Bolsa

Ibovespa despenca 3,6% e tem o pior pregão desde o começo do rali da Lava Jato

Chance de impeachment fica menor se ex-presidente assumir ministério; exterior cai após decisão do banco central japonês

SÃO PAULO – O Ibovespa fecha em queda nesta terça-feira (15), um pregão de baixa para praticamente todas as ações, exceto as de perfil defensivo ou que se beneficiam da alta do dólar. O movimento foi causado pelas notícias de diversos jornais dando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como novo ministro da Secretaria do Governo, pasta que está atualmente sob o comando de Ricardo Berzoini. O ex-presidente está a caminho de Brasília desde às 15h (horário de Brasília), e deve acertar com Dilma os detalhes do novo cargo antes de ser oficialmente anunciado. 

O benchmark da bolsa brasileira caiu 3,56%, a 47.130 pontos, tendo o seu pior pregão desde o início do rali da Lava Jato. A queda foi a maior desde 2 de fevereiro deste ano, quando a Bolsa caiu 4,87% a 38.596. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 8,280 bilhões. Já o dólar comercial fechou em alta de 3,03% a R$ 3,7630 na venda, enquanto o dólar futuro para abril teve ganhos de 2,59% a R$ 3,776. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera em alta de 5 pontos-base a 13,88%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 36 pontos-base a 14,64%. 

Também saíram notícias de que o relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, homologou a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). A delação trouxe fatos inéditos e com grande potencial de prejudicarem o governo como uma gravação na qual o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, supostamente tentaria comprar o silêncio de Delcídio no âmbito da Lava Jato. 

Segundo Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, o motivo preponderante para alta do dólar e do DI e baixa do Ibovespa hoje é a possibilidade de Lula ir para um ministério de Dilma. “Mas também não se sabe quanto a delação de Delcídio vai afetar impeachment e pós-impeachment”, diz. Ela vê as delações explosivas tanto para o governo quanto para a oposição deixando o quadro extremamente imprevisível. “Nem para o oposição, nem para PMDB, isso poderia ser algo positivo. O PMDB me parece bastante envolvido”, afirma. 

Já para Cassiano Leme, gestor da Constância Asset, todas as notícias que fragilizam o governo vão ser interpretadas de forma positiva na Bolsa e vice-versa. O cenário político domina totalmente o mercado. “É um panorama muito complexo. O mercado vai ser muito volátil e confuso nos próximos dias. A Lava Jato deve continuar revelando fatos enormes e bombásticos com delações de executivos da OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e também de Mônica Moura, a mulher do publicitário João Santana”, explica o gestor. 

Lá fora, as bolsas internacionais caíram após o banco central japonês traçar um cenário mais pessimista para a segunda maior economia da Ásia e não acenar com um aumento de estímulos que animasse o mercado. 

Lula perto de se tornar ministro
A ala petista já dá como certo que Lula aceitará o convite, segundo coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. O Valor Pro também diz que a nomeação de Lula para o ministério é dada como certa. 

Porém, Lula teria imposto condições: só toma posse depois de uma conversa franca nesta terça e com garantias de que a política econômica mudará. Em um primeiro momento, a entrada de Lula levaria a uma guinada do governo à esquerda, de forma a fazer com que houvesse uma reconexão com as bases sociais. 

Uma destas propostas seria o uso das reservas internacionais apesar do que o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse recentemente. “Essa perspectiva de queima de reserva pra investimento está descartada. Se for o caminho, será para pagar dívida, há uma reflexão sobre isso, mas nenhuma decisão a respeito”, afirma Wagner. A cúpula do PT e Lula insistem na necessidade de o governo usar um terço dos US$ 372 bilhões das reservas internacionais para a criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento e Emprego. Dilma e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, no entanto, sempre resistiram à ideia.

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Segundo o Estado de S. Paulo, o Palácio do Planalto só espera que Lula chegue ao Distrito Federal para acertar os detalhes do novo cargo com Dilma e, então, seja oficializada a nomeação. O ex-presidente deve chegar perto das 17h. As especulações são de que a pasta oferecida a Lula seja a Secretaria de Governo, atualmente sob a gestão de Ricardo Berzoini.

Delcídio
Em seu acordo de delação premiada, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) acusou o ministro Aloizio Mercadante de lhe oferecer ajuda financeira, política e jurídica em troca de seu silêncio, de acordo com informações da revista Veja. Segundo Delcídio, Mercadante agira a mando de Dilma. Nos diálogos aos quais a revista teve acesso, o ministro da Educação oferece ajuda financeira à família de Delcídio e promete usar a influência política do governo junto ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal para tentar evitar a cassação do senador e conseguir sua libertação. Segundo a revista, Mercadante deixa claro ao assessor que vai tentar “construir com o Supremo uma saída” para Delcídio, citando até o ministro do STF Ricardo Lewandowski. O ministro afirmou que o presidente do Supremo poderia libertar o senador por meio de liminar, durante o fim do recesso do Judiciário. 

STF mantém denúncia com Moro
O STF decidiu manter a investigação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, com o juiz federal Sérgio Moro, segundo informações da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo

Ontem, a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira encaminhou a denúncia contra Lula por suspeitas dos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no caso do triplex do Guarujá (SP), apresentado pelo Ministério Público de São Paulo, ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, em Curitiba. 

