Ibovespa cai mais de 1%, com nova derrocada de OGX e Vale; Petro avança

Impasse sobre o orçamento dos EUA, crise política na Itália e PMI chinês guiam desempenho negativo das bolsas; por aqui, BC corta projeção do PIB

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SÃO PAULO – O Ibovespa caminha para seu quinto pregão consecutivo em queda nesta segunda-feira (30). O noticiário negativo na Europa, o impasse sobre o orçamento norte-americano e o fraco indicador industrial da China colaboram para que as bolsas mundiais comecem a semana no negativo. Somado a isso, o benchmark brasileiro ainda vê importantes papéis registrarem forte queda nesta sessão. Com isso, o índice brasileiro de ações recuava 1,46%, a 52.952 pontos, segundo cotação das 10h27 (horário de Brasília)

A maior queda do Ibovespa, mais uma vez, fica com a OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,23, -17,86%), com especulações sobre uma possível recuperação judicial da empresa. Ela é seguida pela LLX Logística (LLXL3, R$ 1,70, -4,49%), também de Eike Batista.

As ações da Vale (VALE3, R$ 34,46, -1,99%; VALE5, R$ 31,64, -1,56%), que possuem cerca de 10% de participação no índice, recuam seguindo o movimento das mineradoras globais, que pressionam os índices europeus nesta manhã, após o PMI (Purchase Manager’s Index) chinês mostrar avanço menor do que o esperado no setor industrial, com 50,2, segundo o HSBC. Outras empresas do setor de mineração e siderurgia também apresentam performance negativa, como Gerdau (GGBR4, R$ 16,83, -1,29%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 21,36, -0,84%) e Usiminas (USIM3, R$ 10,42, -0,48%; USIM5, R$ 10,55, -0,66%).

A CSN (CSNA3, R$ 9,44, -2,28%) repercute também a notícia de que seu principal acionista, Benjamin Steinbruch, iniciará uma batalha judicial com sete empresas asiáticas, envolvidas com a Namisa, segundo coluna da Veja. 

Já a Oi (OIBR3, R$ 4,44, -1,88%; OIBR4, R$ 4,16, -2,69%) opera no negativo no dia em que suas ações passam a operar na forma “ex-dividendo”, referente ao pagamento do provento de R$ 500 milhões, anunciado no dia 18 de setembro. O valor corresponde a cerca de R$ 0,3048 por ação, e será pago somente em 11 de outubro.

No lado positivo, aparece a Petrobras (PETR3, R$ 17,36, +0,12%; PETR4, R$ 18,65, +0,81%), que ajuda a amenizar uma pequena parte destas quedas tendo em vista a forte participação que a petrolífera tem na composição do Ibovespa. Além da estatal, apenas 5 das 73 ações do índice operam no positivo.

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Focus e relatório trimestral de inflação
O compilado de expectativas do Banco Central mostra estabilidade na previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para o final deste ano, em 2,40%, e diminuiu levemente para 2014, de 2,22% para 2,20% nesta semana. A expectativa para a Selic também foi mantida em 9,75% para os dois anos.

Por outro lado, os índices inflacionários sofreram alterações em suas projeções. Para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o relatório indicou leve aumento para 5,82% neste ano, ante 5,81% da semana anterior e aponta 5,97% em 2014. Já o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) deve ficar em 5,63% em 2013 – ante 5,58% na projeção anterior -, enquanto o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) subiu de 5,20% para 5,73%.

Se o boletim semanal do Banco Central não trouxe grandes novidades, o Relatório Trimestral de Inflação do BC revisou para baixo sua expectativa de crescimento para a economia brasileira. Para a autoridade monetária, o PIB do País deve crescer agora 2,5% em 2013, ante expectativa anterior de 2,7%

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Impasse nos EUA
Os temores do impasse sobre o teto da dívida norte-americana ganharam forças à medida que o Congresso não chegou a uma decisão no final de semana e o governo pode começar a fechar alguns de seus serviços a partir de amanhã (1), quando um novo ano fiscal entra em vigor. O Congresso e o Senado dos EUA discordam em relação ao “Obamacare” – programa de incentivo à saúde pública criado por Barack Obama -, enquanto os republicanos querem adiar em um ano o programa, os democratas fazem questão de incluir verba para o Obamacare no orçamento. O senador democrata Dick Durbin disse em entrevista que muito provavelmente o governo será paralisado.

Caso o impasse não seja resolvido, alguns setores públicos do país devem fechar amanhã, o que aconteceria pela primeira vez em 17 anos. Por lá, os contratos futuros dos índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq apresentam queda entre 0,8% e 1% nesta manhã. As bolsas europeias também seguem a tendência e recuam cerca de 1%.

Livre comércio anima Shanghai, mas PMI decepciona
Na Ásia, o índice de Shanghai foi o único a apresentar desempenho positivo, impulsionado pela abertura no último domingo (29) de uma zona de livre comércio em Xangai, na qual as duras regras chinesas para entrada de empresas estrangeiras foram amenizadas.

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Ainda na China, a leitura final do PMI industrial feita pelo HSBC em setembro registrou leve melhora em relação a agosto, mas decepciona os mercados ao não atingir o nível previsto na prévia do indicador. Em setembro, a leitura ficou em 50,2, ante projeção de 51,2. Apesar de abaixo do que a prévia indicava, o indicador permanece acima da marca de 50, que separa contração e expansão do setor. Já no Japão, o PMI industrial ficou em 52,5 em setembro, ante previsão de 52,2.

Instabilidade política na Itália
Na Itália, o partido de Silvio Berlusconi continua criando mais instabilidade política. No final de semana, cinco ministros renunciaram ao cargo, em oposição a um aumento nas taxas de venda no país. O ex-premiê ameaça derrubar o governo de Enrico Letta caso seja expulso da política após ser condenado por fraude fiscal.

Com a apreensão acerca da instabilidade política, o “yield” (rendimento) do título público italiano com vencimento em 10 anos sobe 10 pontos-base, para seu maior nível em 3 meses, enquanto o FTSE MIB, principal índice acionário do país, opera em Milão com queda de mais de 1,5%, o maior recuo visto entre os índices europeus nesta sessão, pressionado principalmente por ações do setor financeiro.

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No resto do continente, ações de mineradoras pressionam os índices, após o PMI industrial chinês desapontar os investidores. A China tem grande influência no desempenho de mineradoras, uma vez que é a maior consumidora mundial de minério de ferro, e um ritmo mais lento de crescimento em sua indústria afeta seus fornecedores.

A agenda de indicadores do continente também não favorece o ânimo dos investidores. A taxa anual de inflação da zona do euro atingiu seu menor nível em três anos e meio ao marcar alta de 1,1% – ante expectativa de 1,3%. Já na Alemanha, as vendas no varejo em agosto subiram 0,5% – valor menor do que o crescimento de 0,9% esperado para o período. Na Itália, o índice de preços preliminar marcou deflação de 0,3%, ante projeções de inflação de 0,3%.