Fechamento do mercado

Ibovespa destoa do exterior e cai 1,3% com apreensão política; dólar sobe para R$ 4,13

Índice chegou a subir pela manhã, mas virou para o negativo, enquanto bolsas americanas subiram mais de 1%

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Painel de cotações (Shutterstock)

SÃO PAULO – O que apontava para ser uma sessão positiva para o Ibovespa durante a manhã, voltou a ser mais uma de forte queda para a bolsa brasileira, destoando do dia de alta expressiva das bolsas americanas, com o Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 subindo mais de 1%.

O bom humor externo se deu pelas falas mais brandas de Donald Trump, presidente dos EUA, sobre a guerra comercial com a China, ao comentar sobre a grande possibilidade de chegar a um acordo entre os dois países. 

Depois de chegar a subir 0,79%, o Ibovespa virou para queda no início da tarde, fechando com forte queda de 1,27%, a 96.429 pontos. O volume financeiro ficou em R$ 14,444 bilhões.

Enquanto isso, o dólar voltou a subir, com o contrato futuro da divisa em alta de 0,75%, a R$ 4,153. Já o dólar comercial fechou com valorização de 0,37%, cotado a R$ 4,1396 na venda.

De acordo com um gestor ouvido pelo InfoMoney, boa parte do movimento ocorre pela falta do investidor estrangeiro na bolsa. Após ter a sua saída compensada pela entrada do investidor local, que trocou as aplicações de renda fixa pela variável em meio à queda de juros, agora a bolsa ver esse movimento cessar. Veja mais sobre a saída dos estrangeiros da bolsa clicando aqui

O mesmo movimento acontece no mercado de câmbio, com apenas uma troca de mãos entre os investidores locais. Ao explicar o pior desempenho do real frente outras moedas emergentes (é a terceira pior moeda entre as emergentes), o gestor ressalta que outros países estão mais atrativos para os investidores externos. 

“Para emergentes, há a máxima de ganhar ou com crescimento ou com juros – e o Brasil não está atrativo para nenhum dos dois”, aponta o gestor. Atualmente, avalia, México, com taxas de juros mais altas (de 8% ante 6% no Brasil), possui condições mais atrativas no momento para os investidores brasileiros. 

Gerou ruído no mercado também, ainda que em menor grau, a declaração do presidente de que “está para estourar” uma denúncia contra alguém próximo a ele. “Não adianta fazer essa campanha pesada contra minha pessoa, contra minha família. Agora contra que tá do meu lado também, que está para estourar um problema aí… Problema não, uma falsa acusação a uma pessoa importante que tá do meu lado. É o tempo todo assim”, disse Bolsonaro a jornalistas.

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Os investidores ainda digerem a pesquisa realizada pela CNT/MDA divulgada nesta manhã, que mostrou que a avaliação negativa do governo Jair Bolsonaro saltou de 19% em fevereiro para 39,5% este mês. Enquanto isso, a avaliação positiva caiu de 38,9% para 29,4% no mesmo período de tempo.

No caso da avaliação pessoal de Jair Bolsonaro, a aprovação recuou de 57,5% para 41%, enquanto a desaprovação do presidente foi de 28,2% para 53,7% entre fevereiro e agosto.

Enquanto isso, apenas 9,5% dos entrevistados acreditam que o presidente está cumprindo totalmente suas promessas de campanha, enquanto outros 45,4% afirmam que ele está cumprindo em partes. Outros 40% dizem que Bolsonaro não está cumprindo suas promessas. 5,1% não souberam ou não responderam.

Por fim, os investidores por aqui também seguem a sessão de queda do petróleo que impacta ativos como o da Petrobras. Isso porque, além da China, Trump também baixou o tom em relação ao Irã, após o americano dizer que pode se reunir com o presidente iraniano.

Destaques de ações
No noticiário corporativo, destaque para a Itaúsa Investimentos, que ofereceu cerca de R$ 3,5 bilhões (US$ 850 milhões) à distribuidora de gás de botijão da Petrobras, a Liquigás. A Petrobras esperava que os lances chegassem a R$ 2,8 bilhões, segundo fontes.

Fora do Ibovespa, o destaque ficou para as units do BTG Pactual (BPAC11, R$ 46,46, -18,48%), que caíram quase 20% após o site Antagonista publicar notícia em que afirma que a Polícia Federal está investigando a instituição financeira por “esquemas extremamente sofisticados de lavagem de dinheiro”.

As informações que deram origem à investigação são de 2016 e partiram de um informante ligado ao BTG, que acusa a instituição de ter uma espécie de “Departamento de Operações Estruturadas”, que seria responsável pela lavagem de dinheiro.

O setor, de acordo com o informante, “tinha como objetivo criar ferramentas e procedimentos que permitissem tanto ao próprio banco como a clientes específicos a manipulação artificial do resultado financeiro de entidades (pessoas) jurídicas”.

