Comentário diário

Ibovespa cai puxado por derrocada de 5% da Vale; dólar e DIs sobem

Mercado recua em dia de correção global trazida principalmente pela produção de minério menor que a esperada da Rio Tinto

SÃO PAULO – O Ibovespa perdeu força e virou para queda nesta terça-feira (19) pressionado pelos papéis da Vale e bancos. Desde cedo já se esperava uma correção hoje, já que a Bolsa subiu por nove pregões consecutivos e atingiu seu maior patamar em 14 meses com um forte fluxo de capital migrando para o Brasil por conta do aumento da liquidez global e dos problemas enfrentados por outros países emergentes como a Turquia, que sofreu uma tentativa de golpe militar na sexta-feira passada.

Lá fora, as bolsas norte-americanas têm leves perdas, seguindo a queda dos mercados europeus após a mineradora Rio Tinto informar que a sua produção de minério de ferro subiu menos do que o esperado. As moedas da Austrália e da Nova Zelândia afundaram com especulações de que seus bancos centrais cortarão juros no mês que vem. 

Às 15h04 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha leve queda de 0,24%, a 56.349 pontos. Já o dólar comercial apresenta ganhos de 0,51% a R$ 3,2684 na venda, enquanto o dólar futuro para agosto tem alta de 0,47% a R$ 3,283. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 tem leve queda de 1 ponto-base a 12,67%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 1 ponto-base a 11,99%. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao caiu 1,48% a US$ 56,02 a tonelada seca. Ao mesmo tempo, o barril do petróleo Brent opera em baixa de 0,37% a US$ 48,22. 

Cenário externo
O dia é de leve baixa para as bolsas mundiais, com as mineradoras sendo o destaque de baixa após a Rio Tinto informar que produção de minério de ferro subiu menos que o esperado. Na Europa, o mercado seguiu na expectativa pela reunião do BCE (Banco Central Europeu) na quinta-feira. Ativos considerados de maior proteção, como Treasuries e ouro, têm maior demanda por investidores. Na Ásia, as bolsas chinesas tiveram a 1ª queda em 7 dias, liderada por recuo de empresas de energia e setor financeiro; enquanto isso, o Nikkei segue o rali após ficar fechado na segunda por conta de feriado.

Michel Temer se reuniu com equipe 
O presidente interino Michel Temer se reuniu na manhã desta terça, no Palácio do Planalto, com oito ministros a fim de discutir medidas econômicas. O encontro, que se encerrou às 12h35, durou pouco mais de uma hora e teve como participantes os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Dyogo Oliveira (interino do Planejamento), Eliseu Padilha (Casa Civil), Blairo Maggi (Agricultura), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), José Serra (Relações Exteriores), Marcos Pereira (Indústria, Comércio e Serviços) e Alberto Alves (interino do Turismo). 

 À noite, às 20h, Temer participa de jantar com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Renan Calheiros, presidente do Senado.

Expectativa por desestatizações 
As desestatizações previstas pelo governo federal têm o potencial de levantar recursos de pelo menos R$ 120 bilhões, segundo levantamento feito pelo ‘Estado’ com base nas estimativas do próprio governo. Esse reforço nas contas virá de concessões, privatizações, vendas de ativos, securitizações e aberturas de capital. 

Ações em destaque
As ações da Vale (VALE3, R$ 16,53, -5,97%; VALE5, R$ 13,58, -3,55%), Bradespar (BRAP4, R$ 10,00, -3,47%) – holding que detém participação na Vale – e siderúrgicas têm dia de correção e caem hoje, seguindo o desempenho dos preços do minério de ferro. A commodity encerrou em queda de 1,5%, a US$ 56,02 a tonelada, no Porto de Qingdao, na China. 

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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 VALE3 VALE ON16,54-5,92
 USIM5 USIMINAS PNA2,43-3,95
 VALE5 VALE PNA13,58-3,55
 GOAU4 GERDAU MET PN ES2,50-3,47
 BRAP4 BRADESPAR PN10,00-3,47

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes operam em sentidos variados. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,81, -0,65%) e Bradesco (BBDC3, R$ 29,37, -0,81%; BBDC4, R$ 28,66, -0,80%) recuam, enquanto Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,52, +2,81%) sobe. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3RUMO LOG ON5,95+4,57
 JBSS3JBS ON10,49+4,38
 BBAS3BRASIL ON20,52+2,81
 QUAL3QUALICORP ON21,91+2,62
 SMLE3SMILES ON48,84+2,43


As ações da Petrobras (
PETR3, R$ 13,69, +0,22%; PETR4, R$ 11,65, +0,87%) sobem. No radar, o Conselho de Administração da Petrobras discutirá ofertas pela BR Distribuidora em julho, mas ainda não tomou nenhuma decisão. A venda desta parte da gigante estatal petrolífera faz parte de um grande programa de desinvestimentos para fazer caixa, já que a Petrobras é dona de uma dívida bilionária com grande parte desse débito atrelado ao dólar.

Segundo o Valor Econômico, o atual presidente da Fierj (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, e o irmão João Pedro vêm mantendo conversas com a Petrobras, e com fundos investidores, para apresentar uma proposta de compra de uma fatia da BR Distribuidora. O plano, se bem-sucedido, pode marcar o retorno dos Gouvêa Vieira ao mercado de distribuição de combustíveis, quase dez anos após a saída da família da Ipiranga, em 2007. A Advent, a GP e o Vitol estão na disputa pela BR Distribuidora, segundo o Estadão.   

Reunião do Copom
O Copom (Comitê de Política Monetária faz primeiro dia de reunião em Brasília, a primeira sob o comando de Ilan Goldfajn. A expectativa é de que seja anunciado amanhã a manutenção da taxa de juros em 14,25% ao ano. 

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Agenda econômica – Brasil
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,32% na segunda prévia de julho, ante avanço de 1,33% na mesma prévia de junho. Com o resultado, o índice acumula aumento de 6,24% no ano e alta de 11,79% em 12 meses.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, registrou alta de 0,85% na segunda quadrissemana de julho, mostrando nova aceleração ante a primeira quadrissemana do mês, quando avançou 0,78%, segundo dados divulgados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Agenda econômica Europa
Já na Europa, o índice de expectativas econômicas da Alemanha caiu para -6,8 em julho, de 19,2 em junho, atingindo o menor nível desde novembro de 2012, segundo dados publicados hoje pelo instituto alemão ZEW. O resultado frustrou analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam queda bem menor do indicador, a 8,5.

Por fim, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido subiu mais que o esperado na comparação anual de junho, segundo dados publicados hoje pelo Escritório para Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês). Em relação a junho de 2015, o CPI britânico avançou 0,5% no mês passado, após subir em ritmo anual mais fraco em maio, de 0,3%. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal estimavam ganho anual um pouco menor em junho, de 0,4%. Os últimos dados do ONS foram coletados antes de o Reino Unido votar por sua saída da União Europeia. 

Assista ao InfoMoney na Bolsa desta terça-feira: