Ibovespa corrige com “ameaça” de mais altas na Selic e fecha em queda de 0,57%

Embora já fosse esperado o aumento para 11% ao ano na Selic, economistas se dividem entre fim do ciclo e novos apertos; imobiliárias lideram as perdas do índice, enquanto dólar sobe

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SÃO PAULO – Depois do Ibovespa virar para o campo positivo no acumulado de 2014 na véspera, a quinta-feira (3) representou uma nova oportunidade para os investidores embolsarem os ganhos e o índice registrar movimento de correção. Com a esperada decisão do Copom de fixar a Selic a 11% ao ano, noticiário corporativo local e indicadores americanos, o benchmark da bolsa brasileira terminou a sessão com queda de 0,57%, a 51.408 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,94 bilhões.

O anúncio do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a nova elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros do País, feito na noite de ontem, veio acompanhado por novos mistérios sobre os próximos passos a serem tomados pelas autoridades na política monetária nacional. No comunicado que acompanhou a divulgação da decisão, o Copom afirmou estar “dando prosseguimento ao processo de ajuste” da Selic.

Segundo o analista Felipe Rocha, da Omar Camargo, a queda de hoje é um movimento de correção do mercado depois do recente rali, aliado à possibilidade de que o Copom continue a elevar a Selic. “As imobiliárias sinalizam que o ciclo de alta da Selic pode continuar, depois do Copom ter deixado as portas apertas de que um novo ajuste pode ser feito, a depender do cenário econômico”, disse.

O dia também foi de queda nas bolsas americanas, com os três principais índices acionários do país fechando entre a estabilidade (Dow Jones) e recuos de 0,9% (Nasdaq). Do lado macroeconômico, os Estados Unidos apresentaram indicadores mistos, com os pedidos de seguro-desemprego subindo acima do previsto na semana – para 326 mil -, enquanto o setor de serviços alcançou 53,1 em março, após ficar em 51,6 em fevereiro.

Acompanhando o dia negativo na Bovespa, que naturalmente contou com uma força vendedora maior que a compradora, o dólar terminou o dia em alta de 0,54% ante o real, cotado a R$ 2,2825 na venda. Em dias de queda da bolsa brasileira, é esperado que a divisa americana sofra valorização, uma vez que a saída de recursos estrangeiros dessas ocasiões costuma superar a entrada – o que reduz a quantidade de dólares em circulação no mercado, fator acompanhado por uma maior pressão da força compradora.

Destaques do pregão
Do lado da bolsa, o destaque das quedas ficou com as ações das empresas do setor imobiliário, grandes prejudicadas com o cenário de possíveis novas elevações na Selic. Com isso, a Cyrela (CYRE3, R$ 13,29, -5,14%) liderou as perdas do dia, também estimulada por uma força de correção para o papel, após os ganhos das últimas semanas – que podem ter sido exagerados, segundo observação dos analistas do BTG Pactual, que reduziram recomendação sobre as ações da companhia.

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O movimento negativo foi acompanhado de perto pelas ações de Rossi (RSID3, R$ 1,77, -4,32%), MRV Engenharia (MRVE3, R$ 7,84, -3,57%) – respectivamente, segunda e terceira maiores quedas do dia.

Também apresentaram queda nesta sessão as ações da Petrobras (PERT3, R$ 14,99, -0,89%; PETR4, R$ 15,32, -1,60%), em movimento de correção após os fortes ganhos. Na véspera, a companhia anunciou uma nova formação no seu conselho de administração, com os minoritários estrangeiros e brasileiros conseguindo se unir pela primeira vez e eleger candidatos próprios a duas vagas, em um conselho composto por dez membros.

Também apresentaram correção as ações dos bancos, com Bradesco (BBDC3, R$ 34,08, -2,63%; BBDC4, R$ 32,04, -0,80%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,71, -1,53%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,29, -1,85%) figurando entre as quedas do índice nesta sessão.

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Do lado positivo as ações da Vale (VALE3, R$ 32,91, +1,71%; VALE5, R$ 29,52, +0,54%) se recuperaram e registram ganhos, após abrirem em queda. O presidente da companhia destacou que os preços de minério de ferro fiquem entre US$ 100 e US$ 125 por tonelada nos próximos um a dois anos.

A Oi (OIBR4, R$ 3,13, +1,62%) também se destacou na ponta de cima. No noticiário da companhia, chamou atenção a fixação do preço por ação na oferta de ações da companhia acontecerá dia 28 de abril, com o fim da coleta das intenções dos investidores no processo de “bookbuilding”. No dia seguinte, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) vai conceder do registro da oferta global. Os papéis serão negociados na BM&FBovespa a partir de 5 de maio, conforme aviso ao mercado publicado hoje.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CYRE3 CYRELA REALT ON 13,32 -4,93 -7,50 78,28M
 RSID3 ROSSI RESID ON 1,76 -4,86 -13,73 12,92M
 MRVE3 MRV ON 7,80 -4,06 -7,47 34,99M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,45 -2,68 -19,89 25,39M
 TBLE3 TRACTEBEL ON 34,55 -2,40 -3,87 11,94M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOLL4 GOL PN N2 12,40 +5,98 +18,32 30,95M
 ELET3 ELETROBRAS ON 7,32 +3,83 +24,70 28,01M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 11,75 +2,09 +18,33 25,73M
 CCRO3 CCR SA ON 17,50 +1,74 -1,52 74,76M
 SBSP3 SABESP ON 21,97 +1,34 -16,97 34,14M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ 15,40 -1,08 860,14M 569,96M 68.405 
 VALE5 VALE PNA 29,55 +0,65 498,07M 453,70M 36.633 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 34,84 -1,16 343,96M 339,67M 28.630 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 32,13 -0,53 297,35M 288,98M 19.493 
 PETR3 PETROBRAS ON EJ 15,05 -0,50 268,12M 200,76M 27.867 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 25,29 -0,78 227,04M 159,52M 14.845 
 VALE3 VALE ON 32,91 +1,17 200,57M 175,71M 17.140 
 ABEV3 AMBEV S/A ON ED 17,18 +0,06 184,87M 163,24M 24.146 
 CIEL3 CIELO ON EB 36,85 +0,27 183,89M 66,83M 10.851 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,26 -0,09 160,78M 133,54M 27.315 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

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Europa e Ásia
Na Ásia, o Conselho de Estado chinês anunciou que irá aumentar os investimentos em ferrovias e moradia, além de oferecer incentivos fiscais para pequenas empresas. Apesar disso, analistas de mercado esperavam que o governo da China anunciasse maiores medidas de política monetária.

Na Europa, o PMI (Índice de Gerentes de Compra) ficou em 53,1 em março, sinalizando um crescimento na zona do euro pelo nono mês consecutivo. Já as vendas no varejo subiram 0,4% em relação ao mês anterior, ficando acima das estimativas do mercado. Os índices animaram as ações no inicio do pregão, mas elas continuam alternando entre ganhos e perdas.

Destaque ainda para o BCE, que deixou sua principal taxa de juros inalterada na mínima histórica de 0,25% nesta quinta-feira, apesar da forte desaceleração da inflação na zona do euro.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.