Fechamento

Ibovespa descola do exterior e fecha em baixa por risco fiscal; dólar se aproxima dos R$ 4,80

Investidores monitoram como o governo enfrentará a alta dos preços dos combustíveis e repercutem também divulgação de plano de governo de Lula

Por  Felipe Moreira -

A bolsa brasileira abriu em alta nesta segunda-feira (6), mas inverteu o sinal nas primeiras horas do pregão e fechou em baixa, com investidores cautelosos diante do imbróglio sobre os preços dos combustíveis. A pressão para que o Ministro da Economia, Paulo Guedes, encontre uma solução nos próximos dias gera preocupação com a situação fiscal do país.

Além disso, comentários são de que a publicação do plano de governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, atual primeiro colocado nas pesquisas eleitorais, não foi vista com bons olhos – uma vez que promete revogar reformas e acabar com o teto de gastos.

Na contramão, os principais índices de NY e dos mercados da Europa subiram, além da Ásia, onde as bolsas fecharam com valorização, respondendo à flexibilização dos lockdowns na China, o que aumenta a expectativa pelo aumento da demanda de commodities. Por aqui, o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostrou a criação de 196.966 empregos no país em abril, não foi suficiente para sustentar os ganhos do Ibovespa.

Felipe Moura, Analista Financeiro da Finacap, ainda atribui o recuo do índice a temores com a possível declaração de estado de calamidade pública, o que resultaria em maiores gastos faltando apenas quatro meses para as eleições.

O Ibovespa caiu 0,82%, aos 110.185 pontos, após oscilar entre 110.015 e 111.102 pontos. O volume financeiro foi de R$ 16,9 bilhões.

As ações da Raia Drogasil (RADL3) e da CSN Mineração (CMIN3) foram os destaques positivos, subindo, respectivamente, 2,68% e 1,94%, seguidas pelas ações da Locaweb (LWSA3) com ganhos de 1,69%.

Já as ações da Hapvida (HAPV3) e da Positivo (POSI3) recuaram, respectivamente, 6,15% e 6,13%, seguidas das ações da Méliuz (CASH3), com perda de 6,11%.

Segundo Moura, apesar de dados econômicos positivos nesta segunda-feira, a curva de juros para cima afetou o desempenho das empresas de consumo e de crescimento.

O dólar recuou na sessão de hoje (6) mesmo com a melhora no apetite por risco global após a redução de restrições sanitárias na China, em início de semana marcada pela reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e por dados de inflação nos EUA e no Brasil. A moeda americana subiu 0,37%, a R$ 4,796, após oscilar entre R$ 4,749 e R$ 4,807.

No aftermarket, às 17h04, os juros futuros operam em alta, com risco fiscal no radar dos investidores. O DIF23, +0,07 pp, a 13,45%; DIF25, +0,64 pp, a 12,50%; DIF27, +0,81 pp, a 12,40%; DIF29, +0,81 pp, a 12,48%.

Nos EUA, as bolsas fecharam em alta, com Wall Street tentando se recuperar de uma semana de perdas e navegando por um salto nos rendimentos do Tesouro.

O índice Dow Jones subiu 0,04%, aos 32.914 pontos. O S&P 500 avançou 0,31%, aos 4.121 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,40%, aos 12.061 pontos.

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