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SÃO PAULO – Montar uma carteira de dividendos é sempre uma alternativa considerada por investidores mais conservadores, principalmente em momentos de maior instabilidade na economia global. Mas, afinal, na hora de mensurar os ganhos obtidos por meio desse tipo de aplicação, qual o índice de referência, ou seja, o benchmark a ser utilizado para comparar o desempenho de uma ação defensiva em relação ao de outros ativos presentes no mercado?
Recentemente, a BM&F Bovespa criou um índice específico para este tipo de análise, o IDIV, um índice formado por ações de empresas que possuem um histórico de pagadoras de dividendos e juros sobre o capital próprio. Contudo, a falta de referência histórica ainda limita a sua utilização no momento de montar uma carteira de divindendos, tendo em vista que ele estreou no mercado dia 2 de maio deste ano.
“Por enquanto, o índice de dividendos não possui um período histórico considerável que o torne uma referência. No entanto, dentro de dois ou três anos, acredito que passará a ser utilizado como um parâmetro para esse tipo de aplicação”, explica Silvio Hilgert, diretor acadêmico da XP Educação.
Ibovespa ou CDI? Depende da sua análise
Considerando que o índice de dividendos ainda não é visto como uma referência sólida para esse tipo de investimento, são apontados por analistas como o benchmark mais próximo para escolher a composição de um portfólio de dividendos o próprio Ibovespa – principal índice de ações da bolsa brasileira – ou o CDI (Certificado de Depóstio Interbancário), usado como benchmark para fundos DI e de renda fixa.
A escolha entre esses dois tipos de referência depende da análise esperada pelo investidor, pelo fato de que a carteira de dividendos, apesar de tratar-se de uma aplicação em ações, o lucro não é esperado por meio da valorização do ativo, e sim pelo dividend yield – ou seja, a relação entre o valor do dividendo a ser pago por ação e a cotação desse papel.
Com base nisso, se o investidor pretende avaliar o dividendo pago pela companhia, deixando de lado o preço da ação, a referência mais próxima é o CDI. Por outro lado, se o propósito for avaliar o desempenho do papel somado ao desempenho dos dividendos, o Ibovespa torna-se a referência mais justa.
Histórico da empresa não deixa de ser uma referência
Vale ressaltar ainda, que um dos pontos mais importantes no momento da escolha de empresas para compor uma carteira de dividendos é o perfil da companhia e do setor na qual faz parte, tendo como base que empresas sólidas, com baixo endividamente e que necessitam de poucos investimentos, são consideradas as mais atrativas para este tipo de aplicação.
Desta forma, ações de setores com estrutura de negócios mais consolidadas, como o elétrico e o de telecomunicação, que rotineiramente aparecem entre as mais recomendadas pelas casas de research, tendem a apresentar um dividend yield mais atrativo, já que a falta de necessidade de novos investimentos para expandir seus negócios lhe proporcionam a oportunidade de distribuir uma parcela maior do lucro em dividendos.
Por conta disso, “ficar atento a esses detalhes e o quanto a empresa tem pago de dividend yield por um determinado período histórico é, por si só, uma referência para os investidores”, completa Hilgert.