Ibovespa dispara 1,9% e quebra sequência de 2 quedas, com disparada de Petrobras

Estatal tem alta apesar de resultados ruins e índice se descola do exterior, que teve ganhos mais modestos; dólar cai 0,54%

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SÃO PAULO – Depois de registrar duas baixas seguidas, o Ibovespa terminou a segunda-feira (11) com expressivos ganhos de 1,87%, a 56.613 pontos. Contribuindo para o dia positivo apareceram as ações da Petrobras (PETR3, R$ 18,77, +3,47%; PETR4, R$ 20,14, +4,30%), surpreendendo o mercado após a divulgação de seu balanço, feita na noite da sexta-feira (8). Apesar do lucro 20% menor na comparação trimestral, algumas novas sinalizações de reajuste além do dia positivo lá fora ofuscaram os números ruins da petrolífera. Seguiu no radar a nova pesquisa Sensus, que pode ser divulgada a partir de amanhã. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 5,39 bilhões.

Apesar do resultado abaixo do esperado, a XP Investimentos apontou que a expectativa agora é em relação a um possível reajuste de preços de combustíveis, lembrando que a conta abastecimento segue sendo a principal responsável por corroer o lucro da estatal. Em entrevista à Folha de S. Paulo, José Eduardo Dutra, diretor corporativo da estatal, disse que a companhia trabalha com cenário de reajuste, mas não fez previsão de quando deve ocorrer. Na mesma linha, a Guide Investimentos disse que a possibilidade de reajuste de gasolina (e óleo diesel) ganha espaço com um IPCA de julho abaixo do esperado – quase zero. Para a corretora, o reajuste pode vir após as eleições.

No segundo trimestre, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 4,959 bilhões, abaixo das expectativas dos especialistas, que projetavam um lucro entre R$ 5,3 bilhões e R$ 7 bilhões. De acordo com comunicado da companhia, o resultado refletiu uma maior despesa financeira líquida, maiores despesas com impostos, que no primeiro trimestre incluiu o reconhecimento de alguns créditos fiscais na Holanda, compensados parcialmente pelo maior lucro operacional.

Além da Petrobras, a Gafisa (GFSA3, R$ 3,17, +4,62%) registrou seus números para o segundo trimestre, com um prejuízo de R$ 851 mil no período. As ações registram ganhos de 3%. Em teleconferência realizada hoje sobre o resultado, o presidente da empresa, Sandro Gamba, disse que os lançamentos do segmento voltado a imóveis de médio e alto padrão da incorporadora Gafisa devem somar R$ 350 milhões no terceiro trimestre, se mantendo próximo do nível dos três meses anteriores.

Acompanhando a tendência de correção do índice nesta sessão, também contribuíram para a disparada do índice os ganhos das empresas do setor financeiro – com Bradesco (BBDC3, R$ 36,21, +3,52%; BBDC4, R$ 34,95, +2,79%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,64, +1,83%) se destacando -, além de Usiminas (USIM5, R$ 8,44, +3,05%), Ambev (ABEV3, R$ 15,87, +1,08%) e BM&FBovespa (BVMF3, R$ 12,44, +3,24%).

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GFSA3 GAFISA ON 3,17 +4,62 -8,15 24,59M
 PETR4 PETROBRAS PN 20,14 +4,30 +25,49 695,61M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 11,36 +4,12 +7,46 11,80M
 BBDC3 BRADESCO ON EJ 36,21 +3,52 +15,27 66,58M
 PETR3 PETROBRAS ON 18,77 +3,47 +21,58 218,60M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 1,32 -2,22 -63,23 45,10M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,43 -2,05 -20,99 13,03M
 RSID3 ROSSI RESID ON 1,31 -1,50 -35,78 2,60M
 MMXM3 MMX MINER ON 1,39 -1,42 -66,90 1,55M
 CCRO3 CCR SA ON 17,56 -1,18 -0,85 59,77M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,14 +4,30 695,61M 862,01M 40.863 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 35,64 +1,83 299,89M 369,20M 21.497 
 VALE5 VALE PNA 28,46 +1,07 218,85M 322,33M 21.665 
 PETR3 PETROBRAS ON 18,77 +3,47 218,60M 293,76M 17.876 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 34,95 +2,79 184,42M 241,90M 17.283 
 UGPA3 ULTRAPAR ON 54,00 +2,18 169,89M 55,40M 11.436 
 ITSA4 ITAUSA PN 9,62 +1,91 145,52M 110,55M 25.885 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 15,87 +1,08 141,35M 202,76M 21.520 
 VALE3 VALE ON 31,84 +0,73 125,30M 114,53M 10.638 
 ESTC3 ESTACIO PART ON 27,45 -0,22 113,96M 82,61M 17.249 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

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Outros destaques
As principais bolsas mundiais registraram alta. Neste pregão, os benchmarks asiáticos foram impulsionados após a inflação na China ficar abaixo da meta em julho, abrindo mais espaço a estímulos na economia, o que impulsiona os papéis de Vale e siderúrgicas neste pregão. Já na Europa, os índices subiram pela primeira vez em quatro sessões, após as tensões envolvendo Ucrânia e Rússia diminuírem. O índice alemão DAX foi o destaque de alta, com ganhos de 1,91%.

Ainda no cenário geopolítico, Israel e Gaza concordaram com cessar-fogo. No Iraque, o premiê do país, Nouri al-Maliki, mobiliza tropas e tanques em Bagdá, enquanto resiste ao pedido do presidente dos EUA Barack Obama por governo mais inclusivo. Na maior economia do mundo, os três principais índices acionários apresentaram ganhos entre 0,1% e 0,7%.

Enquanto isso, o dólar acompanhou o cenário de maior apetite por riscos dos investidores no mercado e fechou o dia com queda de 0,54% ante o real, cotado a R$ 2,2745 na venda. Vale lembrar que, na semana anterior, a moeda americana acumulou expressivos ganhos.

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Já no Brasil, a agenda de resultados continuou movimentada e têm programada a divulgação de 15 resultados, todos após o fechamento das negociações. Nesta sessão, a Petrobras deveria repercutir a queda inesperada no lucro da empresa, mas os dados foram ofuscados pelas novas sinalizações do governo de que os preços dos combustíveis possam subir, apesar de não ser definida uma data. A petrolífera teve lucro líquido de R$ 4,959 bilhões no segundo trimestre do ano, queda de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O mercado ficou ainda de olho no Focus. A expectativa de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014 diminuiu para 0,81%, ante 0,86% da semana anterior – esta é a 11ª semana consecutiva que os economistas diminuem as estimativas para o crescimento da atividade econômica brasileira. Para 2015, os economistas também cortaram a projeção do PIB, para 1,20%, ante 1,50% na semana anterior.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.