Ibovespa cai mais de 1% com Vale e siderúrgicas, e de olho no exterior

Índice acentua as perdas após atingir patamar máxima em 19 meses em meio ao efeito Marina; China afeta exportadoras, enquanto teles seguem no radar

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SÃO PAULO – Após registrar um movimento bastante volátil no início da sessão, o Ibovespa acentuou o movimento de queda, com as ações da Vale e de siderúrgicas tendo um dia bastante negativo após dados da China e com os investidores reembolsando os lucros após as fortes altas do benchmark da bolsa nas últimas sessões. Além disso, as tensões entre a Ucrânia e a Rússia seguem no radar. Às 13h28 (horário de Brasília), o índice registrava perdas de 1,08%, a 60.291 pontos. As ações do setor de telefonia também têm baixa, enquanto Petrobras oscila entre leves perdas e ganhos. 

As ações da Vale têm o sexto pregão de queda e têm perdas de quase 5%, seu menor patamar desde o começo de julho. Nos últimos dias, a Vale vem sofrendo na Bolsa com as quedas no preço do minério de ferro – principal produto da mineradora brasileira, que renovou a mínima de dois anos e já perderam um terço de seu valor em 2014. Aliado a isso, a sessão é marcada por tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia e por dados que mostram a desaceleração no crescimento do lucro das empresas industriais da China.

Além disso, o mercado aproveita para embolsar os lucros registrados nos últimos dias, após a forte disparada em meio ao “efeito Marina”, com as últimas pesquisas mostrando que a candidata do PSB está no segundo lugar no primeiro turno e que ganharia de DIlma Rousseff (PT) no segundo turno. Enquanto isso, o mercado aguarda pela próxima pesquisa Datafolha, amanhã, no Jornal Nacional. 

As perspectivas para o PIB do Brasil, a ser divulgado amanhã, e os dados da economia dos EUA, que mostrou um crescimento da economia no segundo trimestre levemente acima do esperado também seguem no radar dos mercados. 

Vale cai, enquanto frigoríficos sobem
Seguido o movimento da Vale, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 20,85, -2,30%), holding que detém forte participação no capital da mineradora, também caem mais de 2% e atingem suas mínimas na Bovespa desde o começo de julho. Já a CSN (CSNA3, R$ 10,32, -1,71%), siderúrgica com forte atuação no mercado de minério, também cai 1% para US$ 87,30 por tonelada e atinge os patamares do começo de julho.

Enquanto isso, o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, assinou um decreto que pode viabilizar exportações adicionais de carnes bovina e de frango do Brasil para o país. A medida impulsiona as exportadoras de alimentos da Bovespa: é o caso da Marfrig (MRFG3, R$ 7,49, +2,60%) que acumula a maior alta dentre as ações do Ibovespa no ano (+85,25%), enquanto a JBS (JBSS3) zerou os ganhos.

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Enquanto isso, as ações das empresas de telecomunicações têm queda nesta sessão reagindo à notícia de que o conselho de supervisão da francesa Vivendi disse que vai entrar em negociações exclusivas com a Telefónica, controladora da Vivo (VIVT4, R$ 43,68, -2,43%), para a venda de sua unidade brasileira de banda larga GVT, escolhendo a oferta da espanhola em detrimento da proposta rival da Telecom Italia, dona da TIM (TIMP3, R$ 12,38, -2,67%), que vê suas ações afundarem. As propostas das duas companhias telefônicas brasileiras, TIM e Vivo, pela GVT no Brasil haviam sido formalizadas aos diretores da Vivendi na última quarta-feira. 

Já as ações da Oi (OIBR4, R$ 1,42, -0,70%) também perdem força e caem nesta quinta-feira, depois de terem subido mais de 5% na máxima do dia. No radar da empresa, uma reportagem da Bloomberg apontou que a empresa está em conversas para vender sua fatia de 25% na Unitel por mais de US$ 2 bilhões, citando uma fonte com familiaridade no assunto, que mencionou a Sonangol e a Isabel dos Santos, filha do presidente da Angola, como possíveis compradores. Em relatório, a equipe do BES aponta concretização da venda pode elevar o “valuation” da Oi em aproximadamente 6%, o que pode ter um impacto positivo de aproximadamente 12% nas ações.


As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, são:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 MMXM3 MMX MINER ON 0,80 -6,98
 CSNA3 SID NACIONAL ON 9,98 -4,95
 VALE3 VALE ON 29,26 -4,63
 VALE5 VALE PNA 26,05 -4,40
 GOAU4 GERDAU MET PN 15,64 -4,17

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, são:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 MRFG3 MARFRIG ON 7,49 +2,60
 MRVE3 MRV ON 9,10 +1,79
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 114,75 +1,27
 CPLE6 COPEL PNB 39,96 +1,04
 HGTX3 CIA HERING ON 27,36 +0,96

Tensões na Ucrânia e Rússia
Os principais índices acionários do mundo caem, reagindo às tensões políticas e com o fim do “rali” se aproximando. As ações asiáticas recuaram nesta sessão, saindo de uma máxima de seis anos e meio, apesar do movimento positivo nos EUA.

O índice de Hong Kong fechou na mínima de duas semanas, com baixa de 0,71%, em condições turbulentas neste pregão, afetado pela fraqueza contínua no mercado chinês e resultados corporativos fracos, com baixa de 0,7%.

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Já na Europa, as bolsas têm queda, após as tensões entre Ucrânia e Rússia aumentarem nas últimas horas. Nesta quinta-feira, hackers russos são acusados de roubarem dados de 5 bancos dos EUA. O FBI investiga se os ataques podem ser retaliações contra as sanções impostas pelos americanos. 

Além disso, o governo ucraniano disse nesta quinta-feira que as forças russas tomaram a cidade costeira de Novoazovsk e de várias aldeias perto da fronteira com a Rússia, parte de um ataque mais amplo. Esta sinalização aumenta os temores do Ocidente de que Moscou está realizando uma “invasão pura e simples da Ucrânia”, ressalta o Market Watch.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.