Ibovespa é contagiado pelo humor externo e amplia alta com fôlego de blue chips

Movimento de ajuste também guia a bolsa por aqui, enquanto indicador favorável sobre imóveis agrada lá fora; dólar em queda

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SÃO PAULO – Recheada de referências corporativas de peso, a quarta-feira (22) é positiva para os mercados, que receberam bem os novos indícios de melhora na economia dos EUA. Wall Street consegue estender os ganhos da véspera, enquanto as bolsas no velho continente fecharam em alta. Por aqui, além do bom humor externo, o Ibovespa conta com o fôlego de blue chips e produtoras de celulose para ampliar seus ganhos pela tarde.

Novamente o setor financeiro ocupa o centro das atenções. De um lado, o Wells Fargo – segundo maior banco dos EUA por valor de mercado – reportou um lucro líquido recorde de US$ 3,05 bilhões no primeiro trimestre do ano, com crescimento de 53% frente ao mesmo período de 2008. Do outro, o Morgan Stanley revelou prejuízo líquido de US$ 177 milhões nos três primeiros meses de 2009. Enquanto as ações do primeiro sobem 4,8%, os ativos do segundo caem 5,6%.

Parte do otimismo também é fundamentada na esfera econômica. Os preços dos imóveis nos EUA subiram 0,7% em fevereiro na comparação com o mês anterior – marcando o primeiro avanço mensal consecutivo em dois anos – como um sinal de que as reduzidas taxas de juro provavelmente estão freando o declínio no preço das moradias. As informações são da FHFA – Federal Housing Finance Agency.

Também ajudando a puxar os índices em Wall Street para cima, a General Electric reiterou que sua unidade financeira irá apresentar lucros este ano e vê seus papéis subirem forte nesta tarde. Por sua vez, visando reduzir custos operacionais o Yahoo! confirmou que cortará 5% de sua força de trabalho. A postura foi bem recebida pelo mercado e as ações da companhia registram expressivo avanço.

Blue chips e produtoras de celulose

Além do movimento de ajuste frente à última sessão, quando não houve negócios na bolsa brasileira em função do feriado de Tiradentes, o Ibovespa é contagiado pelo bom humor externo e amplia seus ganhos pela tarde. O movimento por aqui é puxado por blues chips e produtoras de celulose.

No setor de mineração, a Rio Tinto declarou que suas vendas deverão crescer neste trimestre, dado que os estímulos à economia chinesa irão ajudar a reaquecer a demanda. Influenciados pelas perspectivas otimistas em torno do setor, os papéis da Vale dão certo fôlego ao índice.

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Já no setor de papel e celulose, destaque para a aprovação pela Comissão Europeia da incorporação da Aracruz pela VCP. Segundo o órgão, o acordo não causará problemas no ambiente concorrencial do mercado europeu, dado que, juntas, as empresas respondem por menos de 15% da oferta de celulose na região e também em escala global, segundo projeções. Os ativos de ambas marcam acentuado avanço.

As declarações do presidente da Petrobras também chamam atenção dos investidores. José Sergio Gabrielli afirmou que o acordo de financiamento em US$ 10 bilhões com o China´s Development Bank não terá petróleo como garantia.

Ibovespa sobe

Acompanhando o otimismo externo, o Ibovespa registra alta próxima de 2%, contornando os 45.370 pontos. O volume financeiro do índice totaliza R$ 3 bilhões.

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No destaque de alta do índice figuram os papéis da Cosan. Além de se ajustarem às perdas da última semana e à alta dos preços do açúcar nesta quarta-feira, os ativos ainda reagem às especulações de que o presidente da companhia, Rubens Ometto, estaria a procura de sócios a fim de aumentar o capital da sucroalcooleria.

Na outra ponta, contrariando o desempenho do setor, os papéis da Klabin ocupam o posto de maior desvalorização do índice nesta tarde.

Ganhos e perdas

Entre os destaques de alta estavam os papéis
Cosan ON (CSAN3, +11,74%),
VCP PN (VCPA4, +7,65%),
Cyrela Realty ON (CYRE3, +6,29%),
Aracruz PNB (ARCZ6, +5,85%) e Gerdau PN (GGBR4, +5,47%).
Por outro lado, as ações
Klabin PN (KLBN4, -1,30%),
Itau Unibanco PN (ITAU4, -1,21%),
Duratex PN (DURA4, -0,89%),
Telesp PN (TLPP4, -0,84%) e Petrobras ON (PETR3, -0,77%).
encerraram a manhã em queda.

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Os maiores volumes ficaram com
Petrobras PN (PETR4, R$ 398,08 milhões), Vale Rio Doce PNA (VALE5, R$ 351,49 milhões), Petrobras ON (PETR3, R$ 157,27 milhões), Itau Unibanco PN (ITAU4, R$ 140,78 milhões) e Usiminas PNA (USIM5, R$ 114,91 milhões).



Dólar cai

Em meio ao clima mais ameno no mercado financeiro, o dólar comercial amplia a desvalorização observada na abertura e inicia a tarde desta quarta-feira (22) com baixa de 1,5%, a R$ 2,21.

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Na agenda doméstica, o Banco Central não anunciou novas medidas intervencionistas no mercado cambial. O resultado global do balanço de pagamentos em março foi superavitário em US$ 940 milhões, abaixo do US$ 1,341 bilhão registrados no ano passado.

Também publicado no começo do dia, o desempenho do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercados) marcou deflação de 0,33% na segunda prévia de abril, taxa bastante próxima à registrada no mês anterior, de -0,36%.