Fechamento

Ibovespa descola do exterior e fecha primeiro pregão do ano em queda de 0,86%; dólar avança 1,56%

Bolsa brasileira derrapa por conta de cenário interno, enquanto índices americanos fecham em suas máximas históricas

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa fechou o primeiro pregão do ano em queda de 0,86%, aos 103.921 pontos, impactado pela alta da curva de juros e também por novas ameaças fiscais, mesmo com Brasília ainda de recesso.

No primeiro caso, os contratos DI avançam, em parte, pelo fato de o Banco Central ter trazido, em seu Boletim Focus, a informação de que o mercado vê agora, para 2023, uma inflação em 3,41%, ante 3,38% na última semana. Além disso, os especialistas consultados também mantiveram a média das expectativas para a Selic neste ano em 11,50% – há duas semanas, a projeção era de 11,25%.

No segundo, fez peso na curva de juros e no Ibovespa as falas em que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), contesta o teto de gastos. Segundo ele, há um “excesso de arrecadação”, explicado em grande parte pelo avanço do comércio eletrônico, que o governo precisa gastar.

Entre outros pontos, Barros defendeu maiores gastos com a tragédia na Bahia e uma boa remuneração para o funcionalismo público, classe que vem ameaçando greve nas últimas semanas, buscando reajustes salariais.

O DI com vencimento em fevereiro de 2023 subiu 11 pontos-base, para 11,88%. O com vencimento em fevereiro de 2025, 29 pontos-base, para 10,89%. O com vencimento no segundo mês de 2029 também avançou 29 pontos-base, para 11%.

“Há um sinal claro de alta do risco Brasil, que foi motivada pelas falas do líder do governo. Há, entretanto, também renovadas apostas de uma maior alta da Selic para conter a inflação”, comentou Henrique Esteter, especialista de mercados do InfoMoney.

As piores baixas da bolsa brasileira foram de setores sensíveis à alta dos juros, como as construtoras e as companhias do varejo. A Cyrela (CYRE3) foi a pior queda do Ibovespa, recuando 7,67%. Multiplan (MULT3) e MRV (MRVE3) também figuraram entre as cinco maiores quedas, em baixa de, respectivamente, 6,78% e 5,75%. Nomes do varejo como Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) caíram 6,79% e 5,14%.

“O que ocorre quando temos elevação de juros é a queda de ativos relacionados a construção civil. Caem as construtoras, os fundos imobiliários e varejo, setor que também sofre com subida de juros devido ao crédito mais caro”, explicou Jason Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

Assim, houve baixa do índice apesar dos ganhos dos papéis de maior peso, incluindo Petrobras (PETR3;PETR4) e grandes bancos.

Este último setor foi impulsionado pela notícia de que o Governo não irá manter impostos a empresas financeiras a despeito da prorrogação da desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia. Inicialmente, o previsto era que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cobrada dessas instituições, sustentasse a medida.

Ibovespa fecha na direção contrária da dos índices americanos

O Brasil, com tudo isso, acabou por fechar na direção oposta da maioria dos importantes índices no exterior. Nos Estados Unidos, o Dow Jones futuros subiu 0,68%. O S&P 500, 0,64%. Ambos em suas máximas históricas para fechamentos. A Nasdaq, por sua vez, avançou 1,20%, esta ainda está um pouco aquém de seu topo.

Nessa semana, a publicação da ata do Fomc, na quarta, deve trazer informações importantes sobre a retirada de estímulos na economia americana.

“Mercados emergentes como o nosso sofrem mais com a retirada de liquidez, com os investimentos indo para fora do país. Ativos mais alavancados de países emergentes sofrem mais com esse aumento de juros.”, explicou Costa.

Isso explica parcialmente o fato de o dólar comercial ter avançado 1,56%, a R$ 5,662 na compra e a R$ 5,663 na venda, mesmo em dia de alta dos juros.

O analista apontou ainda para o fato de o PMI industrial nos EUA ter vindo aquém do consenso, o que “mostra que a economia não está tão pujante como se imaginava”. A leitura desse índice em dezembro veio em 57,7, ante 57,8 do consenso e 58,3 em novembro.

Nos EUA, nem mesmo a notícia de que a China não cumpriu metas de um acordo realizado com os EUA em 2020 em meio a uma guerra comercial, e quando Donald Trump ainda era presidente, e de que país bateu recorde de infectados em um dia (400 mil, no sábado), derrubaram as bolsas.

“Analistas acreditam que Joe Biden não irá escalar as tensões com a China. A Casa Branca pode reestabelecer algumas tarifas, mas o tiro pode sair também pela culatra, com a China reduzindo compras dos EUA ou reduzindo a entrada de empresas americanas em seu território”, comentou Esteter. “É claro que se não há punição, há abertura de precedentes. Não acho que não haverá resposta”.

Quanto à covid-19, a interpretação é a mesma que já circula há algum tempo: apesar do aumento dos infectados, o número de mortos não acompanha. Na África do Sul, país até então apontado como berço da nova variante Ômicron, o governo aboliu no sábado o toque de recolher por conta da baixa letalidade e da queda dos casos.

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