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SÃO PAULO – O Ibovespa fecha em alta nesta segunda-feira (28) marcada por uma forte volatilidade, com diversas trocas de sinal do índice ao longo do pregão. A partir do início da tarde as altas de Petrobras e de empresas do setor elétrico se juntaram a bancos e trouxeram força ao mercado. Lá fora, as bolsas europeias e asiáticas passaram por uma sessão de correção, mas as norte-americanas subiram à espera da reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee) amanhã.
O benchmark da Bolsa brasileira subiu 0,47%, a 55.794 pontos, enquanto o dólar fechou quase na máxima, com 0,7% de variação positiva, a R$ 2,9415 na compra e a R$ 2,9422 na venda. Com isso, a moeda interrompeu uma sequência de 5 quedas. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa hoje foi de R$ 8,209 bilhões.
Para o analista da WinTrade, Bruno Gonçalves, o movimento da Bolsa novamente se deu mais por conta de fatores do noticiário corporativo do que por dados macroeconômicos. “Acho que o cenário macro pesou muito forte nos últimos tempos prinicipalmente com a deterioração do quadro político. Com o abrandamento deste cenário, as notícias pontuais das empresas passam a pesar mais”, explica.
Semana de agenda cheia
Pela manhã foi divulgada a PME (Pesquisa Mensal do Emprego): o desemprego no Brasil subiu de 5,9% em fevereiro para 6,2% em março, um pouco acima das projeções da Bloomberg, de 6,1% e o maior nível desde março de 2012.
Além disso, começaram hoje as reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) aqui e do Fomc (Federal Open Market Comittee) nos Estados Unidos, que terminarão amanhã com as decisões das taxas de juros. As expectativas são de que o nosso comitê eleve a Selic em 0,5 ponto percentual para 13,25% ao ano, enquanto o Federal Reserve mantenha, por enquanto, a banda de juros da maior economia do mundo entre 0% e 0,25%.
No radar também estiveram os rumores de que o Banco do Povo da China se prepara para lançar um programa de relaxamento monetário aos moldes do famoso “Quantitative Easing” adotado nos EUA e na Europa. Em relatório divulgado ao mercado, a XP Investimentos lembra que, segundo reportagem do The Wall Street Journal, o BC chinês planeja lançar nos próximos 2 meses um programa que permitirá que bancos troquem bônus de governos locais por empréstimos com o objetivo de ampliar a liquidez, impulsionar o crédito e reduzir as taxas de juros, disseram as fontes. A estratégia é similar às operações de refinanciamento de longo prazo (LTROs) utilizadas pelo BCE (Banco Central Europeu).
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Petrobras e Vale perdem o fôlego
Em destaque, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) fecharam em alta após operar com forte volatilidade durante todo o pregão. Das notícias relativas à estatal, a agência de classificação de risco Moody’s confirmou os ratings da Petrobras e mudou a perspectiva da nota da estatal para “estável”, que estava “sob revisão”, eliminando o risco de um novo rebaixamento no curto prazo, após a estatal ter divulgado seu balanço auditado do ano passado.
Na opinião de Bruno Gonçalves da WinTrade, boa parte da queda da petroleira na última sessão e durante o começo desta se explicou devido às evidências pós-balanço de que os fundamentos da companhia continuam complicados, principalmente a alavancagem da companhia, que está cada vez mais alta.
As ações da Vale (VALE3; VALE5) também abriram a sessão registrando ganhos, mas viraram para queda. No caso das ações ordinárias, essa foi a primeira queda em quatro pregões, quando subiram 32%. Apesar do movimento, o preço do minério de ferro, que vinha guiando os papéis nos últimos dias, fechou em alta de 0,9% hoje, a US$ 59,20. Acompanharam o movimento de correção as ações da Bradespar, holding que detém participação na mineradora.
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“Da Vale ainda acho que pode ser uma realização. Também uma cautela antes do balanço, que pode ser afetado pela queda do minério de ferro”, explica Gonçalves.
Os papéis do setor de construção civil também caíram um dia antes do desfecho da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que teve início nesta terça-feira. As expectativas são de alta da Selic em 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano. A alta da taxa de juros afeta a demanda por financiamento de imóveis o que, consequentemente, penaliza as empresas do setor. Entre as maiores quedas do Ibovespa estiveram, Gafisa (GFSA3), Cyrela (CYRE3), Even (EVEN3) e MRV Engenharia (MRVE3).
