Ibovespa consolida queda seguindo exterior; Petro e Vale perdem força

Índice registra perdas digerindo o noticiário do Banco Central da China sobre aperto de liquidez e dados da Europa; resultados seguem no radar

Publicidade

SÃO PAULO – Após abrir “morno”, o Ibovespa terminou a manhã em queda e, no início da tarde, operava com perdas ainda mais fortes no pregão desta terça-feira (5). Desta forma, o benchmark da bolsa brasileira converge para o movimento das bolsas internacionais, que registram queda digerindo a piora do cenário externo, em meio às declarações de autoridades do Banco do Povo da China de que poderão “apertar a liquidez” e com os dados econômicos da Europa. Às 13h12 (horário de Brasília), o índice registrava baixa de 0,94%, a 53.926 pontos.

O benchmark da bolsa brasileira aumentou as perdas após a abertura das negociações norte-americanas, vale ressaltar que, por conta do fim do horário de verão nos Estados Unidos, o pregão de Wall Street comece uma hora mais tarde, às 12h30. O “delay” pode trazer maior volatilidade pela perda de volume financeiro na Bovespa durante essa janela, já que os gringos atualmente respondem por 46% do volume financeiro na bolsa, segundo o último balanço de operações da BM&FBovespa com dados referentes a setembro. Em destaque nos EUA, estão os dados do ISM de serviços norte-americano de outubro, que reforçou a expectativa pela redução de estímulos monetários. O índice registrou 55,4, acima da expectativa do mercado de 55. 

Por aqui, repercute o PMI de Serviços de outubro, divulgado pelo HSBC, mostrando que o índice consolidado de produção saltou de 50,7 para 52,0 – maior patamar em oito meses, indicando uma “melhoria moderada nas condições de negócios do setor privado brasileiro”, diz o banco em relatório.

No noticiário econômico, destaque ainda para a fala do presidente do Federal Reserve de Nova York, Eric Rosenberg, que afirmou que a atividade econômica nos EUA está desapontando, mas que espera uma aceleração do PIB para cerca de 3% no próximo ano. No país, será divulgado o ISM Services referente a outubro. 

Resultados derrubam BR Properties e Cielo…
As maiores variações do índice nesta manhã aparecem no lado negativo, com BR Properties (BRPR3, R$ 18,32, -2,81%) e Cielo (CIEL3, R$ 67,37, -1,94%) aparecendo entre as cinco maiores quedas neste momento. Ambas divulgaram seus resultados do 3º trimestre antes da abertura do pregão, com a investidora em imóveis comerciais viu seu lucro líquido cair 65%, para R$ 89,6 milhões entre os meses de julho e setembro na comparação com o mesmo período de 2012. A empresa explica que no ano passado o lucro líquido foi impactado pelo ganho não caixa na reavaliação das propriedades em carteira. A receita líquida saltou 41%, para R$ 236,6 milhões.

Já a administradora de cartões viu seu lucro líquido atribuído a acionistas crescer 17% entre os meses de julho e setembro, para R$ 689,2 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a receita operacional líquida saltou 31,6%, para R$ 1,738 bilhão. Mesmo considerando o resultado “robusto”, o Credit Suisse rebaixou a recomendação às ações da Cielo por conta da forte alta já acumulada por elas em 2013 – mesmo com a queda de hoje de manhã, CIEL3 ainda sobe 47,8% no ano.

Continua depois da publicidade

Outra empresa que faz parte do índice, a BR Malls (BRML3) viu seu lucro cair quase 10% no terceiro trimestre, impactado por efeitos não caixa com câmbio e efeitos de reavaliação de propriedades de investimentos, para R$ 90,8 milhões. As ações da companhia aumentam as perdas e registram baixa de 1,25%, a R$ 21,25. Depois do pregão, será a vez da PDG Realty (PDGR3) soltar seus balanços do 3º tri.

Enquanto isso, a Petrobras  (PETR3, R$ 19,30, -1,03%; PETR4, R$ 20,13, -0,45%), que abriu com leves ganhos, virou para baixa e pressiona ainda mais o índice. Por outro lado, a  Vale (VALE3, R$ 38,10, +0,53; VALE5, R$ 34,32, +0,29%) segue em leve alta e limita maiores perdas do Ibovespa, mas também diminui os ganhos. Vale lembrar que a Vale divulgará seus resultados do 3º trimestre na quarta-feira após o fechamento do pregão.

Corte de projeções na Europa
No exterior, as bolsas europeias e os contratos futuros norte-americanos apontam queda, com investidores atentos ao relatório de projeções macroeconômicas pela Comissão Europeia. De acordo com as projeções, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro deve encolher 0,4% em 2013, crescer 1,1% em 2014 e acelerar o crescimento para 1,7% em 2015. Para a maior economia do bloco, a Alemanha, a Comissão Europeia elevou a projeção do PIB para 0,5%, ante 0,4% anteriormente. No entanto, para 2014, a previsão foi reduzida para 1,7%, ante 1,8%, seguindo a tendência do bloco econômico, cuja projeção anterior de crescimento era de 1,2%.

Continua depois da publicidade

Do lado positivo, está o PMI (Índice dos Gerentes de Compras) do Reino Unido do setor de serviços, que subiu para 62,5 em outubro e atingiu o maior patamar desde maio de 1997. No mês anterior, o índice tinha atingido 60,3 e a expectativa é de que houvesse uma desaceleração.

Ainda no front internacional, o BC da China destacou que manterá sua política monetária prudente com ajuste fino no momento apropriado para manter a economia em um caminho tranquilo, ao mesmo tempo em que lida com riscos inflacionários. O BC também prometeu avançar com as reformas da taxa de juros e do câmbio, enquanto evita riscos sistêmicos na economia, reforçando a percepção de que a autoridade monetária chinesa está inclinada a elevar os juros no país. Vale ressaltar que o primeiro-ministro, Li Keqiang, havia descartada mais injeção de capital no sistema financeiro.

Expectativa da semana
No mais, os investidores vivem a expectativa acerca de importantes eventos na pauta internacional nesta semana. Na quinta-feira, teremos decisões de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) e do O BoE (Banco da Inglaterra), com a expectativa de que o banco central europeu possa reduzir os juros no encontro, principalmente por conta da inflação estar muito abaixo da meta estipulada pelo governo – 0,7% de alta, contra meta de 2,0%.

Continua depois da publicidade

Ainda nesta semana, o mercado conhecerá dois indicadores norte-americanos que poderão dar uma sinalização melhor dos próximos passos do Federal Reserve acerca do seu programa de estímulos: na quinta-feira sai o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do 3º trimestre, enquanto na sexta teremos o relatório de emprego de outubro.

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.