Ibovespa “engole” duas altas e renova mínima desde julho de 2013

Nem elétricas conseguiram segurar o tombo do índice, com disparada antes de fala do Mantega; China, crise na Ucrânia e reunião da S&P com governo pressionaram mercado

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SÃO PAULO – O Ibovespa até tentou engatar uma terceira sessão de alta, mas passou a amargar perdas a pouco mais de duas horas do fechamento da sessão. Por aqui, as elétricas tentaram evitar queda maior do principal índice de ações da bolsa brasileira, mas dados fracos da China, preocupações com agravamento das tensões entre Estados Unidos e Rússia por causa da crise na Ucrânia e expectativa pelo resultado da reunião do Banco Central com diretores da agência de classificação de risco Standard & Poor’s tiraram o humor do mercado. 

Com isso, o benchmark da bolsa brasileira, que chegou a subir 0,69% na máxima do dia, fechou em queda de 0,91%, a 45.443 pontos, renovando o menor patamar desde 8 de julho de 2013. Cabe ressaltar ainda que as ações “pesos-pesados” do índice, Vale (VALE3, -2,69%, R$ 29,30; VALE5, -2,12%, R$ 25,90) e Petrobras (PETR3, -1,35%, R$ 12,41; PETR4, -1,58%, R$ 13,11) contribuíram para a queda do Ibovespa. Os papéis da mineradora renovaram a mínima desde julho de 2013. A proximidade do vencimento de opções sobre ações, que ocorrerá na próxima segunda-feira, aumentou a volatilidade das ações nesta sessão. 

No noticiário nacional, o mercado seguiu na expectativa pelo anúncio do desfecho da reunião da agência de classificação de risco Standard & Poor’s com o Banco Central, ministério da fazenda e Comunicações; os diretores teriam saído da reunião sem fazer comentários. Vale ressaltar que o S&P colocou o rating do País em perspectiva negativa no ano passado e há uma grande expectativa pelas próximas sinalizações da agência sobre se ou quando a nota de crédito soberano do Brasil será rebaixada. 

Ainda por aqui, o principal destaque corporativo ficou com as ações das elétricas, que figuraram entre os maiores ganhos do Ibovespa à espera de um socorro do governo para compensar os gastos com o uso de geração térmica. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fará uma coletiva com a imprensa às 17h30 de hoje, quando é esperado que faça anúncio de novas medidas. Segundo analistas, a principal expectativa é em relação a uma medida autorizando a chamada “bandeira tarifária”, ou seja, aumento nos preços de energia ao consumidor final. Durante à tarde, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) confirmou que propôs para o governo o uso dessa medida. Os reajustes seriam de 10% e 60%, dependendo da distribuidora, conforme divulgou a coluna Radar da Veja.

Com isso, as ações da CPFL Energia (CPFE3, +4,45%, R$ 17,60), Light (LIGT3, +4,34%, R$ 17,30), Tractebel (TBLE3, +3,44%, R$ 32,50), Cemig (CMIG4, +3,31%, R$ 13,72), Energias do Brasil (ENBR3, +3,17%, R$ 9,10), Eletropaulo (ELPL4, +3,12%, R$ 7,94), Cesp (CESP6, +2,41%, R$ 21,66), Eletrobras (ELET3, +2,22%, R$ 5,06; ELET6, +1,65%, R$ 9,24) dispararam nesta sessão. 

Blue chips: volatilidade marca sessão 
A Petrobras, que seguia o movimento de recuperação da véspera e subia 1% no início da sessão, virou para as perdas no início da tarde e intensificou as quedas para mais de 1%, enquanto as ações da Vale, CSN (CSNA3, R$ 8,60, -1,49%), que tinham alta de mais de 1% no início da sessão, perdem forças e registraram quedas nesta sessão.  

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Ainda como destaque de baixa, estão as ações do setor de educação. Envolvidas em processo de tentativa de fusão, as ações da Anhanguera (AEDU3, -2,08%, R$ 12,68)  e Kroton (KROT3, -0,45%, R$ 44,10) tiveram queda, impactadas por uma solução sugerida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na véspera para a operação.

O órgão antitruste sugeriu a venda de ativos para solucionar o impasse da fusão, mas, para analistas, essa “solução” estaria próxima do pior cenário. Em relatórios, a equipe de análise da XP Investimentos disse que a venda seria bem negativa para a fusão, enquanto os analistas do Brasil Plural apontaram que o parecer dificulta a já sensível discussão, podendo afetar negativamente os ativos da Anhanguera.

Por outro lado, as ações da Dasa (DASA3) dispararam no fim do pregão, fechando com valorização de 11,07%, depois de terem atingido na máxima do dia alta de 20,36%, a R$ 18,15. Com esse desempenho, elas terminaram a sessão na melhor posição do Ibovespa. A arrancada deve-se às expectativas se os novos controladores da empresa farão uma nova OPA (Oferta Pública de Ações) pelas ações que restaram no mercado. Na véspera, o empresário Edson Godoy Bueno e sua ex-mulher Dulce Pugliese concluíram a OPA da empresa, com a aquisição de 150,8 milhões de ações, totalizando participação de 71,94% na companhia. 

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Dados da China, crise na Ucrânia e EUA 
No ambiente externo, os dados econômicos do gigante asiático deixam os investidores cautelosos no pregão desta data. A produção industrial no gigante asiático subiu para 8,6% nos meses de janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado, mas ficaram abaixo da expectativa do mercado. Já as vendas no varejo subiram para 11,8% no ano, mas também foram menores do que as estimativas feitas pelo mercado. Os dados divulgados são mais alguns que ficaram abaixo do esperado pelo mercado e sugerem novamente uma possível desaceleração na China, segunda maior economia do mundo.  

 O desenrolar da crise na Ucrânia também ajudou a pressionar o mercado. O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou nesta quinta-feira que os EUA e a União Europeia podem tomar passos “muito sérios” contra a Rússia, caso “não haja sinais” de resolução da crise. A península da Crimeia deve ter um referendo neste domingo para definir se a região deixa de estar sob o controle ucraniano e passa a fazer parte da Rússia. 

Por outro lado, os indicadores norte-americanos animaram nesta sessão. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego caiu inesperadamente e atingiu nova mínima em três meses na semana passada, sugerindo um fortalecimento nas condições do mercado de trabalho: os pedidos caíram em 9 mil, para 315 mil pedidos. Enquanto isso, as vendas no varejo subiram um pouco mais do que o esperado em fevereiro, com alta de 0,3%.