Ibovespa chega a subir 3% com disparada de Petrobras e Vale em “dia de barganhas”

Com 66 de suas 72 ações em alta, índice intensifica ganhos em dia de repique; dados positivos nos EUA de emprego e produtividade também animam mercado

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SÃO PAULO – O Ibovespa intensificou seus ganhos na tarde desta quinta-feira (6), mais um dia com cara de repique de alta em um cenário que segue de forte ceticismo do mercado. Às 16h15 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 2,44%, a 47.762 pontos, mostrando recuperação da queda da véspera, refletindo os preços baixos de diversas ações, o que atrai o faro por barganhas pelos investidores.

Para o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, o dia não contou com notícias e indicadores que pudessem justificar uma alta tão expressiva no Ibovespa. Segundo Brugger, trata-se de um movimento de ajuste, após as fortes perdas recentes. “Depois do pior janeiro desde 1995, é natural que entre um pouco de compra na bolsa”, explica o analista, alegando que o contexto de pessimismo continua.

A recuperação – ou repique – do índice ocorre um dia após dois grandes bancos internacionais – Credit Suisse e JPMorgan – terem cortado as projeções para o crescimento da economia brasileira neste ano para 1,5%, número que traria novas decepções ao mercado, já desiludido com o desempenho dos emergentes.

E a alta é sustentada pelas ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,37, +3,16%; PETR4, R$ 14,22, +2,82%) e da Vale (VALE3, R$ 34,38, +2,63%; VALE5, R$ 30,94, +3,34%), que aceleram os ganhos em relação à manhã desta data. Na véspera, as ações da Vale registraram ganhos e foram umas das poucas a se salvarem com a elevação da recomendação dos papéis da mineradora para compra pelo Morgan Stanley. Por outro lado, as ações da petrolífera tiveram um dia de forte queda na véspera e chegaram a atingir o seu menor valor desde 2005.

Num dia positivo para o índice – que, contudo, ainda não zera as perdas registradas nesta semana -, as ações da Gol (GOLL4, R$ 10,28, +5,98%) registram uma das maiores altas. Neste cenário de repique, apenas seis das 72 ações que compõem o índice registram queda, com destaque para Telefônica Brasil (VIVT3, R$44,90, -0,22%) e Qualicorp (QUAL3, R$ 20,60, -0,77%).

EUA e Europa
O investidor segue ainda atento aos dados das economias norte-americana e europeia. Em destaque, está a divulgação do número de pedidos de auxílio desemprego nos EUA, que registrou uma queda para 331 mil pedidos na última semana, levemente abaixo do esperado pelo mercado, de 335 mil pedidos, o que animou o mercado. Na próxima sexta-feira, será revelado o relatório de emprego, um importante vetor para acompanhar o crescimento da atividade norte-americana. 

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Enquanto isso, a produtividade nos Estados Unidos fora do setor agrícola subiu mais que o esperado no quarto trimestre, espelhando o ritmo forte de crescimento da economia, mas os baixos custos unitários do trabalho indicam inflação salarial contida. A produtividade subiu no ritmo anual de 3,2%, após aumentar 3,6% no terceiro trimestre, informou o Departamento de Trabalho nesta quinta-feira.

Já na Europa, chama a atenção os dados de política monetária. O Banco da Inglaterra divulgou há pouco que manteve a taxa de juros em 0,5% ao ano, conforme esperado pelo mercado, enquanto o BCE (Banco Central Europeu) também manteve a taxa de juros, em 0,25%, em linha com a expectativa do mercado. O foco do mercado se volta agora para a coletiva do presidente da autoridade monetária, Mario Draghi por novas definições de política monetária em meio aos temores com a deflação no continente. 

Europa e Ásia
Na Europa, os resultados corporativos anuais e do último trimestre de 2013 animaram os investidores antes das decisões dos bancos e levantou as ações no continente. O FTSE, de Londres, acumulava alta de 0,55%. Os índices da Alemanha, DAX, e o de Paris, CAC, registravam ganhos de 1,02% e 0,87%, respectivamente. 

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Na Ásia, o mercado também segue à espera do PMI da China, medida de atividade do setor de serviços. As bolsas no continente tinham altas e o único índice acionário que fechou o pregão com desvalorização foi o Nikkei. O benchmark do país revertou os ganhos do dia anterior e fechou o dia com desvalorização de 0,18% após os investidores seguirem com cautela sobre os lucros domésticos. Já o índice Hang Seng fechou o dia com alta de 0,72%. Os mercados de Xangai permaneceram fechados por causa do feriado de ano novo chinês. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.