Resumo do mercado

Ibovespa desaba 3,5% e dólar dispara 2% com fala de Guedes e temores sobre a Previdência

Índice tem seu pior pregão desde fevereiro, enquanto o dólar rompeu o nível dos R$ 3,95

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SÃO PAULO – Após um breve alívio ontem, o Ibovespa voltou a repercutir os temores com a Reforma da Previdência no Brasil e a desaceleração da economia global, que abala as bolsas mundiais nesta quarta-feira (27). Em meio a crise entre o Planalto e o Congresso, os investidores também acompanham as falas do ministro da Economia Paulo Guedes no Senado.

Neste cenário, o benchmark da bolsa fechou com forte queda de 3,57%, aos 91.903 pontos – seu pior pregão desde o dia 6 de fevereiro, quando caiu 3,74% -, e batendo seu menor patamar desde 7 de janeiro. O volume financeiro ficou em R$ 17,818 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial disparou 2,27%, cotado a R$ 3,9545 na venda, ao passo que o dólar futuro com vencimento em abril subiu 2,11%, a R$ 3,959. O movimento da moeda brasileira acompanha o dos emergentes, em meio aos receios de elevação das taxas overnights pela Turquia. 

Os juros futuros também refletiram o cenário de maior aversão ao risco e registram alta dos seus principais contratos. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 teve alta de 18 pontos-base, a 7,29%, enquanto o de janeiro de 2023 subiu 25 pontos-base, para 8,52%.

Em audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Guedes falou sobre os rumores de sua saída do cargo caso a Reforma da Previdência não chegue a uma economia de R$ 1 trilhão.

“Eu respondo sempre a mesma coisa, que acredito em três coisas: dinâmica virtuosa da economia, que os Poderes vão fazer cada um o seu papel e que, se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver para o Brasil, eu estarei aqui”, destacou, para depois complementar: “mas se ou o Presidente ou a Câmara ou ninguém quiser aquilo […], eu voltarei para onde sempre estive”. 

“Eu estou aqui para servi-los. Se ninguém quiser o serviço, foi um prazer ter tentado”, disse destacando ainda não ter apego ao cargo, mas afirmando também não ter a inconsequência e a irresponsabilidade de sair na primeira derrota. 

Após as trocas de farpas entre o Planalto e o Congresso nas últimas semanas, Guedes disse que em nenhum momento esteve preocupado com “fofocas e fuxicos”. “Os Poderes são independentes e cada um tem que fazer o seu papel. Tenho fé inabalável de que todos estão se aprimorando, vão saber convergir para trabalhar pelo bem público. Estamos todos, governo, oposição, compreendendo nosso papel.” 

Leia também:
– Paulo Guedes: “não tenho apego ao cargo, mas não sou irresponsável”
– Ibovespa futuro fecha em queda de 4,9% e dólar futuro chega a R$ 4,00

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O noticiário sobre Reforma voltou a preocupar após a Câmara, em votação relâmpago, impor derrota ao governo de Jair Bolsonaro, aprovando com mais de 400 votos emenda que diminui a margem de manobra do governo com o orçamento. A votação repercutiu como um recado da Câmara ao governo sobre a postura de não negociar com partidos. 

Os indicadores de confiança também mostram o maior pessimismo da “economia real”. A FGV divulgou os dados de confiança do consumidor de março, que mostraram queda de 5,1 pontos na comparação com fevereiro na série com ajuste sazonal. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) desceu a 91,0 pontos, o menor nível desde outubro de 2018. É a segunda queda seguida, perdendo 5,6 pontos, após quatro meses consecutivos de avanço, período em que acumulou um aumento de 13,5 pontos.

Já no exterior, se ontem as principais bolsas mundiais registraram uma sessão de alívio, o pregão desta quarta é de maior cautela com os investidores voltando a esboçar preocupação com os sinais de enfraquecimento da economia global após a inversão da curva de juros dos Treasuries e novos indicadores decepcionantes.

No primeiro bimestre, o lucro de grandes empresas industriais da China sofreu queda anual de 14,1%, bem maior do que a redução de 1,9% vista em dezembro. Recentes dados fracos de manufatura de economias desenvolvidas também se somaram às preocupações. 

Vale destacar que, amanhã, funcionários de alto escalão dos governos da China e dos Estados Unidos iniciam uma nova rodada de discussões comerciais em Pequim. Na semana que vem, o diálogo sino-americano vai se transferir para Washington. 

Altas e baixas da bolsa

Em um dia de queda generalizada para a bolsa brasileira, bancos e estatais como Petrobras e Eletrobras registram queda de mais de 2%, enquanto os papéis de empresas exportadoras, como Suzano e Vale, conseguem registrar os melhores desempenhos da sessão. 