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O banco, em comunicado ao mercado, esclareceu que tal matéria faz menção a relatos apócrifos feitos em junho de 2016, sendo que o Banco nega veementemente qualquer irregularidade. “Esclarece, ainda, que as operações mencionadas são fantasiosas, jamais poderiam ter sido sequer registradas nos sistemas de negociações existentes no Brasil e não teriam sido passado de forma despercebida pelas diversas auditorias e reguladores aos quais o Banco se submete”, afirmou.

Em rápida teleconferência, presidente do BTG, Roberto Sallouti, destacou que nenhum item mencionado do processo preocupa a instituição e que não há ainda processo, denúncia ou indiciamento. “Com o passar do tempo, tudo será esclarecido”, afirmou.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 MRVE3 MRV ON17,65-5,77+45,8889,02M
 QUAL3 QUALICORP ON28,07-5,49+124,2052,58M
 VVAR3 VIAVAREJO ON6,48-4,57+47,61186,31M
 KROT3 KROTON ON ED9,85-4,09+12,33130,17M
 SMLS3 SMILES ON36,40-3,83-10,6940,48M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 ENBR3 ENERGIAS BR ON19,29+1,10+38,03113,37M
 CIEL3 CIELO ON7,30+0,83-13,8983,01M
 JBSS3 JBS ON27,73+0,29+139,28283,53M
 YDUQ3 YDUQS PART ON30,83+0,16+32,8585,03M
 SUZB3 SUZANO S.A. ON28,04+0,14-25,56199,99M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N223,96-1,32851,02M1,25B51.165 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED33,14-0,03583,29M776,59M35.306 
 VALE3 VALE ON42,80-1,11557,69M979,69M29.080 
 B3SA3 B3 ON42,30-3,49556,99M426,24M33.713 
 BBDC4 BRADESCO PN31,64-1,03505,47M786,21M31.634 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON33,70-0,24318,48M270,25M24.353 
 BBAS3 BRASIL ON ERJ44,74-0,47305,94M495,27M19.987 
 ITSA4 ITAUSA PN ED11,83-0,42305,33M271,95M32.357 
 PETR3 PETROBRAS ON N226,41-1,31303,70M285,41M20.913 
 ABEV3 AMBEV S/A ON18,09-1,31298,56M508,25M27.655 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Trump anima mercados – lá fora
Mais cedo, a manhã foi de ânimo para a B3 após o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer durante reunião do G7 que as perspectivas de um acordo com a China são melhores agora do que em qualquer momento desde que as negociações começaram no ano passado. 

Ainda sobre o G7, Trump disse ontem à noite que a China ligou para o pessoal do comércio dos EUA. Ele também elogiou o presidente Xi Jinping como um “grande líder”. 

Vale ressaltar que, na sexta-feira, a retaliação da China a uma elevação tarifária anterior nos EUA levou a outro anúncio de aumento por Trump, que disse que as tarifas existentes de 25% sobre cerca de US$ 250 bilhões em importações da China aumentariam para 30% em 1º de outubro. Os investidores, apesar de se animarem com Trump amenizando o tom, seguem o tom de cautela esperando pelos próximos passos da disputa comercial. 

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Ao mesmo tempo, dados econômicos voltaram a mostrar o efeito da guerra comercial, com a desaceleração da atividade nos países da OCDE e com a confiança dos negócios na Alemanha se deteriorando mais do que o esperado em agosto, atingindo o menor nível em quase sete anos. 

Amazônia e tensão com Macri
Também na reunião das sete maiores economias do mundo, os Chefes de Estado e governos dos países acordaram sobre o envio de ajuda aos países afetados pelos incêndios na Região Amazônica “o mais rápido possível”, sem que haja comprometimento da soberania, conforme declarou o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron. Segundo o presidente francês, os líderes do G7 vão providenciar 20 milhões de euros (cerca de R$ 91 milhões) de ajuda emergencial para combater os incêndios na Amazônia. 

Contudo, o ambiente entre Macron e Bolsonaro segue de tensão. O presidente da França atacou o presidente Jair Bolsonaro ao dizer que ele envergonhava seu país ridicularizando a aparência física da primeira-dama francesa. Macron disse que o comentário de Bolsonaro, sobre uma comparação entre Brigitte Macron e a primeira-dama brasileira, mais jovem, foi “extraordinariamente desrespeitoso com minha esposa” e que ele esperava que o povo brasileiro tivesse logo um líder digno.

No domingo, um post no Facebook mostrava fotos de Brigitte, de 66 anos, ao lado da esposa de 37 anos do presidente brasileiro com a pergunta: “Entende agora pq Macron persegue Bolsonaro?”.