Bolsa

Ibovespa cai pressionado por bancos e se descola do exterior; dólar dispara quase 2%

Mercado deixa de lado o bom humor internacional e tem mais um dia de queda

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (2) pressionado pela baixa nos índices asiáticos e “ignorando” tanto o cenário político como o desempenho das bolsas europeias e norte-americanas. Vale acompanhar, no entanto, o noticiário doméstico, com o vice-presidente, Michel Temer, dizendo que Henrique Meirelles, seu possível ministro da Fazenda, será âncora da economia. As informações recentes são de que Temer, em uma eventual Presidência, privilegiará as medidas de corte de juros para reduzir o endividamento político. 

Às 15h25 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha queda de 0,24%, a 53.779 pontos. O dólar comercial registra ganhos de 1,62% a R$ 3,4957 na venda, enquanto o dólar futuro para junho tem alta de 1,79% a R$ 3,530. Sobre o câmbio, o Banco Central conseguiu vender todos os 40.000 contratos de swap ofertados entre as 9h30 e as 9h40. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 avança 4 pontos-base a 13,66%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 5 pontos-base a 12,43%.

Segundo o diretor da mesa de trade da Mirae Asset Wealth Management, Pablo Spyer, a Bolsa hoje segue a Ásia, em um dia em que o índice japonês Nikkei caiu 3,11% extendendo as perdas que começaram com a frustração pela falta de estímulos dados pelo banco central japonês na semana passada. Também trazendo preocupações na região, o PMI (Índice Gerente de Compras) industrial da China caiu para 50,1 em abril, de 50,2 em março, informou neste domingo o Escritório Nacional de Estatísticas da China.

Segundo Spyer, também é possível notar um pouco do fenômeno conhecido como “sell in may” ou “venda em maio”. “O sentimento de ‘sell-in-may’ impacta, com investidores preocupados com a volatilidade sazonal nos mercados entre maio e meados de novembro”, explica. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,38, +0,83%; PETR4, R$ 10,22, -0,10%), operam em queda forte diante do desempenho fraco dos preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 2,57% a US$ 44,74, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha perdas de 3,31% a US$ 45,80. 

Em destaque, a  Sete Brasil oficializou na sexta-feira (29) o pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro e o governo federal consta como o maior credor da empresa, dono de dois terços da dívida total. Criada para gerenciar a construção das sondas do pré-sal, a companhia listou dívidas de R$ 18 bilhões, considerando a cotação do dólar de ontem. Cerca de R$ 12 bilhões estão concentrados em bancos estatais e fundos governamentais. 

Além disso, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) prorrogou, até 2052, do prazo de concessão do campo de Marlim, na Bacia de Campos, um dos maiores do país, informa a Folha de S. Paulo. O prazo de convessão venceria em 2025. A prorrogação foi concedida com o argumento de que ainda haverá petróleo a explorar após o fim do prazo original e inclui o campo vizinho de Voador; em troca, a Petrobras se comprometeu com investimentos para revitalizar o campo, cuja produção vem declinando nos últimos anos.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED32,08-2,36
 ECOR3 ECORODOVIAS ON7,33-2,27
 EMBR3 EMBRAER ON20,11-2,24
 CSAN3 COSAN ON31,13-2,23
 GOAU4 GERDAU MET PN2,85-2,06

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Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,08, -2,36%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,80, -1,03%; BBDC4, R$ 25,39, -1,97%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,81, -1,36%) recuam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RENT3LOCALIZA ON ED34,66+5,05
 SMLE3SMILES ON ED38,76+4,25
 JBSS3JBS ON ED8,88+2,84
 CMIG4CEMIG PN ED6,69+2,84
 CESP6CESP PNB ED14,67+2,49

 

Entre as altas estavam as exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 30,40, +0,07%) e Suzano (SUZB5, R$ 13,16, +0,23%) operam com fortes ganhos por conta do desempenho positivo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

Manifestações de 1º de maio
Ainda no ambiente político, a percepção de alguns analistas é de que a ausência do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, nos atos de 1º de maio, mostra fragilidade do governo. Dilma participou de ato no Anhangabaú contra o impeachment e anunciou aumentos de 9% do Bolsa Família e 5% na tabela do IRPF.

Pacote Temer
Um eventual governo de Michel Temer vai concentrar esforços em um conjunto pequeno de iniciativas na área econômica que busca rever a estrutura dos gastos e, no médio prazo, conter e até reverter o aumento da dívida, recuperando a confiança dos investidores na capacidade de o País pagar as suas contas. A mudança de percepção, acredita-se, ainda pode abrir espaço, no curto prazo, para uma queda mais rápida da taxa de juros que a esperada pelo mercado.

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Logo de saída, a prioridade é aprovar duas medidas no Congresso: a fixação de um teto para as despesas e a desvinculação de gastos sociais, em particular a de benefícios ao salário mínimo. Mais à frente, podem sugerir reformas na Previdência.

Neste contexto, a queda dos juros entraria como fator de equilíbrio fiscal, com gastos menores para o pagamento do serviço da dívida, já que a arrecadação não deve melhorar até uma reação do quadro recessivo da economia.

Mark Mobius
O gestor de fundos de países emergentes da Franklin Templeton, Mark Mobius, disse que aumentou a sua aposta em Brasil e apontou o real como a sua moeda favorita atualmente. De acordo com ele, uma saída da presidente Dilma Rousseff ainda não está totalmente precificada nas ações brasileiras.  

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 caiu de 3,88% para 3,89% de retração este ano, mas foi elevada para 2017 de um avanço de 0,30% para 0,40%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 6,94% este ano, contra 6,98% projetados anteriormente.

Balança Comercial
A balança comercial brasileira registrou superávit de 4,861 bilhões de dólares em abril, melhor desempenho para o mês da série histórica, acumulando no ano saldo positivo de 13,249 bilhões de dólares, divulgou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta segunda-feira.

No mês passado, as exportações somaram 15,374 bilhões de dólares, enquanto as importações chegaram a 10,513 bilhões de dólares. Pesquisa Reuters com analistas mostrava expectativas de superávit comercial de 4,7 bilhões de dólares em abril.

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