Fechamento

Ibovespa fecha em alta de 1,36% e retoma os 100 mil pontos; Dólar cai 2,35% e perde patamar dos R$ 5,40

Commodities puxam Bolsa brasileira, que sobe mais do que seus pares americanos, e ajuda valorização do real

Por  Vitor Azevedo

O Ibovespa fechou em alta de 1,36% nesta segunda-feira (25), aos 100.269 pontos, maior nível de fechamento desde 8 de julho. O principal índice da Bolsa brasileira se saiu melhor do que os seus pares americanos, com ajuda do avanço das commodities.

O preço do barril Brent subiu 1,88%, a US$ 105,09. A tonelada do minério de ferro na China, subiu 3,64% no mercado à vista, para US$ 104. Com isso, as ações ordinárias da Vale (VALE3) subiram 1,76%. As ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4), por sua vez, avançaram, respectivamente, 4,26% e 4,5%.

“Falando do Brasil, o Ibovespa sobe enquanto lá fora os índices têm tendência de queda, muito em linha com o preço de commodities”, avalia Jennie Li, estrategista de ações da XP Investimentos. “Creio que as altas dos produtos não manufaturados estão ligadas às expectativas mais positivas vindas da China, com inflação controlada e com o Governo com espaço para estimular a economia”.

Pela manhã, foi anunciado que o gigante asiático pretende criar um fundo imobiliário de até US$ 44 bilhões para aliviar as dificuldades das construtoras. Ainda nesta frente, o mercado espera que nesta semana o Partido Comunista da China anuncie como se dará a reestruturação das dívidas da Evergrande.

“É difícil ver um catalisador de alta no curto prazo para o Ibovespa além da China. Teremos de esperar para ver como o governo de lá irá atuar, o que implicará em mudanças nos preços das commodities, o que pode sustentar o patamar dos 100 mil”, explica Li.

Com o menor temor de recessão e com a alta das commodities, o dólar comercial fechou em queda de 2,35%, a R$ 5,369 na compra e a R$ 5,370 na venda.

“Nos Estados Unidos, os mercados começaram no positivo mas tiveram maior tendência de queda. Não acho que houve trigger muito específico, mas vemos um estado de cautela”, comenta a especialista da XP.

Jennie Li lembra que a semana é marcada por uma série de indicadores importantes – nos Estados Unidos, há a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) na quarta, produto interno bruto (PIB) do segundo trimestre na quinta e inflação de junho na sexta.

“O Dow Jones teve uma performance superior que os demais índices, dado que os tresuries yields acabaram abrindo. Investidores estão esperando também os resultados das companhias de tecnologia”, explica Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos.

Os títulos do tesouro americano com vencimento em dez anos tiveram suas taxas subindo 3,1 pontos-base, para 2,812%, e os para dois anos, 3,6 pontos, para 3,027%. Além da espera pela decisão monetária na quarta, investidores repercutem também a alta das commodities, que pressiona a curva de juros, com mais impacto em companhias de crescimento.

O Dow Jones fechou em alta de 0,27%, aos 31.990 pontos. O S&P 500 subiu 0,13%, aos 3.966 pontos. A Nasdaq, no entanto, recuou 0,43%, aos 11.782 pontos.

No Brasil, companhias de tecnologia e varejistas também foram destaques negativos, acompanhando o que foi visto nos EUA, a despeito de a curva de juros brasileira ter fechado, majoritariamente, em baixa.

Na ponta longa, os DIs para 2027 e 2029 tiveram suas taxas recuando seis e quatro pontos-base, respectivamente, para 13,26% e 13,16%. No meio da curva, o DI para 2025 teve seu rendimento caindo dois pontos, para 13,21%. Os yields dos DIs para 2023, no entanto, ganharam um ponto, indo a 13,84%.

As maiores baixas do Ibovespa ficaram para as ações ordinárias do Pão de Açúcar (PCAR3), com menos 7,04%, para as da Petz (PETZ3), com menos 5,07% e para as do IRB Brasil (IRBR3), com menos 5,50%.

“No Brasil, além da pressão de fora, os papéis ligados à economia doméstica tiveram uma realização após uma sequência de altas. Lá fora, investidores estão esperando os resultados das companhias de tecnologia”, finaliza Crespi.

Procurando uma boa oportunidade de compra? Estrategista da XP revela 6 ações baratas para comprar hoje.

Compartilhe