Bolsa

Ibovespa cai 3% pressionado por dados fracos dos EUA e reforma da Previdência menor

Mercado registra perdas em meio a decepção com o ambiente externo e político do País

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa cai forte nesta quarta-feira (2) ainda refletindo o desempenho fraco das bolsas internacionais após os Estados Unidos registrarem o pior desempenho da sua atividade industrial desde 2009. Para piorar o cenário externo, os estoques de petróleo aumentaram em 3,1 milhões de barris na semana passada, o que provoca uma queda de mais de 2% no preço da commodity.

Também não ajuda a trazer otimismo a decepção dos investidores com a votação da reforma da Previdência ontem em primeiro turno no plenário do Senado. Após o texto principal ser aprovado por 56 votos a 19, o destaque que barrava as mudanças no abono salarial foi aprovado por 42 votos a 30, tirando R$ 76 bilhões do impacto fiscal da reforma. Foi uma dura derrota para o governo.

Às 13h54 (horário de Brasília) o principal índice da B3 caía 2,85% a 101.090 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial tem baixa de 0,33% a R$ 4,1481 na compra e a R$ 4,1488 na venda. O dólar futuro para novembro registra leve queda de 0,14% a R$ 4,1595.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 sobe dois pontos-base a 4,98% e o DI para janeiro de 2023 registra ganhos de sete pontos-base a 6,09%.

Sobre a Previdência, a reforma que chegou ao Senado trazendo uma economia de R$ 933 bilhões em dez anos foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com potência fiscal de R$ 877 bilhões e acabou aprovada pelo plenário economizando R$ 800 bilhões.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), comentou, após encerrar a sessão, que o governo deveria se reorganizar e conversar com os senadores para seguir com a reforma. Segundo ele, o Senado votará outros seis destaques à PEC, hoje, a partir das 11h00.

Ainda no Brasil, destaque para a conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o direito dos delatados se manifestarem posteriormente aos delatores, em análise de caso relacionado à operação Lava Jato.

A sugestão do ministro Gilmar Mendes é de que os efeitos da decisão sejam limitados, preservando sentenças anteriores. Segundo ele, já há maioria na Corte para que a validade recaia sobre réus que fizeram a solicitação em primeira instância.

Já no exterior, além dos dados de ontem, o mercado deve ficar atento aos discursos dos presidentes regionais do Federal Reserve, Patrick Harker (Filadélfia), e John Williams (Nova York). Harker, que não vota nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) fala às 10h e Williams, que vota, às 11h50.

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Saíram também nos EUA os dados de empregos privados do ADP, com acréscimo de 135 mil vagas na economia americana. Eram esperados 140 mil.

Noticiário Corporativo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Vale (VALE3) “abocanhou” durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o direito minerário no País. A um grupo de garimpeiros, Bolsonaro disse que as empresas estrangeiras são culpadas pelo desmatamento na Amazônia e sugeriu que elas pagam propina para encobrir crimes ambientais.

Segundo o grupo de garimpeiros que se reuniu com Bolsonaro, a Vale estaria roubando parte do ouro que está na região de Serra Pelada, no Sul do Pará, e exportando de maneira clandestina. Bolsonaro informou que acionou o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Mineração para buscar “alternativas”. A Vale negou as acusações informando não ter atividades minerais na região, que foi cedida à uma cooperativa de garimpeiros em 2007.

Já a Minerva (BEEF3) assinou memorando de entendimento para criar uma joint venture com os empresários chineses Xuefang Chen e Wenbo Ge na China.

Enquanto isso, a MRV (MRVE3) deverá convocar nova AGE para discutir investimento na AHS.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado, Agência STF e Bloomberg)

 

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