Ibovespa dribla dia misto no exterior e se recupera; dólar volta a R$ 2,39

Em dia marcado pela divulgação da ata da última reunião do Fomc, que marcou o início da retirada do programa de estímulos, índice sobe 0,29%; Santander sobe 2,55% com anúncio de proventos bilionários

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SÃO PAULO – Após cair mais de 1% na véspera com a preocupação de possíveis rebaixamentos no rating brasileiro, o Ibovespa mostrou recuperação nesta quarta-feira (8) ao fechar com ganhos de 0,29%, a 50.576 pontos, em dia marcado pelas expectativas do mercado em relação à divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee), que culminou no início da retirada em US$ 10 bilhões do QE3 (Quantitative Easing 3), a política de estímulos monetários do país. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,93 bilhões.

Logo às 17h, quando a Bovespa já estava em leilão de fechamento, o Federal Reserve divulgou na minuta da reunião de dezembro que o atual programa de estímulos deve chegar ao fim na segunda metade deste ano, tendo em vista a boa confiança dos membros da autoridade monetária nos sinais de recuperação da economia americana. Vale destacar que os principais parâmetros usados pela instituição para a mudança na política de afrouxamento monetário são a redução na taxa de desemprego e a elevação na inflação, que poderá finalmente indicar um reaquecimento econômico e permitir uma elevação nos juros.

Em Wall Street, os três principais índices acionários caminham para um fechamento misto – enquanto o índice Dow Jones registrava perdas na casa dos 0,5% no momento em que a bolsa brasileira fechava, o Nasdaq subia 0,2%. Também vale destacar por lá a repercussão dos dados do emprego, com o ADP revelando que foram abertas 238 mil vagas de emprego em dezembro, mais do que as 200 mil estimadas pelos analistas.

No câmbio, o dólar voltou a subir bem – alta de 0,47%, cotado a R$ 2,3897 na venda -, voltando a se aproximar dos patamares que fizeram o Banco Central intervir no mercado cambial no ano passado. O desempenho ascendente da moeda americana ante o real é uma consequência do início da retirada da política de estímulos do Federal Reserve, que, a partir deste mês, passou a injetar mensalmente US$ 75 bilhões na economia dos EUA via compra de títulos públicos.

No noticiário macroeconômico brasileiro, a produção industrial registrou alta de 1,4% no acumulado de 2013 até novembro enquanto, no mês, teve leve queda de 0,2% na comparação com outubro, resultado melhor do que o esperado pelos analistas, conforme revelou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ainda por aqui, o Banco Central informou que o País conheceu, em 2013, a maior saída de dólares desde 2002, com o fluxo cambial negativo em US$ 12,261 bilhões.

Destaques do pregão
Na ponta de cima do Ibovespa desta sessão, chamaram atenção as units do Santander Brasil (SANB11, R$ 14,06, +2,55%), que subiram após a companhia anunciar que pagará R$ 6 bilhões para seus acionistas. Assim, o banco pagará R$ 1,5865 por cada unit que o investidor possuir até a data de 15 de janeiro deste ano – mais que 10% do valor de cada unit, que terminou o último pregão a R$ 13,71. O Santander pretende fazer isso como parte de programa de otimização do patrimônio de referência.

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Enquanto isso, as blue chips Petrobras (PETR3, R$ 15,21, +0,07%; PETR4, R$ 16,19, +0,19%) e Vale (VALE3, R$ 33,48, +0,69%; VALE5, R$ 31,08, +0,58%) registraram leve recuperação após a forte queda na véspera, ajudando a impulsionar os ganhos do índice. Vale ressaltar que a petroleira confirmou na véspera a captação de 3,05 bilhões de euros com títulos com vencimento entre quatro e 11 anos, além de 600 milhões de libras em títulos com vencimento em 20 anos. A última captação da empresa em euros havia sido feita em outubro de 2012, quando a petroleira levantou 2 bilhões de euros com títulos vencendo em 2019 e 2023.

Ainda na ponta de cima, apareceram as ações da ALL (ALLL3, R$ 6,25, +2,97%), que conseguiram subir após a longa sequência de quedas. A empresa negou na véspera que tenha sido convocada a participar de reunião com o governo marcada para a última segunda-feira, como havia sido veiculado na Folha de S. Paulo. Segundo a empresa, não existe nenhuma discussão com o Poder Concedente que possa ameaçar o direito da ALL sobre suas concessões ferroviárias. Entretanto, uma matéria da Folha publicada na noite passada apontou que o governo elabora um plano para pressionar a empresa. A intenção seria mapear onde há o descumprimento do contrato, quais são as previsões para aplicação de punições e as possíveis cobranças que poderão ser feitas a empresa.

