Ibovespa consolida queda enquanto dólar a bater R$ 3 e DI sobe

Alta da Selic em linha com o esperado, corte no PIB esperado para a China em 2015 e data de início do programa de estímulos na Europa agitam os investidores

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SÃO PAULO – O Ibovespa apresenta queda nesta quinta-feira (5) diante de um quadro político incerto, que é parcialmente atenuado pelo otimismo nas bolsas internacionais. Tanto índices europeus como norte-americanos sobem em meio a anúncio do início do programa de estímulos na Europa. Decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar os juros em 50 pontos-base para 12,75% ao ano também permanece no radar. 

Às 13h50 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha baixa de 0,32%, a 50.306 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial subia 0,48%, a R$ 2,9951, na venda. Ontem, a moeda norte-americana chegou a bater R$ 3,00, na máxima do dia. Já os juros DI para janeiro de 2020 subiam 12 pontos-base, para 12,74%. 

Ao mesmo tempo, as bolsas internacionais subiam após fala do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mário Draghi, de que o programa de compra de ativos de países da zona do euro avaliado em 60 bilhões de euros por mês começará na semana que vem. Draghi também elevou a previsão do PIB (Produto Interno Bruto) da região, para 1,5% em 2015; 1,9% em 2016 e 2,1% em 2017. 

O cenário político conturbado também continua no radar dos investidores. Na quarta-feira o presidente do Senado, Renan Calheiros, devolveu a Medida Provisória 669, das desonerações, impondo mais dificuldades ao ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Para o analista da Guide Investimentos, Luís Gustavo Pereira, o mercado segue incerto, com uma tendência lateral muito forte. Para ele, o quadro político continua pesando no campo negativo apesar do cenário externo se manter como vetor de alta na sessão. A projeção menor de crescimento da China, segundo ele, é algo que já era esperado pelo mercado e que representa uma expansão nominal ainda bastante robusta. 

Do lado do BCE, a reunião mostrou que a autoridade monetária está contente com o impacto que o QE terá junto ao mercado, avalia Ignácio Crespo, economista da Guide Investimentos. Mais que isso, as previsões de crescimento da economia trouxeram otimismo aos investidores.

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Conforme os detalhes do plano de Draghi foram sendo revelados durante a entrevista coletiva, o prêmio que os Treasuries dos Estados Unidos oferecem sobre os títulos da dívida alemã chegaram aos maiores níveis em 25 anos. Crespo lembra que os bonds alemães já caíram 20% no ano, seguindo a tendência da maior parte dos títulos do continente. Enquanto a Europa inicia um programa de relaxamento monetário para aumentar a disponibilidade de moeda para as famílias, os EUA se encontram perto de fazer o inverso. O Federal Reserve está debatendo um aumento nas taxas de juros pela primeira vez desde 2006. 

Ações em destaque
Nos destaques do noticiário corporativo, a Petrobras (PETR3; PETR4) segue no holofote do mercado. Segundo à Bloomberg, a estatal deve ter aval da União para captação de até US$ 19 bilhões, o que equivale a R$ 60 bilhões que o mercado calcula que precise para preservar seu caixa. De acordo com uma matéria do Valor, o caixa da petroleira teria caído US$ 20 bilhões em fevereiro. As ações da empresa subiam 1%.

Quem também subia era a Cosan (CSAN3), que se beneficiava da notícia de que o governo aumentou a quantidade de etanol que pode ser misturada à gasolina de 25% para 27%. Segundo o BTG Pactual, conjugado o aumento com as medidas do governo que encareceram a gasolina como a elevação dos preços em novembro e a volta do imposto Cide, o setor sai beneficiado. A medida ainda criará uma demanda entre 800 milhões e 900 milhões para o etanol, o que equivale a 4% do mercado do setor. 

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As ações da Vale (VALE3; VALE5) caíam 0,5% depois da previsão de crescimento da China para 2015 ficar em 7%, a menor em 11 anos. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 EMBR3 EMBRAER ON 23,89 -6,86
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 4,86 -4,71
 LIGT3 LIGHT S/A ON 13,10 -3,46
 BRAP4 BRADESPAR PN 12,27 -3,31
 VALE3 VALE ON 19,80 -2,89

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 POMO4 MARCOPOLO PN ED N2 2,18 +3,32
 OIBR4 OI PN 6,56 +2,50
 PDGR3 PDG REALT ON 0,43 +2,38
 SANB11 SANTANDER BR UNT 14,37 +2,28
 CESP6 CESP PNB 23,75 +2,11
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Estados Unidos
O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego subiu inesperadamente na semana passada e a produtividade fora do setor agrícola recuou mais do que o esperado no quarto trimestre.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 7 mil, para 320 mil, segundo dados sazonalmente ajustados na semana que terminou em 28 de fevereiro, informou o Departamento de Trabalho nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o número recuasse a 295 mil na semana passada.

Em um relatório separado, o órgão informou que a produtividade caiu a um ritmo de 2,2 por cento no quarto trimestre, em vez do ritmo de 1,8 por cento divulgado no mês passado.

Ásia
As ações asiáticas recuaram nesta quinta-feira (5) seguindo o movimento de baixa de Wall Street na sessão anterior e repercutindo a previsão de crescimento mais baixa para a China este ano. A maior economia da região colocou como objetivo para seu PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 uma expansão de 7%, o menor alvo de crescimento para o país em 11 anos e significativamente menor que a de 7,5% estabelecida para o ano passado. 

A Bolsa de Xangai recuou 0,96%, a 3.248 pontos.

Ainda assim, o otimismo gerado pelo abrangente afrouxamento monetário sustentou outros mercados acionários da região. O índice japonês Nikkei fechou com alta de 0,3 por cento e o índice da Kospi da Coreia do Sul encerrou a sessão estável.

“Estrangeiros estão continuando suas compras apoiados pela maior liquidez global após medidas de estímulo do BCE”, disse o economista da Daishin Securities Lee Kyung-min.

Europa
No velho continente, as bolsas apresentavam alta depois do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mário Draghi, anunciar que o programa de compra de ativos dos países da zona do euro aos moldes do “Quantitative Easing” será iniciado na semana que vem.  

Ainda na Europa, o Banco Central da Inglaterra decidiu manter as taxas de juros em 0,5% e o programa de compra de ativos em 375 bilhões de libras (US$ 572,4 bilhões) após reunião de política monetária nesta quinta-feira, conforme previsto por analistas.

Ao mesmo tempo, os preços do barril do petróleo subiam, trazendo alta às ações do setor energético na região.

(Com Reuters)

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