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SÃO PAULO – O Ibovespa tem uma sessão volátil, mas consolida um movimento de alta às vésperas do feriado de 1º de maio e depois da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a taxa básica de juros para o maior patamar desde 2008, a 13,25% ao ano. Superávit primário decepcionante e resultado fraco da Vale ficam no radar. Lá fora o dia é de queda para as bolsas norte-americanas.
Às 14h49 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha alta de 0,46%, a 55.581 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar disparava, subindo 1,84%, a R$ 3,0113 na compra e a R$ 3,0118 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2016 subia 0,15 ponto percentual para 13,65% ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2020 subia 0,20 ponto percentual para 12,85%.
O setor público mostrou um superávit primário de R$ 239 milhões em março, bem abaixo das estimativas de R$ 5 bilhões. Mesmo com o resultado positivo no mês passado, em 12 meses, as contas públicas ainda acumulam um déficit de R$ 69,249 bilhões, o equivalente a 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto).
Para Bruno Gonçalves, analista da WinTrade, com este resultado o ajuste fiscal torna-se mais difícil e isso é o que impacta os juros futuros. “Nós vamos esperar a ata do Copom antes de tirar qualquer conclusão, mas a visão a princípio é de que o Banco Central suba mais os juros. A economia vem patinando, o cenário é bem complicado para a entrega dos 1,2% [do PIB] de superávit, o apoio político ainda é frágil, então talvez a responsabilidade sobre o BC no combate à inflação aumente”, explica.
Especificamente sobre o mercado de ações, para ele, continuam a ser questões pontuais do noticiário corporativo a ter mais impacto. Entre elas a indicação de Murilo Ferreira para o Conselho de Administração da Petrobras, os balanços de Vale e outras empresas como Embraer e Lojas Renner e a notícia de que há interessados em participação societária na Gafisa. Fora isso, o aumento da Selic seria positivo para os bancos e os estaria beneficiando nesta sessão.
Vale lembrar que hoje saiu a terceira e última prévia da carteira teórica do Ibovespa, que passa a vigorar a partir de 4 de maio e valerá até agosto. Ficam confirmadas as saídas de Even (EVEN3), Light (LIGT3) e PDG (PDGR3) e a entrada da Smiles (SMLE3).
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Vale tem prejuízo
As ações da Vale (VALE3; VALE5) se desvencilhavam de um começo de pregão em queda e passavam a ter alta. A mineradora Vale registrou prejuízo líquido de R$ 9,538 bilhões no primeiro trimestre de 2015, terceiro trimestre consecutivo de perdas para a companhia, em meio a uma queda nos preços do minério de ferro, ante lucro de R$ 5,909 bilhões no mesmo período de 2014, informou a empresa nesta quinta-feira. As variações monetárias e cambiais tiveram um impacto negativo de US$ 3,019 bilhões; as perdas com swap e taxa de juros corresponderam a US$ 1,236 bilhão. Este foi o maior prejuízo da empresa desde 2009.
O analista técnico da Guide Investimentos, Lauro Vilares, disse que o movimento é perigoso para uma entrada no papel da mineradora, umas vez que depois da alta de 30% das suas ações na semana passada, com o balanço e as recentes recaídas do minério fazendo pressão nas ações já esticadas.
As ações da Gafisa (GFSA3) disparam após caírem por três dias seguidos na Bolsa. Ontem, a empresa informou que há grupos interessados em eventual compra de participação societária em Gafisa e Tenda, mas que até o momento não há proposta em vigor ou documento celebrado. A companhia, que não forneceu mais detalhes sobre as propostas, disse que uma potencial aquisição não vai afetar o processo de separação em vigor entre Gafisa e Tenda.
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Os papéis da Embraer (EMBR3) tinham valorização de mais de 3%. A companhia registrou um lucro líquido ajustado (excluídos o imposto de renda e contribuição social diferidos) de R$ 131,2 milhões no primeiro trimestre de 2015, com queda ante os R$ 147,3 milhões do mesmo período do ano passado. A companhia registrou um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 196,1 milhões, ante lucro de R$ 258,7 milhões no primeiro trimestre no ano passado.
Já a Petrobras (PETR3; PETR4) sobe após renovar nove de seus dez conselheiros. Apenas o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, foi reeleito para o conselho da estatal. Na mudança, o Governo Federal permitiu quase uma mudança completa no conselho, com eleição de seis novos membros, dos sete que representam a União no colegiado. Na reunião, os acionistas aprovaram a indicação do governo do presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, para presidir o conselho.
Para Vilares, a estatal tem trabalhado em uma faixa muito estreita de preços. “Eu vejo a movimentação dela como positiva porque ela fez uma forte alta e não recuou como a Vale fez”, disse. Ele acredita que a longo prazo a petroleira é uma aposta melhor do que a mineradora a menos que ela perca o importante suporte dos R$ 12,50. Agora se ela fechar acima de R$ 13,40, segundo ele, o próximo ponto importante seria os R$ 15,30.
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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Dados decepcionantes
Os mercados asiáticos recuaram nesta quinta-feira após dados ruins sobre o crescimento econômico dos Estados Unidos no primeiro trimestre, uma vez que o país é um importante destino das exportações de muitas das economias da região. Enquanto isso, na Europa, o dia é de leves perdas e ganhos, com os mercados digerindo os dados econômicos da zona do euro.
Na Ásia, as notícias decepcionantes sobre a maior economia do mundo somam-se à desaceleração na China e a receios persistentes sobre a Europa, uma vez que a Grécia se desdobra para evitar a falência. O índice japonês Nikkei teve queda de 2,7%, ampliando perdas depois que o banco central do Japão manteve a política monetária. A decisão era esperada, mas desapontou alguns participantes que haviam apostado que o BC poderia aumentar seu já forte programa de estímulos.
A economia norte-americana cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre, uma forte desaceleração ante o crescimento de 2,2% no trimestre anterior. Os dados decepcionantes diminuíram ainda mais perspectivas já fracas de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, elevará a taxa de juros em junho. “Se os EUA foram a principal fonte da desaceleração no crescimento de exportações asiáticas no primeiro trimestre, devemos ver o crescimento começar a acelerar”, escreveram analistas da ING. Porém, alguns economistas observaram que as economias asiáticas dependentes de comércio estão mais sensíveis agora às tendências de crescimento na China do que nos EUA.
Na Europa, a agência de classificação de risco Moody’s reduziu na quinta-feira (horário local) a nota de crédito da Grécia ainda mais fundo na categoria “junk” devido à incerteza sobre se o endividado país poderá alcançar a tempo um acordo com seus credores internacionais para cumprir os próximos vencimentos da dívida.
Entre os dados econômicos, a zona do euro encerrou quatro meses de deflação em abril com estabilidade dos preços ao consumidor em relação aos níveis do ano anterior, indicando que o risco de persistentes quedas de preço está diminuindo. Os preços ao consumidor nos 19 países que compartilham o euro ficaram inalterados em abril sobre o ano anterior, como esperado, após recuo de 0,1% em março, projetou a agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat.
(Com Reuters)