Por outro lado, foi destaque de alta o Santander Brasil (SANB11), cujo lucro líquido societário cresceu 32% no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2014, para R$ 684 milhões. A carteira de crédito atingiu R$ 258,14 bilhões, avanço de 15,3% na comparação anual. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 3%, queda de 0,8 ponto percentual ano contra ano.
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As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano |
|---|---|---|---|---|
| LIGT3 | LIGHT S/A ON | 17,20 | +6,17 | +6,55 |
| SANB11 | SANTANDER BR UNT | 16,00 | +5,40 | +21,19 |
| ELET3 | ELETROBRAS ON | 7,79 | +5,27 | +34,31 |
| ELET6 | ELETROBRAS PNB | 9,03 | +5,00 | +10,39 |
| KROT3 | KROTON ON | 11,61 | +4,78 | -25,10 |
As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano |
|---|---|---|---|---|
| POMO4 | MARCOPOLO PN N2 | 2,78 | -7,02 | -14,44 |
| PDGR3 | PDG REALT ON ES | 0,48 | -5,88 | -36,04 |
| USIM5 | USIMINAS PNA | 5,93 | -4,97 | +17,43 |
| EVEN3 | EVEN ON | 4,77 | -4,60 | -12,32 |
| VALE3 | VALE ON | 22,55 | -3,88 | +6,33 |
As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :
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| Código | Ativo | Cot R$ | Var % | Vol1 |
|---|---|---|---|---|
| PETR4 | PETROBRAS PN | 12,78 | +1,59 | 750,32M |
| VALE5 | VALE PNA | 18,55 | -0,38 | 592,66M |
| ITUB4 | ITAUUNIBANCO PN | 38,79 | +1,02 | 479,77M |
| VALE3 | VALE ON | 22,55 | -3,88 | 377,35M |
| VIVT4 | TELEF BRASIL PN | 49,88 | +3,59 | 322,11M |
| BVMF3 | BMFBOVESPA ON ED | 12,44 | -1,66 | 314,69M |
| PETR3 | PETROBRAS ON | 13,63 | 0,00 | 305,51M |
| BBDC4 | BRADESCO PN | 32,45 | +1,53 | 258,60M |
| ITSA4 | ITAUSA PN | 10,80 | -0,09 | 212,55M |
| BRFS3 | BRF SA ON | 59,75 | -1,01 | 208,62M |
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
Europa em baixa
O índice das principais ações europeias fechou em queda nesta terça-feira após alguns dados corporativos mais fracos do que o esperado, com o grupo de equipamentos de mineração Atlas Copco recuando após divulgação de resultados enquanto nova emissão de ações afetou o Commerzbank.
O índice FTSEurofirst 300 das principais ações europeias fechou com queda de 1,64%, aos 1.615 pontos, segundo dados preliminares.
Correção nos mercados asiáticos
As bolsas asiáticas recuaram nesta terça-feira de máxima de sete anos uma vez que a confiança deu lugar à cautela antes da reunião do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que já começou.
Uma das exceções foi o índice japonês Nikkei, que avançou 0,38% por expectativas de melhores retornos aos acionistas após o peso-pesado do índice Fanuc Corp ter dobrado sua proporção de pagamento de dividendo. “Entrando em outra semana de resultados, os investidores têm se focado nos esforços das empresas para elevar os retornos dos acionistas”, disse Takuya Takahashi, estrategista do Daiwa Securities.
Já Xangai, que vem registrando um forte rali, teve queda de 1,13%, com resultados decepcionantes e advertência do regulador do mercado sobre risco de perdas.
Na segunda-feira, Wall Street encerrou em baixa após o S&P 500 ter atingido recorde intraday, em meio à cautela antes da reunião do Fed.
Analistas não esperam mudança na postura de política na reunião de dois dias que começa nesta terça-feira, após recentes dados domésticos mais fracos do que o esperado e o dólar forte ter afetado as exportações.
As expectativas do mercado para a alta da taxa de juros foram adiadas, com poucos investidores vendo agora um aumento em junho.
(Com Reuters)