Ibovespa corrige ganhos recentes e termina o pregão em queda de 1,14%

Índice interrompe sequência de 6 ganhos seguidos, com notícia de que mais medidas para controle do câmbio serão anunciadas

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SÃO PAULO – Corrigindo as fortes valorizações recentes, o Ibovespa interrompeu uma sequência de seis altas consecutivas e fechou esta quarta-feira (6) em baixa de 1,14%, aos 69.036 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,18 bilhões. A queda do índice vai na contramão dos mercados de Wall Street e da Europa, refletindo o noticiário positivo no Velho Continente. 

O mercado recebeu nesta tarde a notícia de que Guido Mantega, ministro da Fazenda, irá anunciar às 18h30 (horário de Brasília) novas medidas para controle do câmbio. Com isso, o dólar comercial inverteu sinal imediatamente  e fechou com variação positiva de 0,31%, cotado na venda a R$ 1,614.

Além disso, se nos Estados Unidos a agenda do dia não trouxe indicadores relevantes, a atenção dos investidores se voltou para o desenrolar da crise das dívidas na Zona do Euro. Em meio a expectativa de que o BCE (Banco Central Europeu) irá elevar a taxa básica de juro na próxima quinta-feira (7), nesta sessão foi anunciada uma nova emissão de títulos de dívida de Portugal, com expressivo aumento do juro cobrado pelos investidores. Contudo, com as bolsas do continente já fechadas, veio a confirmação de que Portugal terá que recorrer a um pedido de suporte financeiro.

Destaques do pregão
Assim como na véspera, a ponta vendedora do índice foi ocupada novamente pelos papéis de Cielo (CIEL3) e Redecard (RDCD3), corrigindo os fortes ganhos recentes. O Citigroup reduziu na última terça-feira seus preços-alvo para as ações de ambas as companhias, após rever sua tese de investimento com base no declínio das taxas MDR, que levaram ao ajuste das estimativas de lucro por ação para 2011 e 2012.

Quem também apareceu entre as ações de pior performance foi a Cosan (CSAN3), repercutindo a informação de que o controle da fiscalização do etanol pode passar a ser feito pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural, e Biocombustíveis), além da elevação de impostos sobre o açúcar.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CIEL3 CIELO ON 13,58 -5,10 +5,46 63,60M
 RDCD3 REDECARD ON 23,40 -4,68 +11,16 56,37M
 CSAN3 COSAN ON 25,80 -3,66 -6,56 48,34M
 LLXL3 LLX LOG ON 5,04 -3,08 +6,55 10,70M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 66,72 -3,01 -3,03 44,07M

Quase todos os papéis do índice tiveram queda nesta quarta-feira. As ações da TIM Participações (TCSL3, TCSL4) foram o principal destaque de alta do Ibovespa em um pregão com apenas nove papéis longe do vermelho.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 TCSL3 TIM PART S/A ON 8,55 +0,71 +25,55 8,21M
 CCRO3 CCR SA ON 49,00 +0,51 +4,48 68,52M
 TCSL4 TIM PART S/A PN 7,23 +0,42 +31,22 33,85M
 UGPA4 ULTRAPAR PN 28,09 +0,25 +8,85 21,71M
 BBAS3 BRASIL ON 29,80 +0,24 -3,29 116,29M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 47,86 -0,91 917,95M 877,57M 27.549 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ 28,17 -0,70 413,58M 519,46M 13.899 
 VALE3 VALE ON 53,55 -1,56 243,46M 185,19M 8.505 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 20,14 -0,64 231,51M 267,67M 9.061 
 GGBR4 GERDAU PN 19,50 -1,91 162,96M 152,28M 14.488 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,14 -2,33 160,91M 153,51M 12.447 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 38,39 -0,34 150,79M 246,99M 6.735 
 BBAS3 BRASIL ON 29,80 +0,24 116,29M 155,42M 8.806 
 BRAP4 BRADESPAR PN 43,80 -1,02 112,71M 49,18M 5.938 
 PDGR3 PDG REALT ON 9,61 -1,03 103,98M 95,34M 11.904 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Fora do índice, as ações da Mundial (MNDL4) também avançaram forte. Mais cedo, a empresa anunciou que se adequa ao Nível I de governança corporativa da BM&F Bovespa e irá realizar um desdobramento de ações, na razão de 4 para 1.

A bolsa de valores paulista viu o número e volume de negociações com ações recuar em março. No mês, o segmento Bovespa movimentou R$ 135,68 bilhões, abaixo dos R$ 145,67 bilhões registrados em fevereiro. O número de negócios ficou em 10.321.974 negócios, também menor do que no mês anterior (10.897.755).

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Agenda interna
Por aqui, a agenda também é de poucas referências, com destaque apenas para a Produção Industrial Regional, medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com o indicador, a produção da indústria nacional cresceu em nove das 14 regiões pesquisadas na passagem de janeiro para fevereiro.

O Banco Central divulgou no começo da tarde que o fluxo cambial acumulado em março ficou positivo em US$ 12,660 bilhões. A autoridade monetária divulgou ainda os dados sobe o primeiro dia útil do mês de abril, que teve saldo comercial e financeiro negativos, de US$ 34 milhões e US$ 331 milhões, respectivamente.

Dólar
Após chegar a registrar desvalorização de 0,37% no começo da tarde, o dólar comercial reverteu sua trajetória logo após Guido Mantega informar que novas medidas cambiais serão anunciadas ainda nesta quarta-feira, e fechou com variação positiva de 0,31%, cotado na venda a R$ 1,614. Os investidores também avaliaram as compras de dólares do Banco Central e os indicadores da agenda doméstica.

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Enquanto o mercado espera pelo anúncio de Mantega, o Banco Central manteve seus rotineiros leilões de compra de dólares no mercado à vista. Nesta quarta-feira, dois leilões foram realizados. O primeiro ocorreu por volta das 12h20, com o BC aceitando uma taxa de corte de R$ 1,6035. Já a segunda operação ocorreu no final da tarde, tendo início às 15h54 e terminando às 15h59, com taxa aceita de R$ 1,6136.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam sem tendência e com modestas oscilações. O contrato de juros de maior liquidez nesta quarta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,23%, 0,01 ponto percentual abaixo do fechamento de terça-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,17% em relação ao fechamento anterior, a 134,03% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve variação negativa de cinco pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 161 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em leve alta de 0,31% e atingiu 2.800 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Dow Jones valorizou-se 0,27% a 12.427 pontos, da mesma forma, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, subiu 0,22% a 1.336 pontos.

Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou alta de 0,57% e atingiu 6.041 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt valorizou-se 0,55% chegando a 7.215 pontos e o CAC 40, da bolsa de Paris, subiu 0,16% a 4.048 pontos.

Confira os eventos previstos para quinta-feira
Na agenda da próxima sessão, os investidores ficarão de olho em índices inflacionários internos, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – medida oficial da inflação doméstica, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna). Todos são referentes ao mês de março.

Ainda por aqui, a agenda vai trazer a Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil de março. O levantamento é feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No plano internacional, as atenções recaem sobre indicadores norte-americanos. Nos Estados Unidos serão divulgados os dados do Consumer Credit, denotando o volume de crédito concedido ao consumidor do país em fevereiro, assim como o Initial Claims, que vai revelar o número de pedidos de auxílio-desemprego registrados na economia dos EUA na última semana.

Ainda no front externo, a quinta-feira (7) vai contar com as reuniões do BoE e (Bank of England) e do BoJ (Bank of Japan).