Ibovespa dá sequência a ganhos da véspera e tem ligeiro avanço de 0,16%

Pregão volátil é marcado por agenda dos EUA e noticiário corporativo, com resultados do BB e Lojas Renner em destaque

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SÃO PAULO – Após atravessar uma quinta-feira (17) volátil, o Ibovespa fechou o pregão em ligeira alta de 0,16%, aos 67.684 pontos. Com esta performance, o índice deu sequência aos ganhos de 1,86% vistos na véspera. O giro financeiro do pregão ficou em R$ 5,97 bilhões.

Lá fora, indicadores mistos nos Estados Unidos colaboraram para o clima instável nos mercados. Enquanto dados da inflação, da atividade industrial na Filadélfia e o índice antecedente de atividade mostraram dados em linha ou melhores que o esperado, o número de pedidos de auxílio-desemprego desanimou.

Por aqui, repercutiu também a primeira grande batalha do Governo em 2011, que chegou com a aprovação do salário mínimo em R$ 545,00 na Câmara, e agora segue para discussão no Senado. A decisão, de um modo geral, pareceu ter agradado os analistas. Os resultados corporativos de Banco do Brasil (BBAS3) e Lojas Renner (LREN3) também estiveram no radar do mercado.

Destaques do Pregão
Na ponta positiva do Ibovespa, destaque para Redecard (RDCD3) e Cielo (CIEL3), que avançam 5,87% e 7,08% respectivamente. A Redecard anunciou a saída do diretor presidente Roberto Medeiros no dia 15 de abril, que será substituido por Claudio Takashi Yamaguti, atual diretor do Itaú Unibanco (ITUB4). Em comunicado, a empresa afirmou que ambos conduzirão uma agenda de transição nos próximos 60 dias, garantindo a continuidade dos projetos existentes.

Além disso, na véspera o Morgan Stanley elevou a recomendação das ações da Redecard e da Cielo para equal-weight (expectativa de performance em linha com o mercado), avaliando que as quedas recentes já refletem o aumento da concorrência no setor.

 As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CIEL3 CIELO ON 12,85 +7,08 -4,46 138,47M
 RDCD3 REDECARD ON 20,56 +5,87 -2,33 97,83M
 DTEX3 DURATEX ON EJ 17,11 +3,70 -3,80 12,78M
 CPLE6 COPEL PNB 41,69 +3,45 +0,46 73,52M
 USIM5 USIMINAS PNA 20,30 +3,36 +5,95 192,24M

Na outra ponta do índice, o pior desempenho ficou com os papéis ordinários da Usiminas (USIM3), com baixa de 4,25%. Estas ações seguem corrigindo a forte alta acumulada no ano, conforme o mercado reavalia o investimento realizado pela CSN (CSNA3) em papéis da Usiminas.

Os papéis PNA da siderúrgica, no entanto, aparecem entre os destaques positivos do Ibovespa. Além de corrigirem a diferença para as ações ordinárias, também receberam impulso da elevação da recomendação do Deutsche Bank, que passou de manutenção para compra.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM3 USIMINAS ON 26,81 -4,25 +25,57 35,58M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 18,72 -3,51 -16,91 84,61M
 TCSL3 TIM PART S/A ON 7,35 -3,29 +7,93 5,87M
 MRVE3 MRV ON 13,21 -2,58 -15,37 69,79M
 TCSL4 TIM PART S/A PN 6,08 -2,41 +10,34 18,14M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 50,61 +0,30 630,71M 688,40M 14.759 
 PETR4 PETROBRAS PN 27,25 -0,22 521,80M 654,73M 16.991 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 38,21 +0,95 361,63M 257,21M 17.238 
 BBAS3 BRASIL ON 31,23 -0,64 299,87M 186,79M 19.534 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 18,35 0,00 254,09M 384,75M 11.765 
 USIM5 USIMINAS PNA 20,30 +3,36 192,24M 109,41M 12.408 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,90 +1,97 178,20M 183,09M 13.595 
 VALE3 VALE ON 57,99 +0,14 170,58M 150,13M 6.245 
 CIEL3 CIELO ON 12,85 +7,08 138,47M 55,95M 12.225 
 BBDC4 BRADESCO PN ED 32,28 +0,12 137,69M 186,12M 8.322 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Vale destacar também a performance das ações do Banco do Brasil, que recuaram 0,64%. Nesta sessão o banco divulgou seus resultados, sendo que no acumulado do ano, o banco atingiu um lucro líquido de R$ 11,70 bilhões, valor 15,32% superior ao registrado no mesmo período de 2009. Em contrapartida, o banco apresentou nos últimos três meses de 2010 um recuo de 3,69% em seu lucro líquido, também na comparação anual, com ganhos de R$ 4,00 bilhões. O lucro veio acima das projeções de analistas, que, contudo, ressalvaram o impulso não-recorrente vindo do Previ, o fundo de pensão do BB. A diminuição das provisões para perda com crédito duvidoso foi outro ponto elogiado.

