Ibovespa cai quase 1% com apenas 9 ações operando em alta

Pessimismo toma conta dos mercados mundiais com receios sobre possível confronto na Síria; na véspera, Ibovespa estende perdas da sessão anterior, quando fechou em baixa de 1,47%

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (27), com o pessimismo dos mercados mundiais gerando aversão ao risco nos investidores. Ganha destaque nesta sessão o possível conflito na Síria, após autoridades norte-americanas dizerem que a culpa pelos supostos ataques químico é do governo sírio e que a situação é inaceitável. Com o cenário negativo, o Ibovespa estende o mau humor da véspera, quando fechou com queda de 1,47%. Às 10h42 (horário de Brasília) desta terça, o benchmark da bolsa brasileira recuava 0,92%, a 50.955 pontos.

Neste momento, apenas nove das 71 ações do Ibovespa operam no positivo, e ainda assim, com fracos ganhos, com apenas a Energias BR (ENBR3, R$ 11,08, +1,47%) subindo mais de 1%.

Por outro lado, as “pesos-pesados” Petrobras (PETR3, R$ 17,08, -0,35%; PETR4, R$ 18,02, -0,93%) e Vale (VALE3, R$ 35,73, -1,47%; VALE5, R$ 32,08, -0,37%) operam em queda. Juntas, as ações possuem mais de 20% de participação na carteira teórico do Ibovespa.

As empresas do Grupo EBX, OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,77, -4,94%) e MMX Mineração (MMXM3, R$ 2,11, -2,31%)  também apresentam perdas. A petrolífera anunciou que desistiu de 9 blocos arrematados em leilão da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e receber penalidade de R$ 3,4 milhões pela desistência. 

A Marfrig (MRFG3, R$ 5,70, -2,56%), por sua vez, repercute negativamente a especulação sobre uma possível captação externa com emissão de bônus de US$ 750 milhões ainda nesta semana, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.

Possível confronto na Síria
Ao redor do mundo, as preocupações com o suposto ataque químico na Síria ganham destaque após o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, dizer que o ataque químico é inadimissível, e que o governo sírio deve ser responsabilizado pelo ato. Kerry disse ainda que a permissão dada aos inspetores norte-americanos para averiguar a situação veio muito tarde e que o presidente dos EUA, Barack Obama, decidirá como responder ao ataque.

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Apesar da baixa produção de petróleo na Síria, a possibilidade de um confronto militar na região pesa sobre o sentimento dos investidores, além de levantar possibilidades ruins para países emergentes, uma vez que uma guerra elevaria os preços dos combustíveis, em um cenário de desvalorização das moedas dos emergentes. Nesta manhã, os preços do petróleo sobem mais de 1,7%, assim como do ouro, considerado um “porto seguro” em tempos de maior aversão ao risco e que mostra valorização de 1,5% no mercado internacional.

Discursos e indicadores
Nos EUA, além do discurso do Secretário de Estado, que pesou sobre Wall Street no final do último pregão e ajuda a derrubar os índices nesta sessão, os investidores analisarão a agenda econômica, que mostrou aumento pouco maior do que o esperado nos preços de moradias em junho, com alta de 12,1%, ante expectativa de 12,0%. Mais tarde, às 11h, será divulgada a confiança do consumidor em agosto.

Ainda por lá, ganha destaque o discurso do presidente do Fed de São Francisco, John Williams, e a participação do Secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, em um programa da rede CNBC. Os comentários de Lew ganham a atenção dos investidores após o secretário dizer que o Tesouro atingirá seu limite de empréstimos em meados de outubro e que poderá ficar sem recursos para saldar suas dívidas a partir de então.

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Na Europa, os principais índices acionários operam no vermelho, não sendo motivados nem mesmo pelo aumento maior do que o esperado na confiança do empresário alemão, que subiu para sua máxima em 16 meses, com 107,5 em agosto, ante projeções de 107,1. Na Grã-Bretanha, dados também mostraram maior confiança e maior crescimento da atividade do setor de serviços desde 2007.

Por aqui, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,23% na 3ª quadrissemana de agosto, ante alta de 0,17% no período anterior, segundo dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esta terça-feira marca também o início da reunião de dois dias do Copom (Comitê de Política Monetária), que pode trazer novidades quanto à taxa de juros Selic em seu término.