Ibovespa encerra sequência de três altas e fecha em queda de 2%

Investidores apontam maior aversão ao risco por conta do cenário europeu, apesar de dados positivos nos EUA

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SÃO PAULO – Interrompendo a sequência de três dias de alta, o Ibovespa registrou perdas de 2,0% nessa terça-feira (31), fechando aos 56.097 pontos. O benchmark da bolsa foi puxado para baixo pelo desempenho negativo das ações da Petrobras (PETR3;PETR4), que apresentam a segunda maior participação na carteira teórica.

As ações da petrolífera tiveram forte queda em meio às expectativas com relação ao resultado da estatal. O giro financeiro foi de R$ 6,73 bilhões. Apesar dessa queda, o índice garantiu alta de 3,21% no mês de julho. 

O cenário de queda ocorre a despeito da agenda positiva vinda dos EUA, com a produção industrial de Chicago e a confiança dos consumidores ficando acima das expectativas dos analistas. Já a inflação para junho do país veio em linha com o esperado, em alta de 0,2%, conforme medido pelo núcleo do PCE (Personal Consume Expenditure).

Apesar disso, o  mercado segue de olho nas notícias vindas da Europa, onde o cenário já não é tão positivo quanto apresentado no final da semana anterior. Dentre os motivos para o descontentamento do mercado, esteve o alerta da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de contração da atividade econômico para o Reino Unido, depois do desempenho do segundo trimestre surpreender negativamente.

Além disso, o ministro das Finanças alemão voltou a defender que não há necessidade de garantir ao ESM (Mecanismo Europeu de Estabilização) uma licença bancária – o que poderia garantir ao fundo a compra de títulos de dívida pública. 

O mercado mantém ainda o foco com relação às reuniões do BCE (Banco Central Europeu) e do Federal Reserve. O primeiro divulgará sua decisão de política monetária apenas na quinta-feira (2), enquanto o banco central norte-americano anuncia o resultado do encontro na quarta-feira.

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Resultados movimentam ações
Enquanto isso, no front doméstico, a temporada de resultados continua a movimentar o cenário corporativo. Depois de anunciar seus números, as ações da TIM Participações (TIMP3) tiveram a segunda maior perda do Ibovespa, atrás apenas dos papéis da PDG (PDGR3). 

Ainda por aqui, o destaque na agenda econnômica fica por conta do superávit primário de R$ 2,8 bilhões em junho, conforme anunciado pelo Banco Central, em um valor muito abaixo do que era esperado pelo mercado.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PDGR3 PDG REALT ON 3,41 -7,34 -40,49 76,22M
 TIMP3 TIM PART S/A ON 8,54 -5,84 -5,76 95,68M
 BTOW3 B2W VAREJO ON 6,68 -5,25 -25,78 4,43M
 MMXM3 MMX MINER ON 5,72 -4,67 -14,24 25,87M
 PETR3 PETROBRAS ON 20,05 -4,52 -10,77 139,13M

Por outro lado, os papéis da Usiminas (USIM3, USIM5), cujo resultado trimestral veio melhor que o esperado, dispararam nesse pregão. Os da CSN (CSNA3) também apresentam forte alta, depois da Usiminas afirmar que já começou a elevar os preços do aço para distribuidores e indústria. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 7,38 +5,28 -26,83 121,43M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 10,53 +3,34 -26,12 65,34M
 USIM3 USIMINAS ON 8,25 +3,00 -51,69 7,83M
 DASA3 DASA ON 11,50 +2,13 -25,63 41,10M
 NATU3 NATURA ON 53,76 +1,90 +52,49 172,48

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 19,50 -3,99 715,08M 39.130 
 VALE5 VALE PNA 36,40 -0,84 604,66M 28.170 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 32,47 -2,46 360,99M 23.026 
 BBDC4 BRADESCO PN 31,60 -0,25 261,19M 15.147 
 NATU3 NATURA ON 53,76 +1,90 172,48M 6.437 
 VALE3 VALE ON 37,15 -0,99 152,62M 9.474 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 5,65 -2,92 150,10M 16.142 
 BBAS3 BRASIL ON 21,80 -0,91 147,39M 12.972 
 PETR3 PETROBRAS ON 20,05 -4,52 139,13M 12.442 
 AMBV4 AMBEV PN 78,61 -2,27 137,82M 7.089 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Bolsas Internacionais
O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em leve baixa de 0,49% e atingiu 13.009 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 0,43% a 1.379 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, caiu 0,21% a 2.940 pontos.

Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou baixa de 1,02% e atingiu 5.635 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 0,87% a 3.292 pontos. Por outro lado, o DAX 30 da bolsa de Frankfurt fechou em leve baixa de 0,03%, atingindo 6.772 pontos.

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Dólar
O dólar comercial fechou em alta de 0,53%, terminando a R$ 2,0490 na venda.

Renda Fixa
As taxas dos principais contratos de juros futuros fecharam próximos à estabilidade. O contrato de juros de maior liquidez nesta terça-feira, com vencimento em janeiro de 2014, registrou uma taxa de 7,82%, com queda de 0,02 ponto percentual em relação ao fechamento de segunda-feira. 

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou estável, a 129,17% do valor de face. Já o indicador de risco-País teve baixa de 2,2%, passando de 182 pontos na sessão anterior para 178 pontos.

Agenda da próxima sessão estará movimentada
Na agenda de indicadores domésticos desta quarta-feira (1), os investidores acompanharão a divulgação feita pela FGV (Fundação Getulio Vargas) do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), referente ao mês de julho. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga a Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física – Brasil de junho.

O Banco Central revela ainda o fluxo cambial, divulgado semanalmente, com o movimento de entrada e saída de dólares do País. O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) reporta os dados da balança comercial do mês de julho.

O investidor estará atento a reunião Fomc (Federal Open Market Committee), com a opinião sobre a economia, e também a quantidade de votos a favor e contra a decisão de política monetária. Ainda por lá, os norte-americanos conhecerão o ADP Employment.  Além disso, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulga o Construction Spending, que mede os gastos públicos e privados decorrentes da construção de imóveis no país.

Por fim, a Associação de Executivos de Compras divulga o ISM Index, também conhecido como NAPM Index, que mede o nível de atividade industrial do país. Por fim, será publicação do relatório semanal de Estoques de Petróleo.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.