Ibovespa dispara 900 pontos na “hora do almoço”; essa alta é consistente?

Segundo Thiago Souza, da XP Investimentos, alta depois dos payrolls nos EUA não deve durar se não houver mudança no cenário interno

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SÃO PAULO – O Ibovespa sinalizava mais um dia de queda na manhã nesta sexta-feira (7), com o mercado mostrando-se decepcionando com o baixo reajuste de preços anunciado pela Petrobras na noite anterior. No entanto, o mercado mudou completamente de rumo na “hora do almoço”: entre 12h e 13h, o benchmark da Bolsa brasileira disparou cerca de 900 pontos, indo de 52.300 para 53.200 pontos, passando de queda de 0,6% para alta de 1,0%. Neste momento, às 13h48 (horário de Brasília), o índice subia 0,88%, a 53.100 pontos.

O que provocou essa reviravolta na Bovespa em um momento tão “improdutivo” do mercado? Muitos analistas e operadores alertam para a maior volatilidade que a renda variável apresenta na hora do almoço – já que este é o horário que os traders costumam… almoçar. Embora muito óbvio, a ausência dos traders diminui a liquidez da Bolsa – em outras palavras, diminui o número de compradores e vendedores -, o que torna o preço das ações mais vulnerável a oscilações de curto prazo. Seria isso o motivo para a reversão de tendência do Ibovespa nesta sexta-feira?

Segundo o analista da XP Investimentos, Thiago Souza, o movimento se deu por conta dos payrolls nos Estados Unidos. Desaceleração da queda do desemprego na maior economia do mundo é um sinal negativo para a economia dos EUA, mas também sinaliza que o Federal Deserve poderá esperar mais antes de subir os juros básicos. É sempre bom lembrar que quanto mais altos os juros na economia mais segura do mundo, menos atraentes são os ativos em economias emergentes como a brasileira. Ainda mais porque a metade dos investidores da Bovespa são estrangeiros. 

Ontem (6), o governo anunciou o tão aguardado reajuste dos preços dos combustíveis. A gasolina terá aumento de 3%, enquanto o diesel ficará 5% mais caro. Apesar disso, segundo a XP Investimentos, “o reajuste ajuda, mas não resolve o problema da Petrobras”. As ações ON e PN da estatal (PETR3; PETR4), que chegaram a cair 3%, registram ganhos perto de 3% no início desta tarde.

 Destaque ainda para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,42% em outubro, frente à alta de 0,57% no mês anterior. Alta foi menor que a esperada pelo mercado de que em 12 meses ficasse em 6,65%, índice continua acima do teto da meta, mas com variação positiva de 6,59% neste período.

Destaques
A empresa de educação Estácio (ESTC3) encerrou o terceiro trimestre com um lucro líquido de R$ 133 milhões, alta de 54,1% em relação ao mesmo trimestre de 2013. Já a receita operacional líquida totalizou R$ 624,8 milhões no trimestre, um aumento de 42,6% na comparação anual como resultado do crescimento da base de alunos e da variação positiva no ticket médio presencial. Apesar disso, ação da empresa caía 3,22%, a R$ 28,55 depois de subir nas três últimas sessões. 

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Quem também cai são as ações da ALL (ALLL3; -3,17%, a R$ 6,41) e BR Properties (BRPR3; -4,82%, a R$ 11,06). As duas empresas foram retiradas pelo Morgan Stanley do MSCI. Fundos de Investimento que seguem o índice global devem reduzir exposição aos papéis das companhias, exercendo pressão vendedora. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 PETR3 PETROBRAS ON 14,08 +3,91
 USIM5 USIMINAS PNA 5,67 +3,85
 CESP6 CESP PNB 26,16 +2,99
 CCRO3 CCR SA ON 17,31 +2,97
 PETR4 PETROBRAS PN 14,47 +2,92

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRPR3 BR PROPERT ON 11,06 -4,82
 RLOG3 COSAN LOG ON 3,60 -4,26
 ESTC3 ESTACIO PART ON 28,55 -3,22
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 6,41 -3,17
 EVEN3 EVEN ON 4,84 -3,01

Cenário externo
Bolsas americanas caem após relatório de emprego nos EUA. Índice abaixo do esperado mostra uma provável desaceleração da maior economia do mundo. Dado afeta positivamente a Bolsa brasileira porque gera uma expectativa de que o Federal Reserve espere mais antes de subir os juros básicos nos Estados Unidos.

Divulgado às 11h30 (horário de Brasília), relatório da maior economia do mundo mostrou que o número de empregos gerados nos EUA chegou a 214 em outubro, uma queda em relação aos dados revisados de setembro (256 mil) e bem abaixo do esperado pela média das projeções compiladas pela agência Briefing (235 mil). Já a taxa de desemprego recuou de 5,9% para 5,8% entre setembro e outubro, contra expectativa de estabilidade.

Enquanto a Ásia registrou queda, com investidores cautelosos e aguardando a divulgação dos dados sobre emprego nos Estados Unidos mais tarde, o dia é de alta na Europa, com o mercado ainda repercutindo a fala do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que acalmou o mercado ao destacar que irá manter políticas mais frouxas enquanto for preciso. Por outro lado, a expectativa sobre os dados norte-americanos segue no radar.  

Espera-se ganhos sólidos no mercado de trabalho norte-americano, e que podem aumentar a especulação de que o Federal Reserve, banco central do país, poderia elevar os juros nos EUA na metade do ano que vem. “O mercado está posicionado para um número grande”, disse o estrategista-chefe de mercado da IG Markets Chris Weston, em nota. 

O índice da bolsa japonesa Nikkei fechou em alta de 0,52%, tendo alta de 2,8% na semana depois do anúncio de novas medidas de estímulo pelo governo japonês. 

Outro dado mais animador na Europa foi a alta de 5,5% nas exportações da Alemanha, que haviam se desacelerado em agosto.

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