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A Lojas Renner, que soltou seu resultado na noite passada, terminou o pregão praticamente estável, com ligeira queda de 0,02%. A empresa anunciou um lucro líquido de R$ 123,2 milhões no quarto trimestre de 2010, avanço de 22,8% na comparação com os ganhos observados no mesmo período do ano anterior. O Ebitda (geração operacional de caixa) esteve abaixo das estimativas compiladas pela InfoMoney, enquanto a receita líquida ficou acima do esperado.

Fora do Ibovespa, dando prosseguimento às polêmicas quanto ao rombo de R$ 4,3 bilhões no Banco PanAmericano (BPNM4), o jornal O Estado de São Paulo publicou uma matéria citando relatórios sigilosos do Banco Central, os quais teriam apontado que a Deloitte não seguiu o procedimento correto na auditoria do banco e, caso checasse os valores das contas a receber e a pagar diretamente com terceiros envolvidos, teria constatado a inconsistência contábil. O banco anunciou na tarde desta quinta-feira que irá reenviar à CVM suas demonstrações financeiras, relatório da administração e press release de resultados, com alterações, ainda nesta data. As ações do PanAmericano tiveram alta de 1,03%.

Comprometimento com o ajuste fiscal
A posição do Governo na questão do salário mínimo foi interpretada como sinal de comprometimento com o ajuste fiscal anunciado recentemente. Com a ameaça da base aliada de votar a favor de um reajuste maior, a postura adotada pelo Governo foi de classificar como aliados apenas os deputados que votassem a favor dos R$ 545,00 desejados.

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A confirmação do reajuste salarial caminha a favor do corte do orçamento e dos gastos públicos, proposto pelo governo em 9 de fevereiro. O mercado afirmava que apenas com um ajuste fiscal a alta da inflação poderia ceder. Resta ainda certo ceticismo no mercado sobre a eficiência dessa política, mesmo porque faltaram detalhes no anúncio, o que de certa forma frustrou as expectativas dos economistas.

Referências da agenda
Sem indicadores no front doméstico, o mercado voltou seus olhos novamente para dados da economia norte-americana. Por lá, o CPI (Consumer Price Index), índice que mede a evolução dos preços ao consumidor nos EUA, registrou variação positiva de 0,4% em janeiro, ficando um pouco acima da variação de 0,3% esperada pelo mercado. Em linha, o Core CPI, que exclui os itens mais voláteis, como energia e alimentação, também veio um pouco acima das projeções de mercado (0,1%), com avanço de 0,2%.

O número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana registrou um total de 410 mil, um pouco pior do que o esperado pelos analistas, cujas projeções giravam em torno de 408 mil. Também desanimou o resultado do Leading Indicators, que registrou variação positiva de 0,1% no mês de janeiro, ficando abaixo das expectativas do mercado, as quais apontavam para uma alta de 0,3%.

Em contrapartida, o nível de atividade industrial na região da Filadélfia, ficou acima das estimativas do mercado em fevereiro. O Philadelphia Fed Index marcou 35,9 pontos no período, enquanto o mercado esperava um resultado de 21,0 pontos positivos.

Dólar
Depois de três sessões em alta, o dólar comercial terminou esta quinta-feira com desvalorização de 0,54%, sendo cotado a R$ 1,663 na venda. Em clima de realização, os investidores acompanharam os números da agenda dos EUA e mais uma intervenção do Banco Central.

O BC realizou uma nova operação no mercado à vista neste pregão. A compra ocorreu entre 15h28 e 15h33 (horário de Brasília), com taxa de corte em R$ 1,6625.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam com taxas em alta no curto prazo, mas mantiveram o viés de baixa no longo prazo. O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 12,69%, 0,02 ponto percentual abaixo do fechamento de quarta-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em baixa de 0,04% em relação ao fechamento anterior, a 133,55% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve variação negativa de quatro pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 168 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em leve alta de 0,31% e atingiu 1.340 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Dow Jones valorizou-se 0,24% a 12.318 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, subiu 0,21% a 2.832 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou leve baixa de 0,12% e atingiu 7.406 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris valorizou-se 0,03% a 4.152 pontos. Por outro lado, o FTSE 100 da bolsa de Londres fechou em leve alta de 0,03%, atingindo 6.087 pontos.

Confira os eventos previstos para sexta-feira
Na agenda da próxima sessão, a única referência prevista na cena interna é a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao segundo decênio de fevereiro. O indicador é revelado pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

No front internacional, não está prevista a divulgação de nenhum indicador econômico de relevância na próxima sexta-feira (18).