A mineradora, aliás, divulga resultados do quarto trimestre após fechamento dos mercados depois de informar, na véspera, aumento de 8,2% na base anual na produção de minério de ferro do trimestre e de 0,7% nas vendas.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 GOLL4 GOL PN N225,15-8,71+0,20146,80M
 USIM5 USIMINAS PNA9,49-7,41+3,74289,81M
 ELET3 ELETROBRAS ON33,50-7,23+38,26169,21M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON39,16-7,23-6,81217,91M
 CMIG4 CEMIG PN13,27-6,94-4,26322,21M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON47,47+1,87+24,66345,21M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N227,34-4,511,80B1,79B64.832 
 VALE3 VALE ON49,60-1,351,02B1,00B41.568 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN32,80-3,39921,02M654,61M59.133 
 BBDC4 BRADESCO PN40,18-3,46891,85M663,25M43.317 
 BBAS3 BRASIL ON46,40-5,54888,33M545,32M51.841 
 ABEV3 AMBEV S/A ON16,54-2,65537,06M415,00M59.954 
 ITSA4 ITAUSA PN11,43-4,99447,59M270,34M57.222 
 B3SA3 B3 ON EJ31,27-5,63440,10M309,96M38.195 
 PETR3 PETROBRAS ON N230,45-4,64373,03M388,59M18.224 
 SUZB3 SUZANO PAPELON47,47+1,87345,21Mn/d22.362 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

PEC do Orçamento e preocupação com Previdência
As preocupações com a Reforma da Previdência são renovadas após a Câmara dos Deputados, em votação relâmpago, impor uma derrota ao governo Jair Bolsonaro ao aprovar a PEC do Orçamento Impositivo. Tanto no primeiro quanto no segundo turno, houve placar expressivo. Na primeira votação foram 448 votos a favor, e 453 na segunda.

O Orçamento Impositivo significa que o governo terá de executar obrigatoriamente as despesas aprovadas pelo Legislativo. Atualmente, como o Orçamento é apenas autorizativo, a equipe econômica tem liberdade para redefinir algumas despesas. A proposta, porém, também obriga o governo a aplicar 1% da receita corrente líquida em emendas coletivas.

A medida amplia poder do Congresso e reduz o do governo na administração do orçamento é vista como um revés para o governo Bolsonaro, que enfrenta embate com presidente da Câmara e outros parlamentares, inclusive da base aliada.

Antes da votação, Rodrigo Maia disse que medida não era retaliação. “Acho que é o poder legislativo reafirmando as suas atribuições, e uma atribuição mais importante do legislativo é o orçamento”, disse o presidente da Câmara dos Deputados.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, este foi um recado ao governo, em reação à postura de Bolsonaro de não negociar com partidos. 

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Cronograma da Previdência na CCJ

Em meio ao impasse sobre a Reforma, o projeto da Previdência será votadaoa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara até 17 de abril, disse na noite desta terça-feira (26) o presidente da comissão, deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Acompanhado de deputados e líderes do partido, ele reuniu-se por uma hora e meia com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, para definir o posicionamento da legenda.

O presidente da CCJ disse que o relator da reforma da Previdência na comissão deve sair ainda esta semana. Ele não indicou se o deputado será do PSL, apenas disse que está trabalhando com diversos nomes. “Estamos construindo o relator em conjunto com o ministro Paulo Guedes e sua equipe, o ministro [da Casa Civil] Onyx [Lorenzoni] e com nossas lideranças do Governo na Casa. Acredito que terei boa notícia ainda esta semana. Estamos vendo o timing do relator. Estamos estudando alguns nomes”, disse.

Francischini justificou a decisão de Paulo Guedes de não comparecer à comissão enquanto não houver um relator escolhido para análise do projeto na CCJ. “O que o ministro entende é que é importante que haja um relator designado até a ida dele à comissão até para que ele esclareça algumas dúvidas do relator. Acho que é um ponto com bastante discernimento, e estamos avaliando essa questão”, disse.

Sobre a reivindicação de líderes de 13 partidos para a exclusão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural do texto em troca do apoio à reforma, a líder do Governo no Congresso Nacional, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), disse ter considerado a notícia positiva.

Segundo a deputada, diversos pontos podem ser retirados da proposta, desde que a economia final em dez anos fique em R$ 1 trilhão. A proposta foi enviada ao Congresso com economia prevista de que R$ 1,17 trilhão em dez anos, incluindo a reforma da Previdência dos militares. “Não podemos abrir mão do R$ 1 trilhão. Essa é a espinha dorsal. A gente não pode ter uma Previdência corcunda. Ela tem de ser ereta”.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)