Também chamaram atenção as ações do Marfrig (MRFG3, R$ 4,13, -0,48%), que viu seus papéis fecharem em queda após chegarem a subir 2,89% durante a manhã. No noticiário da companhia, vale destacar o anúncio da última sexta-feira do “afrouxamento” no cronograma de pagamento de juros de sua 5ª emissão de debêntures. O Marfrig anunciou que fará uma emissão de R$ 2,150 bilhões em debêntures conversíveis em ações para resgate das debêntures antigas. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), detentor de quase todos os papéis desta classe, aceitou a migração das debêntures de segunda emissão para as de quinta. O preço mínimo de conversão apontado pelo banco público é de R$ 21,50, R$ 3,00 a menos que o antigo número apontado, mas ainda muito acima dos R$ 4,15.

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Já a Eletropaulo (ELPL4, R$ 8,91, -5,41%), viu suas ações registrarem mais uma forte queda, depois do repentino rali no final de 2013. Segundo analistas, aquela alta não tinha fundamentos sólidos, o que fez com que os papéis da empresa não conseguissem se manter em preços mais elevados e voltassem a cair em um forte movimento de correção.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 6,25 +2,97 -4,73 34,57M
 BRPR3 BR PROPERT ON 18,04 +2,62 -3,01 19,24M
 SANB11 SANTANDER BR UNT ED N2 14,06 +2,55 +2,55 57,21M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,55 +2,33 -4,61 83,68M
 BRML3 BR MALLS PAR ON 17,42 +2,17 +2,17 54,85M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 8,91 -5,41 -4,81 18,68M
 LLXL3 LLX LOG ON 1,05 -3,67 -2,78 5,55M
 BRFS3 BRF SA ON EJ 45,90 -3,37 -6,00 310,16M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,08 -2,70 -6,09 8,12M
 BBAS3 BRASIL ON 23,01 -2,00 -5,70 154,90M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 31,08 +0,58 436,13M 368,90M 18.727 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 31,76 +1,57 333,78M 294,00M 16.641 
 BRFS3 BRF SA ON EJ 45,90 -3,37 310,16M 86,04M 10.656 
 CIEL3 CIELO ON 67,90 +0,15 262,30M 108,99M 6.800 
 PETR4 PETROBRAS PN 16,19 +0,19 252,94M 331,04M 20.449 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 28,20 -0,07 204,67M 187,58M 17.513 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,50 +0,98 197,90M 143,16M 19.804 
 BBAS3 BRASIL ON 23,01 -2,00 154,90M 131,68M 10.363 
 AEDU3 ANHANGUERA ON 14,45 +1,40 147,33M 42,61M 3.916 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 23,24 +1,26 137,68M 99,49M 11.217 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Europa e Ásia
À espera dos EUA, o dia foi de cautela para as bolsas mundiais. Na China, o índice Shangai Composto fechou com leve queda de 0,2%, enquanto o Shenzen Composto teve ganhos de 0,9%. Por outro lado, a bolsa de Tóquio registrou uma alta expressiva, a primeira do ano, com ganhos de 1,94%, a 16.121 pontos, em meio ao fortalecimento do dólar em relação ao iene, que impulsionou as ações de empresas exportadoras.

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Além disso, os últimos dados de comércio dos EUA deram reconforto a investidores de que a decisão do Federal Reserve, banco central do país, de reduzir suas compras de ativos é justificada por fundamentos. A ata da reunião de dezembro do Fed será divulgada na tarde desta data e os mercados estarão aguardando um claro compromisso em manter as taxas baixas durante muito tempo.

Reiterando o clima otimista estavam notícias de que o FMI (Fundo Monetário Internacional) irá elevar sua previsão de crescimento global em aproximadamente três semanas, rompendo com uma longa série reduções.

Enquanto isso, na Europa, as principais bolsas fecharam próximo à estabilidade, perto dos maiores patamares em 5 anos. Além da ata do Fomc, o mercado europeu repercutiu os dados de venda e de varejo e de desemprego na Europa. A taxa de desemprego por lá ficou em 12,1% em dezembro, conforme o esperado; já na Itália, a taxa teve alta, para 12,7% em novembro.

Além disso, destaque para os dados de exportações na Alemanha, que subiram pelo quarto mês seguido em novembro uma vez que o comércio acelerou, especialmente com países da União Europeia fora da zona do euro, em um sinal de que a maior economia da Europa está se beneficiando de uma melhora global. A alta foi de 0,3% na comparação mensal.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.