Ações em destaque
Em queda hoje estiveram os mesmos papéis que dispararam nas últimas duas semanas com o chamado rali do impeachment. Destaque para Petrobras (PETR3, R$ 8,91, -6,60%; PETR4, R$ 6,61, -10,68%), que além do cenário político sofreu com mais um recuo do petróleo, com o barril do WTI (West Texas Intermediate) caindo 2,04% a US$ 36,42, enquanto o barril do Brent registra perdas de 1,92% a US$ 39,39. 

Também sofreram com o cenário político os papéis de bancos, como ficou claro pelas quedas de Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,75, -4,44%), Bradesco (BBDC3, R$ 28,09, -5,33%; BBDC4, R$ 25,20, -5,26%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,50, -21,17%). Somando a participação das quatro ações, temos por volta de 20% do peso da carteira teórica do Ibovespa. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BBAS3 BRASIL ON EJ17,50-21,17+19,44
 GOAU4 GERDAU MET PN1,63-18,91-1,81
 USIM5 USIMINAS PNA1,56-15,68+0,65
 CSNA3 SID NACIONALON6,08-12,14+52,00
 RUMO3 RUMO LOG ON2,88-11,93-53,85

 

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As ações da Vale (VALE3, R$ 13,48, +0,30%; VALE5, R$ 9,69, -0,10%) terminaram a sessão entre perdas e ganhos em meio ao mau humor do mercado e forte queda do minério de ferro lá fora. A commodity negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza fechou em queda de 4,81%, a US$ 52,88 a tonelada seca. Com a queda de hoje, o minério já devolveu todo o rali de 20% que fez na segunda-feira da semana passada. Na época, os analistas disseram que não havia fundamentos para a disparada.  Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 4,97, -1,19%), holding que detém participação na Vale. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 SUZB5SUZANO PAPELPNA13,89+8,94-25,68
 FIBR3FIBRIA ON34,70+7,60-33,13
 EMBR3EMBRAER ON23,28+3,33-22,89
 KLBN11KLABIN S/A UNT N220,43+2,05-12,88
 ABEV3AMBEV S/A ON18,30+1,44+3,24

 

 

 

O dia de alta do dólar frente ao real favoreceu as exportadoras, que foram tão penalizadas nesse começo de ano. Entre as maiores altas do Ibovespa, estiveram os papéis do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 34,70, +7,60%), Suzano (SUZB5, R$ 13,86, +8,71%) e Klabin (KLBN11, R$ 20,39, +1,85%), além da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 23,27, +3,28%). 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4PETROBRAS PN6,61-10,68698,49M
 ITUB4ITAUUNIBANCOPN30,75-4,44682,00M
 BBAS3BRASIL ON EJ17,50-21,17658,07M
 BBDC4BRADESCO PN25,20-5,26399,75M
 BVMF3BMFBOVESPA ON14,53-4,97374,28M
 VALE5VALE PNA9,69-0,10286,34M
 ITSA4ITAUSA PN7,95-6,25255,12M
 PETR3PETROBRAS ON8,91-6,60238,00M
 ABEV3AMBEV S/A ON18,30+1,44219,16M
 BBSE3BBSEGURIDADEON27,60-9,92215,61M

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* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Pnad Contínua
Às 9h, foi divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) relativa a dezembro de 2015. A pesquisa produz informações contínuas sobre a inserção da população no mercado de trabalho e suas características, tais como idade, sexo e nível de instrução. A taxa de desemprego averiguada pela Pnad cresceu 9%, ante expectativas de um avanço para 9,2% no último mês do ano passado. Em novembro a taxa de desemprego era de 9%. 

Votação da “bomba de R$ 300 bilhões”
Ocorre hoje a votação em turno único do projeto de Decreto Legislativo nº 315-A: a mudança no cálculo da renegociação da dívida de estados e municípios. A lei prevê a troca do índice de IGP-DI, mais 6% a 9% ao ano, para IPCA mais 4% ao ano ou a Selic (taxa básica de juros da economia). O Decreto 8.616, editado no fim do ano passado, aplica a Selic acumulada de forma composta, os chamdos juros sobre juros. A proposta do deputado Esperidião Amin (PP-SC) revoga essa mudança do decreto. Para Evandro Buccini, economista da Rio Bravo Investimentos, a estratégia ideal da oposição é adiar a votação, já que dificilmente os partidos oposicionistas vão aprovar uma medida tão custosa para o Orçamento. “Não acho que passe, mas a própria base aliada pode ter um risco junto com a oposição”, afirma. Para ele, uma aprovação teria um efeito extremamente negativo para o mercado financeiro, já que pioraria ainda mais a situação das já debilitadas contas públicas brasileiras. Estima-se que o impacto estaria em aproximadamente R$ 300 bilhões. 

PMDB e PSDB
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o senador Aécio Neves afirmou que o PMDB e o PSDB tratam do pós-Dilma. Segundo ele, o apoio ao próximo governo é por uma agenda de reformas.

Banco Central do Japão
Em reunião encerrada hoje, o BoJ optou por manter a política monetária inalterada, segundo o presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, é preciso mais tempo para avaliar de perto os efeitos de taxas de juros negativas. Ele não descartou agir novamente no futuro, mas descartou mudanças no curto prazo. A reunião teve alguns ajustes na política de juros negativa, como a isenção da taxa negativa de depósitos individuais para operações com ações, e a diminuição de encargos de bancos comerciais, em caso da captação de novos créditos dos programas especiais de empréstimos.

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