando adiante nos Estados Unidos”, explica a chefe de economia da Rico. As falas do Fed, de maneira geral, derrubaram a percepção de risco – o DXY, que mede a força da moeda americana frente a outras de países desenvolvidos, caiu 0,69%; o VIX, considerado o índice do medo, caiu 5,87%.

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