Bolsa

Ibovespa deixa cautela por Copom e STF de lado e sobe forte puxado por bancos

Mercado aponta para dia de volatilidade na Bolsa, sem uma direção definida; DIs registram ganhos

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira (27), com os investidores mostrando otimismo pela alta do petróleo e perspectivas políticas. Apesar disso, ainda pode ser esperada alguma cautela antes das decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) e do Fomc (Federal Open Market Committee). No cenário doméstico, além da decisão de política monetária, está a espera pelo julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) da indexação das dívidas de estados e municípios, que pode gerar um impacto de R$ 400 bilhões no Orçamento. Já lá fora, as bolsas europeias fecharam em alta, mas os índices Dow Jones e S&P 500 têm leves quedas de olho no Fed. 

Às 12h42 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha alta de 1,57%, a 53.915 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 0,51% a R$ 3,5369 na venda, enquanto o dólar futuro para maio tem leve alta de 0,24% a R$ 3,544. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 5 pontos-base a 13,60%, ao passo que o DI cai 8 pontos-base a 12,70%. 

Copom
Hoje é o dia da decisão do Copom, que definirá a taxa de juros básica da economia brasileira. Economistas esperam que a Selic se mantenha em 14,25%, mas é preciso ficar atento ao comunicado, pois uma votação unânime, com votos a favor da manutenção pelos diretores de liquidações, Sidnei Corrêa Marques e de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, pode mostrar que haverá um relaxamento monetário em breve. Volpon e Corrêa são considerados os membros mais hawkish (agressivos, no sentido de elevar juros) do comitê. 

Fomc
Hoje também é o dia de decisão do Fomc, que definirá as taxas de juros básicas dos Estados Unidos. Após alguns dados fracos da economia norte-americana divulgados ontem como a queda na confiança do consumidor e as vendas de bens duráveis, espera-se que o comunicado seja um pouco mais dovish (moderado, no sentido de não aumentar juros) do que se previa antes. 

Julgamento da bomba fiscal
O ministro do STF, Luiz Edson Fachin, é relator de três mandados de segurança de estados que questionam a indexação das suas dívidas. Os estados querem evitar a aplicação da taxa básica de juros, a Selic, acumulada de forma composta (juro sobre juro) e pedem que o valor a pagar seja em juros simples. Ontem, o ministro da Fazenda Nelson Barbosa apresentou um novo cálculo sobre o impacto fiscal da mudança para juros simples se todos os estados forem autorizados a fazer a troca. Pelas contas da equipe econômica, o impacto seria de R$ 402 bilhões, bem superior aos R$ 313 bilhões estimados anteriormente, que usavam como base um cálculo da consultoria de Orçamento do Senado Federal com dados mais antigos. Serão analisados os casos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que já obtiveram liminares favoráveis à mudança na forma de cálculo. O julgamento da questão no plenário do Supremo está previsto para ocorrer hoje. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,14, +2,82%; PETR4, R$ 9,94, +2,79%), seguem em alta, acompanhando os preços do petróleo. Os ativos seguem a alta do barril pelo 2º dia, com o brent em alta de 0,57% a US$ 45,84. O WTI (West Texas Intermediate) sobe 0,23% e chega a US$ 44,14 após a API mostrar queda de estoques da commodity.  

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 GOAU4 GERDAU MET PN2,91+4,68
 USIM5 USIMINAS PNA ES2,51+4,58
 WEGE3 WEG ON15,12+4,20
 LREN3 LOJAS RENNERON ED20,58+3,99
 RENT3 LOCALIZA ON34,26+3,98

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes sobem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,39, +2,77%), Bradesco (BBDC3, R$ 29,05, +2,40%; BBDC4, R$ 26,65, +3,05%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,43, +3,13%) avançam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 19,06, +1,98%; VALE5, R$ 14,93, +0,81%) vira para alta apesar da queda do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao recuou de 2,7% a US$ 61,09.

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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 FIBR3FIBRIA ON32,15-3,16
 ESTC3ESTACIO PARTON11,80-2,80
 BBSE3BBSEGURIDADEON30,73-2,10
 JBSS3JBS ON9,21-2,02
 OIBR4OI PN1,05-1,87

 

PSDB e Temer
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a direção nacional do PSDB impôs condições ao vice-presidente Michel Temer para aderir a um eventual governo dele. A primeira delas é que qualquer conversa com o partido deve ocorrer em “caráter institucional”, o que significa dizer que o senador José Serra (SP) não é o único nome entre os tucanos a ser procurado pelo vice. A segunda e mais complexa é que Temer e o PMDB devem se manter distantes das eleições municipais deste ano em cidades que o PSDB considera prioridades eleitorais do partido. Na véspera, o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, mudou seu discurso e disse que o partido não deverá se opor a eventuais participações de membros em um futuro governo Temer.

Cenário externo
Na Europa, o vira para alta geral, com o DAX em alta de 0,43%, o FTSE com ganhos de 0,22% e o CAC 40 com ganhos de 0,38%, de olho no Fed. 

Apesar disso, os investidores ficam relativamente cautelosos de novo por conta da Grécia. A dívida pública do país disparou no mercado secundário depois do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, admitir que é necessário agendar um novo encontro do Eurogrupo para os próximos dias, com o objetivo de superar o impasse nas negociações entre os gregos e seus credores.

Já as ações chinesas terminaram esta quarta-feira em queda, com os dados fortes de lucro da indústria sendo compensados pelas crescentes dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação e preocupações sobre a restrição do governo à especulação nos mercados de commodities.

Os lucros das indústrias chinesas subiram 11,1% em março ante o ano anterior, mas o mercado deu de ombros para o dado favorável uma vez que a aparente recuperação econômica no primeiro trimestre já foi precificada, disseram operadores. No restante do continente, os mercados também caíram, com os investidores cautelosos antes das decisões dos bancos centrais do Japão e dos Estados Unidos, enquanto os preços do petróleo rondavam as máximas do ano.

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